CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica

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Sorvete e outras dicas para aliviar os efeitos colaterais da quimioterapia

A náusea é um dos sintomas mais comuns em pacientes que passam por quimioterapia ou radioterapia e muitas vezes são usados medicamentos para ajudar a atenuar o mal-estar. Agora um sorvete desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) ajuda a driblar os enjoos.

De acordo com a professora Francilene Graciele Kunradi Vieira, do Departamento de Nutrição da UFSC e coordenadora da pesquisa, a aceitação teve uma variação de 77% a 98%. “Esse resultado mostrou uma possibilidade terapêutica promissora na prevenção e recuperação do estado nutricional de indivíduos doentes”, comenta.

Ela conta que pacientes com câncer em processo de quimioterapia apresentam grande dificuldade de comer por causa dos efeitos colaterais provocados pelo tratamento, como náuseas, vômitos, inapetência alimentar, feridas na boca e sensação de boca seca. Há, ainda, o estresse metabólico ocasionado pela própria doença, o que as torna mais vulneráveis nutricional e emocionalmente.

Oferecido nos sabores chocolate, morango e limão siciliano, o sorvete é fonte de proteína e fibra, tem baixo teor de gordura e é isento de lactose. Por isso, também serve como um complemento alimentar.

Para o médico oncologista Artur Malzyner, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), são necessários mais estudos para garantir que o sorvete possa se tornar uma indicação oficial, mas concorda que a fórmula pode contribuir de fato para favorecer a recuperação de que passa por quimioterapia.

Atualmente, o produto vem sendo testado como sobremesa após o almoço e o jantar de pacientes internados para tratamento de câncer no Hospital Universitário da UFSC. “Não existe uma recomendação de consumo em relação a quantidade e tipo de câncer”, reforça Vieira.

Ao ser consumido, o sorvete favorece a salivação e pode auxiliar no alívio dos desconfortos na boca provocados pelo tratamento, como feridas, aftas, mucosite e sensação de boca seca e com gosto ruim. O alívio dos efeitos colaterais ocorre devido à temperatura gelada, e não à composição do produto.

A nutróloga Andréa Pereira, da oncologia e hematologia da Sociedade Beneficente Brasileira Israelita Albert Einstein, em São Paulo, detalha que o alimento gelado contrai os vasos sanguíneos da boca, o que diminui a irrigação local e a chegada de quimioterápicos na boca, reduzindo os incômodos. “No entanto, a técnica não deve ser usada quando o tumor primário for de boca e arredores, pois nesse caso é necessário que o remédio chegue ao local”, alerta.

Dicas para aliviar os sintomas da quimioterapia

A nutricionista Fernanda Bortolon, especialista em Nutrição Oncológica e Mestre em Ciências Pneumológicas, destaca que manter uma alimentação saudável durante o tratamento oncológico é fundamental para fortalecer o sistema imunológico.

Nessa fase, não é indicado consumir alimentos crus, como peixes, frutos do mar, produtos à base de ovos e verduras cruas (que podem estar mal lavadas). “Isso contribui para evitar contaminação pelos alimentos. Afinal, uma infecção durante o tratamento tende a ser mais difícil de combater por causa da queda da imunidade provocada pelos medicamentos”, esclarece.

Também é contraindicado realizar qualquer tipo de restrição alimentar sem orientação nutricional. Para facilitar a adesão e minimizar os desconfortos de quem passa por quimioterapia, listamos alguns hábitos alimentares que vale a pena adotar:

. Beber líquidos durante todo o dia;

. Ficar atento às proteínas consumidas (ovos, sorvetes, queijos);

. Adicionar calorias saudáveis nas preparações, como azeite de oliva, castanhas, pasta de amendoim e óleo de coco;

. Incluir alimentos ricos em vitamina C (frutas cítricas, tomate, pimentão amarelo, entre outros);

. Aumentar o consumo de alimentos verde-escuros (brócolis, couve, espinafre);

Além disso, vale somar à rotina alimentar estas atitudes essenciais para uma boa recuperação pós-quimioterapia:

. Coma pouco em cada refeição, mas mantenha o fracionamento das refeições ao longo do dia;

. Evite odores fortes, como de perfumes e produtos de limpeza;

. Resista à tentação de deitar-se após as refeições;

. Não faça exercícios físicos após as refeições.

 

Acesse o link do Portal Viva Bem – UOL: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/26/cientistas-criam-sorvete-que-alivia-efeitos-colaterais-da-quimioterapia.htm

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Imunoterapia: nova modalidade revoluciona tratamento de câncer

Faremos uma revisão sobre uma terapêutica do câncer até certo ponto revolucionária dentre os tratamentos atualmente disponíveis.

Na evolução do câncer, a pluralidade de mutações genéticas que ocorrem pode gerar proteínas (antígenos) que, sendo reconhecidas como estranhas ao organismo humano, levam ao reconhecimento do sistema imunológico para serem eliminadas.

Entretanto, o tumor frequentemente burla este sistema de vigilância, tornando as células tumorais invisíveis para as células de defesa do organismo. Desde o século 19, se estuda as relações entre o câncer e os mecanismos de defesa, o que permitiu o desenvolvimento da imunoterapia como modalidade terapêutica.

Imunoterapia contra câncer

Muitas foram as fases históricas da imunoterapia – como na potencialização geral da imunidade pelo uso do BCG, interferon e interleucina –, porém as evidencias clínicas apontam que apenas agora tivemos a oportunidade de encontrar a correta percepção sobre seus mecanismos de ação, os recursos para estabelecimento de novas terapêuticas e que finalmente resultaram em beneficio clínico indiscutível.

Os pesquisadores James P. Allison e Tasuku Honjo descreveram mecanismos de inativação do ataque imunológico por meio de um processo em que o câncer ativa uma pausa funcional na capacidade de ataque das células de defesa (linfócitos), conhecida como checkpoint e usada em condições normais pelo sistema imunológico para dar certo tempo para reconhecer os tecidos que devam ou não ser atacados.

Muitas destas ativações de pausa funcional se dão pela síntese por parte do tumor de moléculas inibitórias.

Uma das estratégias desenvolvidas para bloquear este processo gerado pelo tumor são os anticorpos anti-PDL-1 (exemplos atezolizumabe e avelumabe) e anti-PD1 (exemplos pembrolizumabe e nivolumabe), que envolvem espacialmente as moléculas associadas com ativação da pausa imunológica.

Em pouco mais de três anos de uso clinico, esta modalidade terapêutica apresentou resultados surpreendentes em vários tipos de câncer, tendo-se tornado a modalidade principal em câncer de pulmão, melanoma, câncer renal e câncer de cabeça e pescoço.

Outro processo inibitório ativado também por muitos tumores é o CTLA-4, que também pode ser isolado por meio de anticorpos (exemplo ipilimumabe). Menos expressivo do que os anticorpos anti-PD-1, busca-se ainda um uso clínico mais relevante. Uma nova estratégia ainda experimental tem sido associar à terapêutica destas duas formas de pausa imunológica (checkpoints CTLA-4 e PD-1), que parece tornar a atividade anti-tumoral ainda mais expressiva.

Em muitas das doenças estudadas, a associação da imunoterapia com a quimioterapia se mostrou muito ativa e se tornou a pedra angular no tratamento, por exemplo, no câncer de pulmão.

Dado enorme campo de seu uso, a imunoterapia promete continuar uma revolução na forma de abordar o câncer.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/imunoterapia-contra-cancer/

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Johnson & Johnson sabia que talco tinha mineral cangerígeno, diz agência

Um relatório da agência de notícias Reuters divulgado nos últimos dias levantou preocupações ao afirmar que a Johnson & Johnson soube durante décadas que seu talco cosmético continha pequenas quantidades de amianto, mineral que pode provocar câncer se inalado. A agência teve acesso aos documentos que a empresa teve que compartilhar com os advogados de pacientes que alegam que o talco da fabricante, um dos mais famosos e consumidos do mundo, causou câncer neles.

Ao todo, são 11.700 pessoas processando a empresa sob essa alegação. Em julho deste ano, um júri nos Estados Unidos ordenou que a Johnson & Johnson pagasse uma indenização de US$ 4,69 bilhões a 22 mulheres portadoras de câncer no ovário. Elas argumentavam que a companhia sabia da presença de amianto no talco.

Para os pais e mães que usam talco nos filhos pequenos hoje em dia, segundo os estudos mais recentes, não há mais motivo de alerta. A empresa confirma em nota que seu talco é livre dessas substâncias — afirmação comprovada “por milhares de testes feitos por órgãos oficiais”. Em 2009, a FDA, departamento do governo que regula remédios e cosméticos nos Estados Unidos, testou 34 amostras de talco, incluindo as da marca agora na berlinda, e não encontrou resquícios de amianto.

O que é amianto?

Ele é um mineral finíssimo e afiado, com formato semelhante a uma agulha. Uma vez inalado, penetra pelos pulmões e se instala na parede do órgão. “Ali, ele produz uma inflamação crônica na pleura, camada que reveste os pulmões, que leva ao câncer”, explica Artur Malzyner, médico oncologista da Clinonco, em São Paulo.

Até os anos 1970, era comum que houvesse resquícios de amianto em cosméticos e talcos. Foi nessa década que as evidências ligando o mineral ao câncer começaram a ganhar corpo. Com o passar do tempo, ele foi banido dos produtos e até seu uso industrial foi proibido — os trabalhadores que inalavam a poeira eram os mais sujeitos a sofrerem os efeitos negativos do amianto.

Segundo a Reuters, desde 1950 os especialistas da Johnson & Johnson sabiam que o talco poderia conter resquícios de amianto. A empresa nega a afirmação em comunicado oficial e, nos processos judiciais que a agência investigou, se defendeu dizendo que alguns dos achados documentados diziam respeito ao talco de uso industrial.

“Com as informações que temos, a argumentação de que o talco causou câncer é um tanto incompleta, eu diria. Seriam precisos mais estudos, com um grande número de pessoas, para determinar a relação direta, como já se observou nos casos de exposição direta ao amianto nos trabalhadores da indústria e das minas”, comenta Malzyner.

Talco causa câncer de ovário?

Mesmo sem a presença do mineral sabidamente cancerígeno, essa é uma preocupação que vira e mexe reaparece na internet. Mas a Agência Internacional de Pesquisa Sobre o Câncer (Iarc, na sigla em inglês, principal referência sobre o tema) diz que o talco corporal sem amianto não causa tumores em humanos.

O uso na região genital, contudo, é rotulado como possivelmente cancerígeno, classificação quando há evidências limitadas sobre o assunto. “Os estudos falam em um incremento muito pequeno, mas estamos falando de câncer, uma epidemia que não conseguimos compreender completamente de onde vem, então é algo que deveria ser estudado mais a fundo”, diz Malzyner.

Diante da falta de estudos mais robustos, não é possível afirmar que a criança que usa talco está em risco. “Fica a critério de cada um aplicar ou não o produto, baseado nas informações que temos até agora”.

Posicionamento da empresa

A Johnson & Johnson comentou o caso em um comunicado à imprensa:

“A matéria publicada pela Reuters nos Estados Unidos é unilateral e falsa. O talco para bebês da Johnson & Johnson é seguro e não contém amianto. Estudos com mais de 100 mil homens e mulheres mostram que o talco não causa câncer ou doenças relacionadas ao amianto. Milhares de testes independentes realizados por órgãos reguladores e laboratórios de pesquisa de referência mundial provam que nosso talco para bebês nunca conteve amianto.”

 

Acesse o link do Portal Bebe.com.br: https://bebe.abril.com.br/saude/fabricante-sabia-que-talco-infantil-tinha-mineral-cangerigeno-diz-agencia/

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Cuidados alimentares que reduzem risco de câncer de mama

Muito já foi discutido sobre a importância de alimentação e hábitos saudáveis na prevenção de diversas doenças, inclusive do câncer. Muitas destas informações são baseadas em conceitos teóricos ou experimentação animal, mas poucas evidências foram extraídas de estudos em humanos. Claro que há evidências baseadas em observações epidemiológicas que permitem certa associação com benefícios sugeridos.

Embora estudos clínicos sejam desenhados especificamente para demonstrar estes resultados, poucos trabalhos foram estabelecidos para demonstrar a influencia da alimentação sobre um tipo de câncer.

A seguir, entenda duas pesquisas importantes para recomendar nossa orientação dietética a mulheres que tiveram diagnostico de câncer de mama anteriormente:

Cuidados alimentares contra o câncer

Menos gorduras

No primeiro estudo, Chlebowski e colaboradores avaliaram o efeito de uma dieta baixa em teor de gorduras em quase 49 mil mulheres saudáveis.  Ainda que não se tenha observado uma redução importante no risco de desenvolver câncer de mama, as mulheres que vieram a apresentá-lo tiveram menor mortalidade pela doença e particularmente grande beneficio na sobrevida.

Jejum noturno

Já o segundo estudo, Patterson e colaboradores observaram o comportamento de 2.400 mulheres com câncer de mama em fase precoce. Treze ou mais horas em jejum noturno permitiu uma redução no risco de recaída de 36% ou mais, sendo que o beneficio foi progressivamente maior, da ordem de 20%, a cada adição de duas horas ao período de jejum.

Além disso, os autores também concluíram que um aumento no tempo de jejum noturno reduz potencialmente o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outros cânceres.

Tentando-se abstrair uma orientação única de dois estudos heterogêneos como estes, passamos a recomendar a todas as mulheres, e particularmente àquelas que tiveram câncer de mama, uma alimentação com baixo teor de gorduras e um período de jejum noturno mais prolongado.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/cuidados-alimentares-cancer-de-mama/

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Novembro Azul: importância da campanha no combate ao câncer de próstata

Inspirado por campanhas públicas de saúde como o recém-terminado Outubro Rosa, o Novembro Azul surgiu com o objetivo de conscientizar o público sobre a saúde do homem e, em particular, sobre o câncer de próstata.

Este é considerado o tumor mais frequente e a principal causa de morte por câncer no sexo masculino. Saiba tudo sobre ele

Importância do Novembro Azul

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que produz parte do sêmen liberado durante o ato sexual e está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto.

Devido à localização, para verificar consistência, tamanho e presença de lesões palpáveis na próstata, é realizado o exame de toque. Apesar dos preconceitos, a campanha Novembro Azul fez com que esse teste se tornasse parte rotineira da vida dos homens.

Simples, rápido e indolor, ele tem papel relevante entre os métodos atualmente disponíveis para o diagnóstico precoce da doença.

Diagnóstico precoce

O câncer de próstata é assintomático em muitos casos e evolui lentamente, portanto, quando sinais e sintomas aparecem, é possível que a doença tenha surgido há algum tempo e que esteja em estágio avançado.

Por isto, é de extrema importância à realização dos exames de prevenção para o diagnóstico precoce, possibilitando a identificação do tumor em fase inicial com maior taxa de cura.

Além disso, o diagnóstico precoce torna menor o índice de complicações pós-cirurgia ou pós-radioterapia.

Nestes casos, o tratamento curativo ainda radical proporciona menos complicações na qualidade de vida do que nos casos avançados, que requerem tratamentos mais complexos e com maior probabilidade de efeitos adversos.

Ainda que os congressos médicos da especialidade debatam sobre os riscos eventuais de tratamentos excessivos provenientes de muitos procedimentos realizados em decorrência dos eventuais alarmes falsos, já que a triagem é pouco especifica, o fato é que os métodos atuais podem produzir resultados efetivos na cura de pacientes assintomáticos com câncer de próstata.

Quando o rastreamento deve começar?

Considerada uma doença da terceira idade, a maioria dos casos de câncer de próstata ocorre a partir dos 65 anos.

Desta forma, recomenda-se que a prevenção se inicie a partir desta idade por meio da realização anual dos exames de toque, PSA e de imagem que se façam indicar por eventual anormalidade constatada naqueles.

O exame de toque e PSA são métodos imprecisos, mas até certo ponto complementares para detecção do câncer de próstata, dando alerta para a indicação de uma investigação mais aprofundada.

Em famílias com incidência elevada de câncer de próstata, recomenda-se que o rastreamento se inicie a partir dos 45 anos de idade.

Tratamento de câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata depende da extensão e do aspecto microscópico do tumor, idade e saúde geral do paciente, e pode incluir observação, cirurgia, radioterapia, criocirurgia, hormonoterapia e quimioterapia, além da possibilidade de combinar uma ou mais destas modalidades terapêuticas.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/novembro-azul/

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Obesidade e câncer colorretal: risco é elevado

A morbimortalidade associada ao sobrepeso e a obesidade tem sido estudada por profissionais de saúde há mais de 2000 anos. A definição de sobrepeso e obesidade é baseado no IMC (índice de massa corpórea), que é calculado pela divisão do Peso (em quilogramas) pela altura ao quadrado (em metros), sendo que um IMC 25-29,9 Kg/m2 é considerado sobrepeso, IMC > 30: obesidade e IMC > 40 : obesidade mórbida.

A obesidade está associada a uma redução de expectativa de vida tanto em homens quanto em mulheres, além de estar relacionada a mais de 200 doenças. As principais doenças relacionadas ao excesso de peso são: cardiovasculares, infarto, AVC, diabetes, insuficiência renal, doença do refluxo gastroesofágico, apneia do sono e alguns tipos de câncer – como de endométrio, pâncreas, estômago, rim, mama e cólon.

Câncer colorretal e obesidade

Em relação ao câncer de colon e reto, em pacientes acima de 50 anos a associação da doença a hábitos de vida inadequados, como excesso de peso, diabetes, dieta rica em carnes vermelhas e processadas e sedentarismo, está bem documentada, porém tem se observado aumento do número de casos novos em pacientes jovens que merecem uma elucidação de possíveis fatores de risco.

Um estudo publicado no JAMA Oncology em 11 de outubro de 2018 tentou correlacionar o obesidade e o ganho de peso ao aumento do risco de câncer colorretal em pacientes jovens. No período de 1989 a 2011 foram acompanhadas 85.256 mulheres na faixa etária de 25 a 42 anos que não tinham historia previa de câncer intestinal ou doença inflamatória intestinal.

As mulheres com IMC aumentado ou com ganho de peso eram mais propensas a desenvolverem diabetes, praticavam menos atividades físicas e tinham maior consumo de carne vermelha.

No período estudado foram diagnosticados 114 casos de câncer cólon e reto. A obesidade era um fator de risco independente para o aumento destes tumores: quanto maior o índice de massa corpórea, maior era a chance de desenvolver a doença, sendo que nas mulheres de IMC >30 o risco era quase o dobro quando comparado com as de IMC 18,5 – 22,9.

Certamente serão necessários novos estudos para avaliar a influência do excesso de peso em homens jovens, além da investigação de outros fatores que possam estar contribuindo com o aumento dos casos novos de câncer de cólon e reto em pessoas jovens, porém a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis para evitar o sedentarismo e o excesso de peso devem ser incentivados para a prevenção não só do câncer, mas também de doenças cardiovasculares, osteoarticulares, renais, gastrointestinais, respiratórias e psicológicas.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Lilian Carrano Albuquerque, oncologista da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco)

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/obesidade-e-cancer-colorretal/

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Câncer de próstata – Fatores de risco

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens, perdendo apenas para os tumores de pele não melanoma.  Segundo dados do INCA estima se que em 2018 sejam diagnosticados 68220 casos novos de câncer de próstata, sendo o risco estimado de 66,12 casos novos para cada 100 mil homens.

Os principais fatores de risco relacionados ao câncer de próstata são: idade, etnia, fatores genéticos, historia familiar e hábitos de vida.

  • Idade: a idade é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de próstata, sua incidência aumenta com o passar do anos e raramente ocorre antes dos 40 anos.
  • Etnia: o câncer de próstata é mais comum em homens negros quando comparados com homens brancos ou de outras etnia. Nesses indivíduos o câncer de próstata ocorre em idade mais precoce e com mais agressividade.
  • História Familiar: homens que tiveram pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos tem uma chance aumentada de desenvolver a doença quando comparado com a população geral.
  • Fatores Genéticos: algumas alterações genéticas como a mutação do BRCA2 ou síndrome de Lynch podem aumentar o risco de câncer de próstata em uma pequena porcentagem dos pacientes.
  • Hábitos de Vida: os estudos não são conclusivos ao relacionar o câncer de próstata a determinados hábitos de vida; porém acredita se que uma dieta com baixo índice de gordura animal e rica em vegetais e legumes seria um fator protetor. Outros estudos sugerem que homens obesos possuem maiores chances de desenvolver a doença.

 

Dra. Lilian Carrano de Albuquerque – CRM: 125.115

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Dieta cetogênica e câncer: qual é a relação?

Muitos sobreviventes de câncer são altamente motivados a buscar informações sobre escolhas alimentares, atividade física, uso de suplementos alimentares e terapias nutricionais complementares para melhorar sua resposta ao tratamento, acelerar a recuperação, reduzir o risco de recorrência e melhorar sua qualidade de vida.

Desde o início da década de 1970, diversas dietas foram publicadas com o objetivo primário de emagrecimento e manutenção de peso e utilizaram-se do conceito de ‘’cetogênicas” (baixo teor de carboidratos e elevada ingestão de gorduras sem a preocupação com a contagem de calorias) como pedra angular. Alguns exemplos são Dr Atikins, South Beach, Dukan, além de outras.

Dieta cetogênica e câncer: quais são os efeitos?

Há muita controvérsia em como estas dietas produzem emagrecimento, já que o alto consumo de gorduras as torna hipercalóricas. Muitos pesquisadores acreditam que o emagrecimento prove do fato de que estas dietas são altamente saciadoras e termina por fazer a pessoa reduzir drasticamente a quantidade final de alimentos. Além disto, o baixo teor de carboidratos leva a uma redução da secreção de insulina, hormônio necessário para a incorporação dos alimentos ingeridos.

Uma observação preliminar de que tais dietas eram capazes de reduzir o número de convulsões em pacientes epiléticos trouxe a modalidade ao interesse da medicina.

Muitos subsequentes foram publicados, particularmente em pacientes oncológicos, ainda que em áreas bastantes diversas da oncologia clínica, produzindo uma lista de evidências apenas moderada sobre a sua real capacidade terapêutica.

São reconhecidos os muitos distúrbios metabólicos com que as células cancerosas são geradas, visto que, diferentemente das normais, praticamente só conseguem utilizar os carboidratos como fonte de energia. As células cancerosas são incapazes de utilizar a gordura.

Além disso, a insulina é o hormônio interno que mais é capaz de estimular células cancerosas a se proliferarem e que a busca por uma dieta com baixo teor de secreção de insulina tem sido sempre recomendada por oncologistas.

Cuidados são imprescindíveis

Por isto que a grande maioria dos estudos identifica benefícios da relação dieta cetogênica e câncer.

Contudo, existem poucas, mas importantes instâncias em que a dieta low carb de fato foi nociva a pacientes com câncer, como foi visto no melanoma com mutação no gene BRAF, no qual estimulava a proliferação maligna, ainda que, após adequado bloqueio da mutação, voltou a ver beneficio do uso da dieta.

Isto nos ensina que os casos de câncer são diferentes uns dos outros e que o oncologista é o profissional a encabeçar o time de cuidadores e prescrever este tipo de abordagem.

Efeitos predominantemente satisfatórios foram obtidos no tratamento nos seguintes tipos de câncer: glioblastoma, astrocitoma, meduloblastoma, câncer de próstata, do intestino grosso, neuroblastoma, pâncreas, mama, pulmão, estomago e fígado. Estudos negativos em câncer renal e resultados mistos como já mencionado em melanoma BRAF mutado.

Julgamos o desenvolvimento cientifico das dietas como uma nova via de abordagem promissora do câncer muito pouco explorada até então.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/dieta-cetogenica-e-cancer/

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O câncer de mama é  a principal causa de morte por câncer em mulheres  no Brasil

O câncer de mama é  a principal causa de morte por câncer em mulheres  no Brasil, quando diagnosticado precocemente as chances de cura ultrapassam 90% dos casos.

A  detecção da doença em suas fases iniciais propicia não só um aumento de sobrevida e possibilidade de cura, além de modalidades de tratamentos menos agressivas, minimizando os traumas físicos e psicológicos relacionados a terapêutica, e  um menor custo para o sistema de saúde.

A estratégia para o diagnostico do câncer de mama precoce é baseada nas recomendações do Ministério da Saude, de protocolos internacionais e de recomendações das sociedades médicas.

Primeiramente as mulheres devem estar atentas a qualquer alteração em seu corpo. Em relação ao câncer de mama os principais sinais são : aparecimento de nódulo ou caroço na mama ou axila,  mudança no formato do mamilo, pele avermelhada, irritada ou edemaciada e  saída de secreção pelo mamilo. Na presença de qualquer um desses sinais é importante procurar um médico para iniciar a investigação.

A recomendação de exames de rotina para o rastreamento do câncer de mama difere entre recomendações do ministério da saúde e das sociedades médicas e é baseado em fatores de risco para doença como idade, história pessoal e  familiar, presença de mutações genéticas.

A Sociedade Brasileira de Mastologia e a de Radiologia recomendam mamografia anual para todas as mulheres a partir dos 40 anos enquanto o Ministerio da Saude recomenda que a Mamografia seja realizada  na faixa etária dos  50 aos 69  e com periodicidade de 2 em 2 anos.

Mulheres com historia pessoal ou familiar de câncer de mama e ovário, predisposição genética como mutação do BRCA ou que realizaram radioterapia em região torácica devem realizar os exames mais precocemente .

A realização de exames não previne o aparecimento do câncer de mama;  porém é útil no diagnostico de um câncer em fase inicia reduzindo a morbimortalidade pela doença.

 

Fonte: Dra. Lilian Carrano de Albuquerque – CRM 125.115 SP

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Fertilidade, menopausa e mais: como o lado feminino é afetado pelo câncer

Ao receber um diagnóstico de câncer de mama, é absolutamente normal a cabeça da mulher dar um nó, tantas são as preocupações imediatas.

“Meu primeiro pavor foi se eu sobreviveria para continuar criando minha filha, que na época tinha 2 anos”, lembra a contadora Iris Steffen. “Depois pensei nos meus cabelos, que cairiam, e se eu conseguiria ficar grávida novamente, porque sempre quis ter uma segundinha”, lembra ela, que é mãe de Clara, hoje com 8 anos, e de Vitória, de 3, concebida e nascida depois do final do tratamento.

Além destas, muitas questões rondam os pensamentos das pacientes. Conversamos com um time de especialistas para esclarecer as principais dúvidas: Andrea Watanabe (mastologista do Salomão Zoppi Diagnósticos), André Mattar (mastologista do Alta Excelência Diagnóstica), Artur Malzyner (oncologista da Clinonco e do Hospital Israelita Albert Einstein), Carla Benetti (radiologista especializada em mamas do Salomão Zoppi Diagnósticos), Natalia Fernandes Garcia de Carvalho (mestre em ciências) e Ricardo Luba (ginecologista e obstetra).

É possível engravidar durante o tratamento de câncer de mama?

Possível é, e acidentes acontecem. Mas o recomendado é evitar ao máximo engravidar, pois quase todas as etapas do tratamento aumentam muito o risco de malformação fetal e de aborto – ou seja, acabam configurando uma gravidez de alto risco.

E, se as etapas forem puladas ou adiadas por causa da gravidez, podem comprometer as chances de sucesso do tratamento e da cura deste câncer. É por isso que o planejamento da abordagem adotada com a paciente de câncer de mama que já esteja grávida é tão meticulosa e coordenada entre muitos especialistas (oncologista, obstetra e radiologista, entre outros).

Vamos detalhas as possíveis etapas do tratamento de câncer de mama e como cada um deles se relaciona com uma gestação que possa surgir no meio do caminho:

– Cirurgia: indicada para a retirada de tumores descobertos em estágios bem iniciais. O risco é relacionado à anestesia, que no primeiro trimestre de gestação pode causar malformações fetais; logo, ela deve ficar para o segundo trimestre.

– Quimioterapia: deve ser evitada no primeiro trimestre, mas no segundo e no terceiro trimestres pode ser indicada, de acordo com a avaliação médica.

– Hormonioterapia: é uma fase em que se deve evitar de todas as maneiras uma gravidez – abstinência é uma ótima ideia –, uma vez que o tamoxifeno aumenta demais o risco de malformações fetais.

– Radioterapia: outra etapa em que a abstinência pode ser sua melhor amiga, já que os riscos de malformação fetal e de aborto são altíssimos; quando a paciente já está grávida e é diagnosticada com câncer de mama, a radioterapia deve ser adiada para depois do parto.

– Terapia alvo: também tem um risco elevado de malformações fetais, então não é recomendado que se engravide aqui.

É possível engravidar depois de um tratamento de câncer de mama?

Completamente possível. Se o tratamento tiver sido apenas cirúrgico, a gestação será igualzinha àquela de uma mulher que nunca tenha tido câncer de mama.

Mas, dependendo do tratamento a que a mulher tenha sido submetida, pode ser mais difícil engravidar. Algumas quimioterapias antecipam a menopausa, outras são altamente tóxicas para os ovários. Uma alternativa a se pensar quando o médico alertar para esses efeitos colaterais é o congelamento de óvulos para uma FIV posterior.

Outra questão importante é quanto tempo depois do fim do tratamento é recomendável engravidar. Em geral, os médicos pedem que se espere por dois anos, para verificar se não há uma recidiva, o que tornaria um novo tratamento algo muito complexo (devido ao que foi explicado no item anterior).

É possível amamentar durante o tratamento contra o câncer de mama?

A amamentação é contraindicada durante o tratamento de câncer de mama. Os medicamentos da quimioterapia (tamoxifeno e anastrozol, por exemplo) são excretados no leite materno, o que prejudica o bebê, e as lesões locais da radioterapia impedem a amamentação.

É possível amamentar depois do tratamento de câncer de mama sem mastectomia?

É possível, mas na mama em que há cirurgia normalmente há também radioterapia, e sua radiação pode diminuir muito a chance de conseguir amamentar. Na outra mama, porém, não há contraindicação nenhuma.

É possível amamentar depois de uma mastectomia?

A mastectomia é a remoção cirúrgica completa da mama, com todo o tecido responsável pela produção do leite, então a resposta aqui é não, não é possível. Na outra mama, porém, não há problema nenhum.

O tratamento contra o câncer de mama afeta a menopausa?

Dependendo do tipo de medicamento utilizado, as pacientes que fazem quimioterapia tendem a apresentar menopausa precoce – algumas drogas quimioterápicas agem nas células dos ovários.

As que não fazem quimioterapia não sentem nenhuma diferença nesse sentido.

 

Fonte: Artur Malzyner (oncologista da Clinonco e do Hospital Israelita Albert Einstein)

 

Acesse o link do Portal MdeMulher: https://mdemulher.abril.com.br/saude/fertilidade-menopausa-e-mais-como-o-lado-feminino-e-afetado-pelo-cancer/

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