CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica

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Cuidados alimentares que reduzem risco de câncer de mama

Muito já foi discutido sobre a importância de alimentação e hábitos saudáveis na prevenção de diversas doenças, inclusive do câncer. Muitas destas informações são baseadas em conceitos teóricos ou experimentação animal, mas poucas evidências foram extraídas de estudos em humanos. Claro que há evidências baseadas em observações epidemiológicas que permitem certa associação com benefícios sugeridos.

Embora estudos clínicos sejam desenhados especificamente para demonstrar estes resultados, poucos trabalhos foram estabelecidos para demonstrar a influencia da alimentação sobre um tipo de câncer.

A seguir, entenda duas pesquisas importantes para recomendar nossa orientação dietética a mulheres que tiveram diagnostico de câncer de mama anteriormente:

Cuidados alimentares contra o câncer

Menos gorduras

No primeiro estudo, Chlebowski e colaboradores avaliaram o efeito de uma dieta baixa em teor de gorduras em quase 49 mil mulheres saudáveis.  Ainda que não se tenha observado uma redução importante no risco de desenvolver câncer de mama, as mulheres que vieram a apresentá-lo tiveram menor mortalidade pela doença e particularmente grande beneficio na sobrevida.

Jejum noturno

Já o segundo estudo, Patterson e colaboradores observaram o comportamento de 2.400 mulheres com câncer de mama em fase precoce. Treze ou mais horas em jejum noturno permitiu uma redução no risco de recaída de 36% ou mais, sendo que o beneficio foi progressivamente maior, da ordem de 20%, a cada adição de duas horas ao período de jejum.

Além disso, os autores também concluíram que um aumento no tempo de jejum noturno reduz potencialmente o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outros cânceres.

Tentando-se abstrair uma orientação única de dois estudos heterogêneos como estes, passamos a recomendar a todas as mulheres, e particularmente àquelas que tiveram câncer de mama, uma alimentação com baixo teor de gorduras e um período de jejum noturno mais prolongado.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/cuidados-alimentares-cancer-de-mama/

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Novembro Azul: importância da campanha no combate ao câncer de próstata

Inspirado por campanhas públicas de saúde como o recém-terminado Outubro Rosa, o Novembro Azul surgiu com o objetivo de conscientizar o público sobre a saúde do homem e, em particular, sobre o câncer de próstata.

Este é considerado o tumor mais frequente e a principal causa de morte por câncer no sexo masculino. Saiba tudo sobre ele

Importância do Novembro Azul

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que produz parte do sêmen liberado durante o ato sexual e está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto.

Devido à localização, para verificar consistência, tamanho e presença de lesões palpáveis na próstata, é realizado o exame de toque. Apesar dos preconceitos, a campanha Novembro Azul fez com que esse teste se tornasse parte rotineira da vida dos homens.

Simples, rápido e indolor, ele tem papel relevante entre os métodos atualmente disponíveis para o diagnóstico precoce da doença.

Diagnóstico precoce

O câncer de próstata é assintomático em muitos casos e evolui lentamente, portanto, quando sinais e sintomas aparecem, é possível que a doença tenha surgido há algum tempo e que esteja em estágio avançado.

Por isto, é de extrema importância à realização dos exames de prevenção para o diagnóstico precoce, possibilitando a identificação do tumor em fase inicial com maior taxa de cura.

Além disso, o diagnóstico precoce torna menor o índice de complicações pós-cirurgia ou pós-radioterapia.

Nestes casos, o tratamento curativo ainda radical proporciona menos complicações na qualidade de vida do que nos casos avançados, que requerem tratamentos mais complexos e com maior probabilidade de efeitos adversos.

Ainda que os congressos médicos da especialidade debatam sobre os riscos eventuais de tratamentos excessivos provenientes de muitos procedimentos realizados em decorrência dos eventuais alarmes falsos, já que a triagem é pouco especifica, o fato é que os métodos atuais podem produzir resultados efetivos na cura de pacientes assintomáticos com câncer de próstata.

Quando o rastreamento deve começar?

Considerada uma doença da terceira idade, a maioria dos casos de câncer de próstata ocorre a partir dos 65 anos.

Desta forma, recomenda-se que a prevenção se inicie a partir desta idade por meio da realização anual dos exames de toque, PSA e de imagem que se façam indicar por eventual anormalidade constatada naqueles.

O exame de toque e PSA são métodos imprecisos, mas até certo ponto complementares para detecção do câncer de próstata, dando alerta para a indicação de uma investigação mais aprofundada.

Em famílias com incidência elevada de câncer de próstata, recomenda-se que o rastreamento se inicie a partir dos 45 anos de idade.

Tratamento de câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata depende da extensão e do aspecto microscópico do tumor, idade e saúde geral do paciente, e pode incluir observação, cirurgia, radioterapia, criocirurgia, hormonoterapia e quimioterapia, além da possibilidade de combinar uma ou mais destas modalidades terapêuticas.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/novembro-azul/

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Obesidade e câncer colorretal: risco é elevado

A morbimortalidade associada ao sobrepeso e a obesidade tem sido estudada por profissionais de saúde há mais de 2000 anos. A definição de sobrepeso e obesidade é baseado no IMC (índice de massa corpórea), que é calculado pela divisão do Peso (em quilogramas) pela altura ao quadrado (em metros), sendo que um IMC 25-29,9 Kg/m2 é considerado sobrepeso, IMC > 30: obesidade e IMC > 40 : obesidade mórbida.

A obesidade está associada a uma redução de expectativa de vida tanto em homens quanto em mulheres, além de estar relacionada a mais de 200 doenças. As principais doenças relacionadas ao excesso de peso são: cardiovasculares, infarto, AVC, diabetes, insuficiência renal, doença do refluxo gastroesofágico, apneia do sono e alguns tipos de câncer – como de endométrio, pâncreas, estômago, rim, mama e cólon.

Câncer colorretal e obesidade

Em relação ao câncer de colon e reto, em pacientes acima de 50 anos a associação da doença a hábitos de vida inadequados, como excesso de peso, diabetes, dieta rica em carnes vermelhas e processadas e sedentarismo, está bem documentada, porém tem se observado aumento do número de casos novos em pacientes jovens que merecem uma elucidação de possíveis fatores de risco.

Um estudo publicado no JAMA Oncology em 11 de outubro de 2018 tentou correlacionar o obesidade e o ganho de peso ao aumento do risco de câncer colorretal em pacientes jovens. No período de 1989 a 2011 foram acompanhadas 85.256 mulheres na faixa etária de 25 a 42 anos que não tinham historia previa de câncer intestinal ou doença inflamatória intestinal.

As mulheres com IMC aumentado ou com ganho de peso eram mais propensas a desenvolverem diabetes, praticavam menos atividades físicas e tinham maior consumo de carne vermelha.

No período estudado foram diagnosticados 114 casos de câncer cólon e reto. A obesidade era um fator de risco independente para o aumento destes tumores: quanto maior o índice de massa corpórea, maior era a chance de desenvolver a doença, sendo que nas mulheres de IMC >30 o risco era quase o dobro quando comparado com as de IMC 18,5 – 22,9.

Certamente serão necessários novos estudos para avaliar a influência do excesso de peso em homens jovens, além da investigação de outros fatores que possam estar contribuindo com o aumento dos casos novos de câncer de cólon e reto em pessoas jovens, porém a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis para evitar o sedentarismo e o excesso de peso devem ser incentivados para a prevenção não só do câncer, mas também de doenças cardiovasculares, osteoarticulares, renais, gastrointestinais, respiratórias e psicológicas.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Lilian Carrano Albuquerque, oncologista da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco)

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/obesidade-e-cancer-colorretal/

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Dieta cetogênica e câncer: qual é a relação?

Muitos sobreviventes de câncer são altamente motivados a buscar informações sobre escolhas alimentares, atividade física, uso de suplementos alimentares e terapias nutricionais complementares para melhorar sua resposta ao tratamento, acelerar a recuperação, reduzir o risco de recorrência e melhorar sua qualidade de vida.

Desde o início da década de 1970, diversas dietas foram publicadas com o objetivo primário de emagrecimento e manutenção de peso e utilizaram-se do conceito de ‘’cetogênicas” (baixo teor de carboidratos e elevada ingestão de gorduras sem a preocupação com a contagem de calorias) como pedra angular. Alguns exemplos são Dr Atikins, South Beach, Dukan, além de outras.

Dieta cetogênica e câncer: quais são os efeitos?

Há muita controvérsia em como estas dietas produzem emagrecimento, já que o alto consumo de gorduras as torna hipercalóricas. Muitos pesquisadores acreditam que o emagrecimento prove do fato de que estas dietas são altamente saciadoras e termina por fazer a pessoa reduzir drasticamente a quantidade final de alimentos. Além disto, o baixo teor de carboidratos leva a uma redução da secreção de insulina, hormônio necessário para a incorporação dos alimentos ingeridos.

Uma observação preliminar de que tais dietas eram capazes de reduzir o número de convulsões em pacientes epiléticos trouxe a modalidade ao interesse da medicina.

Muitos subsequentes foram publicados, particularmente em pacientes oncológicos, ainda que em áreas bastantes diversas da oncologia clínica, produzindo uma lista de evidências apenas moderada sobre a sua real capacidade terapêutica.

São reconhecidos os muitos distúrbios metabólicos com que as células cancerosas são geradas, visto que, diferentemente das normais, praticamente só conseguem utilizar os carboidratos como fonte de energia. As células cancerosas são incapazes de utilizar a gordura.

Além disso, a insulina é o hormônio interno que mais é capaz de estimular células cancerosas a se proliferarem e que a busca por uma dieta com baixo teor de secreção de insulina tem sido sempre recomendada por oncologistas.

Cuidados são imprescindíveis

Por isto que a grande maioria dos estudos identifica benefícios da relação dieta cetogênica e câncer.

Contudo, existem poucas, mas importantes instâncias em que a dieta low carb de fato foi nociva a pacientes com câncer, como foi visto no melanoma com mutação no gene BRAF, no qual estimulava a proliferação maligna, ainda que, após adequado bloqueio da mutação, voltou a ver beneficio do uso da dieta.

Isto nos ensina que os casos de câncer são diferentes uns dos outros e que o oncologista é o profissional a encabeçar o time de cuidadores e prescrever este tipo de abordagem.

Efeitos predominantemente satisfatórios foram obtidos no tratamento nos seguintes tipos de câncer: glioblastoma, astrocitoma, meduloblastoma, câncer de próstata, do intestino grosso, neuroblastoma, pâncreas, mama, pulmão, estomago e fígado. Estudos negativos em câncer renal e resultados mistos como já mencionado em melanoma BRAF mutado.

Julgamos o desenvolvimento cientifico das dietas como uma nova via de abordagem promissora do câncer muito pouco explorada até então.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/dieta-cetogenica-e-cancer/

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Fertilidade, menopausa e mais: como o lado feminino é afetado pelo câncer

Ao receber um diagnóstico de câncer de mama, é absolutamente normal a cabeça da mulher dar um nó, tantas são as preocupações imediatas.

“Meu primeiro pavor foi se eu sobreviveria para continuar criando minha filha, que na época tinha 2 anos”, lembra a contadora Iris Steffen. “Depois pensei nos meus cabelos, que cairiam, e se eu conseguiria ficar grávida novamente, porque sempre quis ter uma segundinha”, lembra ela, que é mãe de Clara, hoje com 8 anos, e de Vitória, de 3, concebida e nascida depois do final do tratamento.

Além destas, muitas questões rondam os pensamentos das pacientes. Conversamos com um time de especialistas para esclarecer as principais dúvidas: Andrea Watanabe (mastologista do Salomão Zoppi Diagnósticos), André Mattar (mastologista do Alta Excelência Diagnóstica), Artur Malzyner (oncologista da Clinonco e do Hospital Israelita Albert Einstein), Carla Benetti (radiologista especializada em mamas do Salomão Zoppi Diagnósticos), Natalia Fernandes Garcia de Carvalho (mestre em ciências) e Ricardo Luba (ginecologista e obstetra).

É possível engravidar durante o tratamento de câncer de mama?

Possível é, e acidentes acontecem. Mas o recomendado é evitar ao máximo engravidar, pois quase todas as etapas do tratamento aumentam muito o risco de malformação fetal e de aborto – ou seja, acabam configurando uma gravidez de alto risco.

E, se as etapas forem puladas ou adiadas por causa da gravidez, podem comprometer as chances de sucesso do tratamento e da cura deste câncer. É por isso que o planejamento da abordagem adotada com a paciente de câncer de mama que já esteja grávida é tão meticulosa e coordenada entre muitos especialistas (oncologista, obstetra e radiologista, entre outros).

Vamos detalhas as possíveis etapas do tratamento de câncer de mama e como cada um deles se relaciona com uma gestação que possa surgir no meio do caminho:

– Cirurgia: indicada para a retirada de tumores descobertos em estágios bem iniciais. O risco é relacionado à anestesia, que no primeiro trimestre de gestação pode causar malformações fetais; logo, ela deve ficar para o segundo trimestre.

– Quimioterapia: deve ser evitada no primeiro trimestre, mas no segundo e no terceiro trimestres pode ser indicada, de acordo com a avaliação médica.

– Hormonioterapia: é uma fase em que se deve evitar de todas as maneiras uma gravidez – abstinência é uma ótima ideia –, uma vez que o tamoxifeno aumenta demais o risco de malformações fetais.

– Radioterapia: outra etapa em que a abstinência pode ser sua melhor amiga, já que os riscos de malformação fetal e de aborto são altíssimos; quando a paciente já está grávida e é diagnosticada com câncer de mama, a radioterapia deve ser adiada para depois do parto.

– Terapia alvo: também tem um risco elevado de malformações fetais, então não é recomendado que se engravide aqui.

É possível engravidar depois de um tratamento de câncer de mama?

Completamente possível. Se o tratamento tiver sido apenas cirúrgico, a gestação será igualzinha àquela de uma mulher que nunca tenha tido câncer de mama.

Mas, dependendo do tratamento a que a mulher tenha sido submetida, pode ser mais difícil engravidar. Algumas quimioterapias antecipam a menopausa, outras são altamente tóxicas para os ovários. Uma alternativa a se pensar quando o médico alertar para esses efeitos colaterais é o congelamento de óvulos para uma FIV posterior.

Outra questão importante é quanto tempo depois do fim do tratamento é recomendável engravidar. Em geral, os médicos pedem que se espere por dois anos, para verificar se não há uma recidiva, o que tornaria um novo tratamento algo muito complexo (devido ao que foi explicado no item anterior).

É possível amamentar durante o tratamento contra o câncer de mama?

A amamentação é contraindicada durante o tratamento de câncer de mama. Os medicamentos da quimioterapia (tamoxifeno e anastrozol, por exemplo) são excretados no leite materno, o que prejudica o bebê, e as lesões locais da radioterapia impedem a amamentação.

É possível amamentar depois do tratamento de câncer de mama sem mastectomia?

É possível, mas na mama em que há cirurgia normalmente há também radioterapia, e sua radiação pode diminuir muito a chance de conseguir amamentar. Na outra mama, porém, não há contraindicação nenhuma.

É possível amamentar depois de uma mastectomia?

A mastectomia é a remoção cirúrgica completa da mama, com todo o tecido responsável pela produção do leite, então a resposta aqui é não, não é possível. Na outra mama, porém, não há problema nenhum.

O tratamento contra o câncer de mama afeta a menopausa?

Dependendo do tipo de medicamento utilizado, as pacientes que fazem quimioterapia tendem a apresentar menopausa precoce – algumas drogas quimioterápicas agem nas células dos ovários.

As que não fazem quimioterapia não sentem nenhuma diferença nesse sentido.

 

Fonte: Artur Malzyner (oncologista da Clinonco e do Hospital Israelita Albert Einstein)

 

Acesse o link do Portal MdeMulher: https://mdemulher.abril.com.br/saude/fertilidade-menopausa-e-mais-como-o-lado-feminino-e-afetado-pelo-cancer/

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Câncer de pulmão: tosse com sangue, dor no tórax e falta de ar são sinais

Entre todos os tumores malignos, o câncer de pulmão é o mais frequente em todo o mundo, e também o que mais mata: são 1,76 milhão o número de vítimas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para 2018 mais de 31 mil novos casos, sendo 18.740 homens e 12.530 mulheres. O tabagismo é a principal causa da doença: o hábito está envolvido em 90% de todos os casos.

Esse é o segundo tipo de câncer mais frequente em homens e o quarto em mulheres no país, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, o mais prevalente para ambos os sexos. Estão no grupo de maior risco indivíduos de 55 a 74 anos. Assim como em outros países, é o tumor maligno que causa mais mortes no Brasil, já que, infelizmente, costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados. Apesar de se tratar de uma doença grave e letal, muitos avanços foram conquistados nos últimos anos para aumentar a sobrevida dos pacientes, bem como melhorar sua qualidade de vida.

Como o câncer de pulmão aparece

Os pulmões são órgãos esponjosos que têm como principal função oxigenar o sangue e eliminar o dióxido de carbono do corpo. O lado direito é maior, e dividido em três lobos, enquanto o esquerdo é menor (por causa do coração) e possui apenas dois. Eles são formados por brônquios, que se ramificam a partir da traqueia, que fica entre os órgãos. Os brônquios se ramificam e se estreitam, formando os bronquíolos, que por sua vez chegam aos alvéolos, estruturas onde ocorre a troca gasosa. Os pulmões são cobertos por uma membrana fina, chamada pleura.

O câncer se desenvolve a partir do crescimento desordenado de células, deflagrado por mutações no DNA das células. Às vezes essas mutações são herdadas, mas, na maioria dos casos, são adquiridas ao longo da vida. Os diferentes tipos de tumores podem surgir em diferentes células do órgão.

Tipos de câncer de pulmão

O câncer de pulmão é uma doença bastante heterogênea, ou seja, há vários subtipos e cada um deles tem características e prognósticos distintos. Veja quais são:

Carcinoma de células não pequenas (CNPC), que representa de 80% a 85% dos casos e subdivide-se em:

. Adenocarcinoma Representa cerca de 50% dos casos e costuma se manifestar como nódulos isolados na periferia dos pulmões, que se iniciam nas células dos alvéolos. Tende a crescer mais lentamente, pode ocorrer em fumantes e não fumantes, mas é o tipo mais comum no segundo grupo;

. Carcinoma de células escamosas ou epidermoide Corresponde a 30% dos casos, frequentemente nas regiões centrais dos pulmões, como os brônquios maiores. Está relacionado ao tabagismo;

. Carcinomas de grandes células Pode surgir em qualquer célula grande do pulmão e tende a crescer de forma rápida.

Carcinoma de células pequenas (CPC), que representa de 10% a 15% de todos os cânceres de pulmão. Geralmente está associado ao tabagismo; quase sempre surge nos brônquios e costuma ter crescimento rápido. Um subtipo é o carcinoma neuroendócrino de grandes células.

Ainda há outros tipos mais raros, como tumores pulmonares neuroendócrinos –os tumores carcinoides típicos e atípicos e o carcinoma neuroendócrino de pequenas células, por exemplo –, linfomas e sarcomas.

Sintomas

As manifestações quase sempre aparecem quando a doença já alcançou estágios mais avançados, o que dificulta muito o tratamento. As principais são:

. Tosse (nos fumantes, o ritmo habitual é alterado e aparecem crises em horários incomuns);

. Presença de sangue no escarro;

. Dores no tórax (pioram ao tossir ou ao respirar fundo);

. Falta de ar;

. Rouquidão;

. Pneumonias ou bronquites de repetição;

. Perda de apetite ou de peso inexplicável;

. Fadiga ou cansaço.

É importante ressaltar que todos os sintomas acima também podem ter outras causas, por isso é importante procurar o médico.

Fatores de risco

– Tabagismo: de longe o principal fator, sendo responsável por 90% dos casos. Estima-se que mais de 28 mil ocorrências por ano poderiam ser evitadas se ninguém fumasse.

– Fumo passivo: o risco é pelo menos três vezes maior que o de uma pessoa não exposta à fumaça do cigarro, segundo a American Cancer Society.

– Poluição do ar: estima-se que, em todo o mundo, a poluição seja responsável por 5% dos casos.

– Fatores genéticos: familiares de pessoas que tiveram câncer de pulmão têm risco levemente aumentado, embora seja difícil estabelecer o quanto dessa probabilidade se deve à genética ou à fumaça do cigarro.

– Radioterapia: quem foi exposto à radiação na região do tórax pode ter risco mais alto de câncer de pulmão.

– Exposição a substâncias: agentes como asbesto (amianto), radônio (gás resultante da decomposição do urânio no solo e nas rochas) e arsênio (que pode estar presente na água), fuligem, cromo, níquel, sílica, produtos de carvão e escapamento de diesel, entre outros, também podem aumentar o risco. Segundo a American  Cancer  Society, a maconha e o talco (em sua forma natural, não confundir com o cosmético) têm efeitos incertos ou não comprovados em relação ao câncer de pulmão. A instituição também alerta que, de acordo com pelo menos dois grandes estudos, suplementos de betacaroteno podem aumentar o risco desse tipo de neoplasia em fumantes pesados.

Diagnóstico do câncer de pulmão

Muitas vezes, o problema é identificado em exames de rotina, ou quando se investiga outras doenças. Os principais exames que podem levar ao diagnóstico são a radiografia de tórax e a tomografia computadorizada ou PET-CT, que permite determinar o tumor e sua localização. Ainda podem ser solicitados pelo médico exames de sangue, ressonância magnética, ultrassonografia, PETscan e cintilografia óssea, para pesquisar a possibilidade de metástases (disseminação para outras partes do corpo).

O câncer só pode ser confirmado por biópsia, que geralmente é realizada por meio de uma broncoscopia (endoscopia respiratória) ou com agulha guiada por tomografia ou ultrassom, e analisada por patologista. Testes moleculares ainda podem identificar mutações genéticas e proteínas no tumor que auxiliam na escolha de terapias específicas.

Com a análise do tumor e os resultados dos exames, é feito o estadiamento. No caso do câncer de pulmão de não pequenas células utiliza-se o sistema com letras (T, de tumor, N de linfonodos e M de metástase) e números (de 0 a 4) para determinar a extensão da doença e, então, determinar o melhor tratamento. Para o câncer de pequenas células, é mais comum o uso do sistema de duas fases: estágio limitado (a apenas um pulmão e seus gânglios linfáticos) e estágio extenso (disseminado para o outro pulmão, gânglios linfáticos e outros órgãos, inclusive a medula óssea).

Tratamento

Concluído o estadiamento, uma equipe multidisciplinar composta por oncologistas, radioterapeutas e cirurgião torácico podem decidir qual tratamento é mais adequado para cada situação, com base em fatores como o tipo de câncer de pulmão, o tamanho, a localização e a extensão dos tumores, bem como o estado geral de saúde do paciente. As terapias a seguir podem ser prescritas isoladamente ou em combinação:

Cirurgia Consiste na remoção das partes do pulmão afetadas e dos gânglios linfáticos envolvidos. Pode ser curativa nas situações em que o câncer de pulmão foi descoberto em fase inicial.

Radioterapia Aplicação de radiações ionizantes no local para destruir o tumor ou inibir seu crescimento. Pode ser usada antes da cirurgia, para reduzir o tumor, ou depois, para destruir células restantes, tratar metástases ou, ainda, como tratamento paliativo. Há várias modalidades diferentes de radioterapia. O tratamento é indolor e os efeitos colaterais mais frequentes são irritação na pele e fadiga.

Quimioterapia Uso de medicamentos que são sabidamente eficientes em combater as células cancerosas. Podem ser usados juntos ou em combinação, e têm ação sistêmica, ou seja, células saudáveis também são afetadas. É feita em ciclos, em geral depois da cirurgia, mas também pode ser indicada antes para reduzir o tamanho do tumor. Alguns exemplos de drogas para esse tipo de câncer são: cisplatina, carboplatina, paclitaxel, nab-paclitaxel, docetaxel, gemcitabina, vinorelbina, irinotecano, etoposido e vinblastinaepemetrexede. Os efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos, perda de cabelo e infecções, entre outros.

Terapia-alvo Uso de medicamentos ou outras substâncias que impedem o crescimento e disseminação do tumor, causando pouco dano às células saudáveis. Há terapias para diversos tipos de câncer de pulmão com perfis moleculares específicos. É o caso do bevacizumabe e do ramucirumabe, que têm como foco o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF); oerlotinibe, gefitinibe, afarinibe e osimertinibe e necitumumabe, com alvo o gene do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR); e ocrizotinibe, ceritinibe e alectinibe, para pacientes que têm como alvo o gene ALK. Os efeitos colaterais variam para cada terapia.

Imunoterapia As células do câncer dispõem de mecanismos que confundem e freiam o sistema imunológico. Estudos do imunologista americano James P Allison e do japonês Tasuku Honjo (Nobel de Medicina 2018) proporcionaram, nos últimos anos, o desenvolvimento de medicamentos que permitem que o sistema imune reconheça as células do câncer para combatê-las de forma mais eficaz. Segundo os médicos, as substâncias apresentaram resultados eficazes e duradouros com perfil baixo de toxicidade. Os inibidores de DP-1 e o inibidor de PD-L1 são exemplos de imunoterapia usados no câncer de pulmão de não pequenas células. O alto custo das drogas, porém, é um fator que limita o acesso.

Como prevenir o câncer de pulmão?

Uma vez que o consumo de derivados do tabaco está na origem de 90% dos casos de câncer de pulmão, não fumar é o primeiro cuidado para evitar a doença. Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão e também possuem menor sobrevida, uma vez diagnosticados. Fazer cumprir as leis que proíbem o fumo em locais fechados também ajuda a evitar o tabagismo passivo, outro fator de risco.

Ter um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e rica em vegetais, prática de atividade física regular e moderação para beber são formas de inibir diversos tipos de câncer, inclusive o de pulmão. Evitar o excesso e a falta de vitamina A são outras medidas que têm sido destacadas na prevenção desse tipo de neoplasia. Também deve-se evitar, na medida do possível, viver em locais com muita poluição.

Por último, o Inca recomenda que as pessoas evitem a exposição a certos agentes químicos (como arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila, gás de mostarda e éter de clorometil), encontrados principalmente no ambiente ocupacional.

Detecção precoce

Não existe uma política pública para rastreamento do câncer de pulmão. Mas estudos recentes sugerem que fumantes e ex-fumantes com mais de 55 anos podem se beneficiar não apenas de raios-X regulares, como também de tomografias de tórax.

Como se ajudar?

Ter uma dieta equilibrada e um estilo de vida saudável faz diferença na resposta ao tratamento. Nutricionistas podem ajudar bastante, inclusive com dicas para aliviar os efeitos colaterais das terapias. A prática de atividade física é importante, mas deve ser devidamente orientada.

Parar de fumar é sempre indicado, pois aumenta a expectativa de vida mesmo de quem já tem metástase. Pacientes com doenças respiratórias também devem seguir tratamentos específicos.

O suporte psicológico é muito importante para quem recebe o diagnóstico e durante todo o tratamento, que é muito estressante. Peça ajuda dos familiares e amigos, e converse com outras pessoas que têm ou já enfrentaram o câncer. Técnicas de relaxamento, meditação, ioga e práticas espirituais também podem contribuir para a qualidade de vida do paciente.

Como ajudar quem tem?

A melhor maneira de ajudar quem sofre de câncer de pulmão é garantir que o paciente tenha pleno acesso a informação, tanto sobre o tratamento usual quanto na busca por recursos experimentais por cura ou paliação. O apoio da família é fundamental para enfrentar o diagnóstico e o tratamento. É importante estar por perto e oferecer ajuda prática, como ir ao supermercado, cozinhar e cuidar da casa enquanto o paciente se recupera. Muitos médicos recomendam, inclusive, que algum parente participe das consultas médicas.

 

Fontes: Alexandre Palladino, médico e oncologista clínico do Instituto Nacional de Câncer; Artur Malzyner, médico oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein; Mauricio A. Muradian, médico oncologista da Clinonco; A. C. Camargo Cancer Center; American Cancer Society; Instituto Nacional de Câncer (Inca); Instituto Oncoguia; e Organização Mundial da Saúde.

 

Acesse o link do Portal Viva Bem – UOL: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/10/16/cancer-de-pulmao-tosse-com-sangue-dor-no-torax-e-falta-de-ar-sao-sinais.htm

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Prêmio Nobel de Medicina 2018: entenda o tratamento que ajuda a eliminar câncer

O mundo foi despertado em 1 de outubro com a informação de que dois pesquisadores, que trabalharam independentemente em duas frentes de uma mesma batalha, foram premiados com o Nobel de Medicina de 2018.

Desde a década de 1990, Allison, da Universidade do Texa, e Honjo, da Universidade de Kyoto, estudaram como o sistema imune atua contra tumores malignos. Melhor dizendo, se interessaram no porquê as células imunológicas, chamadas linfócitos, deixam de atuar e terminam por permitir que um câncer evolua.

Seus conhecimentos permitiram entender que, muitas vezes, os tumores expressam substâncias que inibem a atividade que o sistema imunológico poderia exercer contra a eles. Estas substâncias se ligam aos receptores, chamados CTLA-4 e PD-1, das células de defesa do organismo, produzindo inibição de suas atividades contra o câncer.

A nova imunoterapia, cujos estudos clínicos ganharam vigor nestes últimos anos, tem o objetivo de bloquear com anticorpos as substâncias que produzem inibição das células de defesa.

Exemplos destas novas modalidades terapêuticas:

Anti CTLA-4 – Ipilimumabe: age no tratamento do melanoma.

Anti PD-1/PD-L1 – Pembrolizumabe, Nivolumabe e Atezolizumabe: agem no tratamento de câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço, melanoma e câncer renal.

Estas drogas, particularmente as anti PD-1/PD-L1, apresentam baixos efeitos colaterais e ganho terapêutico surpreendentemente eficiente, o que para doença avançada se constitui em fato inédito e auspicioso.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/premio-nobel-de-medicina-2018/

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Mês Rosa: como o câncer de mama se desenvolve?

Outubro é conhecido mundialmente como o “Mês Rosa” devido ao movimento internacional voltado para a conscientização sobre o câncer de mama, o tumor mais frequente e fatal em mulheres.

Ainda que tipicamente voltado para o público feminino, o câncer de mama pode acometer também homens na razão de um caso masculino para cada 100 mulheres com a doença.

Como surgiu o mês rosa?

Outubro Rosa surgiu na década 1990 nos Estados Unidos e rapidamente se espalhou em muitos outros países. Seu conceito é compartilhar informações sobre o câncer de mama de tal maneira a conseguir aumentar a demanda por exames que permitam diagnostico precoce como a mamografia, por exemplo, assim como novos conceitos sobre prevenção primária e avanços terapêuticos. Todos estes elementos buscam, em última análise, tornar possível a redução da mortalidade por esta temível doença.

Em capítulos anteriores, citamos a importância da dieta saudável, da abstinência ao álcool e a prática de exercícios físicos na prevenção de câncer em geral, isto se aplica de maneira superlativa na profilaxia do câncer de mama.

Incidência

Este câncer ataca mais frequentemente mulheres de 50 a 70 anos de idade. Ainda que muito mais raramente, o tumor de mama pode atingir jovens entre 20 e 30 anos, bem como aquelas mais idosas acima dos 80 anos.

Rastreamento

Os centros avançados que realizam triagem populacional para o diagnóstico precoce do câncer de mama recomendam mamografia anual ou a cada dois anos para a imensa maioria das mulheres entre 50 e 70 anos.

Já para um grupo menor com histórico familiar da doença ou de câncer de ovário, a recomendação mais frequente é a de iniciar os exames mais cedo, em geral entre 40 e 45 anos, e faze-los anualmente até os 75 anos.

Apesar de todas as recomendações coletivas citadas, muitas razões individuais podem aconselhar exames acima ou abaixo dos limites de idade mencionados e também a possibilidade de frequências distintas maiores ou menos do que está padronizado.

Como o câncer de mama se desenvolve?

O câncer de mama começa no tecido epitelial que reveste os ductos da glândula mamária e pode penetrar os vasos linfáticos que terminam nos gânglios da axila ou os vasos sanguíneos, podendo a vir a disseminar a outros órgãos.

Enquanto só na glândula mamária o tratamento cirúrgico seguido de radioterapia e muitas vezes por medicamentos é a situação clinica que mais enseja a cura definitiva. Uma vez comprometido os gânglios da axila, a quimioterapia pode desempenhar papel relevante quando somada aos tratamentos citados.

Prognóstico

Os tumores de mama que se espalharam para outros órgãos têm prognóstico mais reservado, porém novos tratamentos desenvolvidos para os diversos tipos biológicos e moleculares (anticorpos e outros inibidores anti-HER2, inibidores de aromatase, inibidores do mTOR, inibidores das ciclinas CDK4 e CDK6) de câncer de mama permitiram melhorar drasticamente a probabilidade de sucesso no tratamento.

Pelos conhecimentos adquiridos na prevenção primária, no diagnóstico precoce e no desenvolvimento de terapêuticas mais eficientes, tem sido para o oncologista uma tarefa a cada ano mais densa transmitir informações ao público, porém com uma alegria crescente de quem sabe que hoje é possível antecipar a meta de cura definitiva deste mal como uma realidade provável.

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/mes-rosa/

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Câncer de mama metastático: entenda como o câncer se torna doença crônica

Em 2007, aos 28 anos, Adriane Botelho foi diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial. Passou por um tratamento com quimioterapia, sem necessidade de mastectomia (a retirada completa da mama). A recuperação foi um sucesso.

Tudo ia bem, até que, quatro anos depois, um exame acusou câncer de fígado em estágio inicial. “Eu não conseguia acreditar. Pensava: ‘Fui sorteada na pior loteria do mundo duas vezes?’ O que meu corpo tem para ‘atrair’ câncer?”, lembra.

Não se tratava de um novo câncer “atraído” por ela, mas de sua primeira ocorrência de câncer de mama metastático. Nestes casos, as células do câncer de mama migram pelo corpo e se alojam em outros órgãos, fazendo a doença se manifestar de uma nova forma.

Depois de curar o câncer de fígado, Adriane teve câncer de mama novamente. Já se tratou e atualmente está sem nenhum câncer. “Mas sei que em algum momento aparecerá outro, e a gente vai tratar e seguir a vida”, diz. Na vida da secretária bilíngue, o câncer é uma doença crônica, tal como o diabetes e as doenças autoimunes são nas vidas de tanta gente.

Prolongar a sobrevida mantendo a qualidade de vida

De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de mama é o segundo mais prevalente entre as mulheres do Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele. A oncologista Emanuella Poyer, do Centro de Oncologia do Paraná, conta que cerca de 15% dos casos acabam se revelando cânceres de mama metastáticos.

“A doença se torna crônica porque são células tumorais circulantes que exigirão tratamento para o resto da vida”, explica. “Não tem como falar para a paciente que ela vai ficar livre do câncer. O que a gente consegue fazer quando ele se manifesta novamente é diminuir os sintomas da doença e do tratamento, mas não eliminar as células tumorais. O objetivo é prolongar a sobrevida mantendo a qualidade de vida. Há muitas mulheres que vivem assim há 10, 15 anos.”

O oncologista Artur Malzyner, consultor científico da Clinonco (Clínica de Oncologia Médica) e médico do Hospital Israelita Albert Einstein, relata que as linhas de tratamento são sempre escolhidas para superar o tratamento anterior tanto em eficácia quanto em conforto. “Mas algumas mulheres conseguem ficar muitos anos com o mesmo tratamento, com um bom grau de sucesso e controle da doença em médio e longo prazo”, conta.

Ou seja, independentemente de onde as células do câncer de mama se alojem, o tratamento ao qual a paciente já se adaptou continua funcionando, sem a necessidade de um ataque mais agressivo à doença. Isso, em termos de qualidade de vida, não tem preço.

Células tumorais diferentes, tratamentos diferentes

Uma dúvida bem comum, segundo Emanuella, vai na seguinte linha: “Mas qual é a diferença entre um câncer de pulmão e um câncer de mama metastático no pulmão?”. A resposta é: as células cancerígenas.

“As células do câncer de pulmão são diferentes das células do câncer de mama e das células do câncer de fígado e assim por diante. Quando o patologista faz a biópsia, identifica qual é essa célula”, esclarece. “Se a célula que originou o câncer de fígado, por exemplo, é originalmente uma célula de câncer de mama, o tratamento precisa ser diferente daquele para um câncer de fígado originado por célula do próprio órgão. As células se comportam e reagem de formas diferentes.”

Efeitos colaterais dos tratamentos de câncer de mama metastático

Queda de cabelos e pelos do corpo, enjoos, náuseas e secura vaginal são alguns dos efeitos adversos clássicos aos tratamentos quimioterápicos e radioterápicos contra o câncer. No caso do câncer de mama metastático, eles podem se repetir a cada ciclo novo de tratamento ou podem diminuir gradativamente nas reincidências – este é o objetivo das evoluções em relação a esta variação da doença.

Artur observa que as reações e mesmo a sobrevida da paciente dependem muito da etapa em que a metástase é descoberta e do órgão que é acometido. “Um caso de metástase no pulmão é muito diferente de um nos ossos; em órgãos vitais a evolução tende a ser mais tormentosa, porque a doença é mais grave. Mas, se for possível controlar como uma doença crônica, esta é sempre uma ótima notícia.”

Para finalizar, Emanuelle destaca a importância do autoexame mensal e da realização anual da mamografia de controle, que têm tudo a ver com esse quadro metastático de que estamos falando: “Se o câncer de mama é descoberto em um estágio bem inicial, se o tumor é menor e está na mama há pouco tempo, existe uma chance maior de cura e um risco menor de haver metástase. Mas, se mesmo assim a metástase acontecer, deve ficar muito claro que o diagnóstico não significa que a mulher vai morrer em breve. As terapias atuais dão uma sobrevida mais longa e garantem a qualidade de vida. Isso é o mais importante.”

Fonte: Artur Malzyner, consultor científico da Clinonco (Clínica de Oncologia Médica)

 

Acesse o link do Portal MdeMulher: https://mdemulher.abril.com.br/saude/cancer-de-mama-metastatico-entenda-como-o-cancer-se-torna-doenca-cronica/

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Ana Furtado toma tamoxifeno para evitar volta do câncer; remédio funciona?

Após anunciar a remissão de um câncer de mama, a apresentadora Ana Furtado postou hoje (27) em seu Instagram que está tomando pílulas de tamoxifeno, medicamento considerado um modulador seletivo do receptor de estrogênio, para evitar a volta da doença.

“Começo hoje mais um passo importante para a minha cura definitiva. A partir de hoje e por 5 anos tomarei tamoxifeno, que bloqueia o estrogênio nas células mamárias, e que por isso pode ser útil na redução do risco de câncer de mama. É usado principalmente para tratar câncer de mama positivo para receptor hormonal (câncer de mama com receptores de estrogênio e/ou progesterona). O que me “‘visitou’ era assim.”

Para alguns casos, o remédio é, sim, capaz de ajudar as pacientes em estado de remissão a terem chances ainda menores da volta da doença. Aproximadamente 60% dos tumores de câncer de mama apresentam receptores de hormônio, o que significa que na presença de estrogênio, os receptores são estimulados e fazem com que as células malignas cresçam e se multipliquem.

O tamoxifeno funciona justamente como um bloqueador desses receptores de estrogênio nas células. De acordo com os especialistas, o medicamento é um case de sucesso. Ele é indicado como tratamento adjuvante, na pós-cirurgia e após quimioterapia e radioterapia para os quadros que necessitaram. Após meio século de uso em pacientes, ele apresenta altos índices de eficácia.

Em comparação com outros que exercem a mesma função, ele ainda traz um benefício: bloqueia especialmente o estrogênio no tecido da mama, e não em outras áreas do organismo, evitando que as mulheres tenham, por exemplo, envelhecimento ósseo, possível durante o uso de outros remédios semelhantes.

No mesmo post, a apresentadora afirma que a droga antecipa a menopausa. É verdade que, por diminuir a recepção de hormônios, um dos efeitos colaterais são os sintomas da condição comum para mulheres de mais de 50 anos. Eles incluem ondas de calor, ressecamento vaginal e cutâneo, alterações na libido e possível perda de massa óssea.

No entanto, os sintomas podem ser melhorados com medidas de estilo de vida. A atividade física, por exemplo, ajuda nas ondas de calor, ganho de massa magra, prevenção de perda de massa óssea e do ganho de peso.

 

Fontes: Solange Moraes Sanches, médica oncologista clínica do A.C.Camargo Cancer Center e Artur Malzyner, médico oncologista da Hospital Israelita Albert Einstein, graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

 

Acesse o link do Portal Viva Bem – UOL: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/27/ana-furtado-toma-tamoxifeno-para-evitar-volta-do-cancer-remedio-funciona.htm

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