CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica

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Dicas de Saúde

Aditivos Alimentares: Saiba por que essas substâncias fazem mal ao corpo

Autor: Redação Alto Astral

Você sabe qual é a grande diferença dos alimentos industrializados comparados aos naturais?

Os primeiros têm em sua composição ou preparo um grande número de substâncias químicas, que ajudam em sua conservação. “Os aditivos alimentares são substâncias adicionadas pela indústria aos alimentos com o objetivo de conservar, intensificar ou modificar suas propriedades”, diz a nutricionista Fernanda de Campos Prudente Silva. O problema é que esses itens não agregam valor nutricional e ainda podem causar danos à saúde. Confira!

Mundo químico

Essas substâncias não são poucas e estão realmente em quase tudo o que consumimos. “Dentre elas podemos citar, além dos aditivos alimentares, agrotóxicos, metais tóxicos, substâncias migrantes de embalagens plásticas, detergentes, poluentes, fumaça de carvão, etc. Tais substâncias são absorvidas pelo organismo, assim como princípios ativos químicos de medicamentos e nutrientes de alimentos”, afirma a nutricionista.

“Eles fazem mal porque são capazes e alterar a atividade hormonal ao se ligarem a receptores hormonais específicos e imitar suas funções. Com isso, podem estimular ou inibir a produção ou transporte de hormônios. Essas substâncias também potencializam a produção de radicais livres, que por si só atuam desregulando todo o organismo”, explica Fernanda.

Evite os aditivos alimentares

Desse modo, a grande questão é: como fugir ou administrar o teor de aditivos na alimentação? “O ideal é ingerir alimentos frescos, preparados em casa e não industrializados. Dar preferência a frutas, verduras e legumes orgânicos, sempre que possível, pois são isentos de agrotóxicos, e ficar atento às carnes consumidas, já que carnes vermelhas e frangos são ricas em hormônios. Além disso, é muito importante não usar embalagens plásticas e a base de alumínio para armazenar os alimentos, pois os plásticos contêm ftalatos e bisfenol A, substâncias que passam para os alimentos e agridem a saúde”, aconselha Fernanda.

Entenda os principais aditivos

Acidulantes: aumentam a acidez ou conferem sabor ácido. Dentre eles podemos citar o ácido cítrico (muito usado em refrigerantes de sabor laranja e limão), ácido tartárico (usado em geleias e sucos de uva), ácido fosfórico (usado em refrigerantes a base de cola), entre outros.

Corantes: substituem cores perdidas durante a preparação ou para tornar os alimentos mais atrativos visualmente.

Aromatizantes: fornecem sabores ou aromas particulares e podem ser naturais ou artificiais.

Conservantes: impedem ou retardam alterações dos alimentos provocadas por micro-organismos ou enzimas. Os mais usados costumam ter efeitos negativos na saúde, como o sorbato de sódio, nitrito e nitrato de sódio.

Edulcorantes: adoçam os alimentos sem fornecer açúcar e calorias, dentre eles destacam-se o aspartame, stévia, ciclamato monossódico, sacarina e sucralose.

 

Texto: Redação Alto Astral

Consultoria: Dra. Fernanda de Campos Prudente Silva, nutricionista da Clinonco – Clínica de Oncologia Médica

Acesse o link do Portal da Revista Alto Astral: https://www.altoastral.com.br/aditivos-alimentares-industrializados/

Imunoterapia

Autor: Simone Oguchi Falcari – Farmacêutica Responsável

A morte de células tumorais com terapias citotóxicas inespecíficas e radioterapia são a base do tratamento do câncer. As limitações desses tratamentos se devem principalmente às toxicidades sistêmicas graves, recorrência de células tumorais resistentes e por não atingir micrometástases ou doença subclínica.

O corpo precisa de uma barreira para se proteger e essa é a função do sistema imunológico. O sistema imunológico detecta células estranhas e as elimina, tornando um mecanismo de proteção ao surgimento, como também à progressão de doenças, como é o caso do câncer. O câncer pode se originar de uma falha no sistema imunológico, que não destruiu uma célula cancerígena, que normalmente iria ser reconhecida e eliminada pelo organismo. Além disso, os tumores têm numerosos mecanismos de supressão da resposta imunitária antitumoral incluindo a produção de citocinas inibitórias, o recrutamento de células imunitárias imunossupressoras e a regulação positiva de receptores co-inibitórios conhecidos como pontos de controle imunitários. Desta forma essas células escapam da detecção e destruição pelo sistema imunitário.

A imunoterapia é um tratamento que ajuda o organismo a reconhecer essa célula tumoral, reduzindo os mecanismos dessa célula sobreviver, ou seja, modifica a resposta biológica estimulando o sistema imunológico. É uma terapia que não age diretamente no tumor, mas sobre o sistema imunológico do paciente.

Efeitos da Quimioterapia

Autor: Clinonco

Os efeitos colaterais da quimioterapia variam conforme a técnica utilizada. Na chamada quimioterapia branca, usada no câncer de mama, ovário, útero e pulmão, é comum ter reações alérgicas, alterações nas unhas, dores musculares, formigamento nas mãos e nos pé e queda de cabelo. Os fios e os pelos também caem com a quimioterapia vermelha, recomendada nos casos de câncer de mama, estômago, bexiga e de ovário, que ainda pode provocar enjoo, anemia, aftas e inflamações na região da boca.

Câncer durante a gravidez. O que fazer?

Autor: Clinonco

Apesar de não ser comum, o câncer pode aparecer durante a gravidez, especialmente nos seios. Nesses casos, para não prejudicar o bom desenvolvimento do feto, os médicos costumam recomendar a cirurgia. Afinal, a radioterapia é contraindicada durante toda a gestação e a quimioterapia, no primeiro trimestre. Regra geral, os exames de pré-natal podem ser realizados, desde que com o devido cuidado. Daí, a importância de respeitar as consultas com o obstetra e o oncologista.

Sal em excesso e o câncer de estômago

Autor: Clinonco

O excesso de sal favorece o aparecimento de câncer de estômago e do trato urinário. Daí a importância de tirar o saleiro da mesa e evitar o sódio escondido no refrigerante e no conservante de alimentos congelados, enlatados, pré-preparados, embutidos e defumados, inclusive os que têm apelo saudável, como hambúrguer vegetariano congelado, sopa light de pacote, peito de peru e bacalhau.

Benefícios dos Grãos para a saúde

Autor: Fernanda Prudente Peres, nutricionista da CLINONCO

Sabe-se que uma alimentação equilibrada pode combater inúmeras doenças e consequentemente beneficiar o dia a dia das pessoas.

Abaixo listei alguns grãos e suas respectivas propriedades nutricionais e seus benefícios.

Aveia: rica em fibras, ela “se gruda” em parte das gorduras ingeridas e ajudam a reduzir o colesterol e os níveis de glicose no sangue.

Amaranto: grão que contém cálcio, ferro, zinco, magnésio, fósforo e vitamina A e C, age prevenindo osteoporose e melhorando níveis de colesterol prevenindo desta forma doenças cardiovasculares.

Centeio: é uma boa fonte em fibras e sais minerais e apresenta poucas calorias, regula o funcionamento intestinal, melhorando consequentemente a absorção de vitaminas a minerais.

Cevada: é rica em carboidratos, fibras, vitaminas do complexo B, principalmente B12, e nos minerais selênio e magnésio, ambos antioxidantes importantes. O selênio é essencial para o adequado funcionamento da glândula tireoide e o magnésio é um “direcionador” de cálcio para o osso.

Chia: é rica em ômega 3 e fibras, potente anti inflamatório, protegendo o corpo contra doenças crônicas como: diabetes, pressão alta, doenças cardiovasculares, e regulando o sono. Além disso, aumenta a sensação de saciedade diminuindo a fome.

Gergelim: grande fonte de zinco e cálcio. O zinco ajuda na síntese de serotonina, é antioxidante e melhora a imunidade do corpo, o cálcio colabora com a saúde dos ossos e previne osteoporose.

Gérmen de trigo: possui proteínas, ferro e potássio, além de ter boa quantidade de vitamina E, antioxidante e fortalecedora das defesas do corpo.

Linhaça: além de ser fonte de fibras, essa semente ainda conta com um tipo de ômega-3 que age melhorando o aspecto da pele.

Milho: possui dois antioxidantes muito importantes para a proteção da retina e da mácula dos olhos, a luteína e a zeaxantina.

Painço: da mesma família de grãos do arroz e milho, o painço contribui no processo digestivo, ajuda manter os ossos saudáveis e age no controle e absorção da glicose.

Quinoa: a lisina, um de seus compostos, fortalece a imunidade e melhora a memória, e seus fitoestrógenos amenizam sintomas da TPM e menopausa.

Semente de girassol: semente rica em vitaminas do complexo B, que está envolvido na síntese de hemoglobina e glóbulos vermelhos e divisões celulares. E também contém   zinco e potássio em sua composição.

Soja: estudos comprovam seus benefícios para doenças cardiovasculares, prevenção do câncer, menopausa, osteoporose e diabetes, além de conter muitos sais minerais.

Exercícios físicos podem evitar o aparecimento do câncer

Autor: Clinonco

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer (WCRF) concluiu que evitar a obesidade através de exercícios físicos e alimentação saudável pode prevenir 19% dos casos de câncer.

Considerando 12 tipos específicos de cânceres mais comuns na população brasileira, como os de esôfago, pulmão, mama, fígado, próstata, colorretal e outros, o estudo ainda aponta que, ao prevenir a obesidade, é possível reduzir a incidência dos mesmos em até 30%. O mecanismo dessa relação está baseado no fato de que células gordurosas em excesso aumentam a produção de fatores que causam a inflamação e, a partir daí, contribuem para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Segundo dados do INCA, se nada for feito no combate à obesidade, o Brasil pode ter um aumento de 34,6% nos casos de câncer nos próximos anos. Portanto, uma campanha educativa para conscientização da população brasileira para adoção de hábitos saudáveis e a regulamentação da indústria de alimentos são medidas necessárias e urgentes.

A maioria dos estudos epidemiológicos tem focado o câncer de mama. O maior deles é um americano que monitorou 41.836 mulheres na menopausa, durante 18 anos (Iowa Women´s study). As mulheres que praticaram atividade física regular, como corrida, natação ou esportes com raquetes, duas a três vezes por semana, tiveram chances 14% menores de desenvolverem câncer de mama.

Fé e a espiritualidade contribuem para a saúde do paciente oncológico

Autor: Dra. Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista da CLINONCO

Vários estudos mostram que a fé e a espiritualidade estão ligadas à cura de doenças diversas, ao bem-estar e qualidade de vida, inclusive de pacientes em tratamentos oncológicos. Segundo especialistas, pessoas com fé têm a tendência de dar um significado à doença, uma visão de mundo que dá sentido a experiência vivida (como o tratamento quimio e radioterápico); coisa que só o pensamento positivo não oferece.

Embora os mecanismos pelos quais a fé afeta a saúde não estejam esclarecidos, isso aconteceria pelos seguintes fatores:

Comportamental: A espiritualidade é cultivada dentro de religiões, que muitas vezes incentivam alimentação saudável, sexo seguro e comportamentos para prevenção da saúde.

Social: A conexão com outros membros da comunidade promove relações saudáveis, o que ajuda na qualidade de vida.

Fisiológicos: Práticas espirituais como a oração e a meditação levam ao relaxamento, acarretando benefícios à saúde.

Psicológico: A espiritualidade e a fé aumentam o bem estar psicológico, afetando o bem estar físico também, o que está associado com baixos índices de depressão, ansiedade e desesperança.

Síndrome Mão-Pé

Autor: Dr. Ricardo Caponero, oncologista da Clinonco

A síndrome mão-pé é o nome dado à eritrodisestesia palmo plantar, um evento adverso, que, como o nome diz, causa vermelhidão e alteração da sensibilidade na palma das mãos e sola dos pés.

Embora seja uma ocorrência possível como reação a vários medicamentos, ela é mais frequentemente associada ao uso da capecitabina.

Entendemos que a explicação para o evento seja complexa, determinada por vários fatores, entre eles uma diferenciação na circulação sanguínea das mãos e dos pés, diferenças de temperatura, mais atrito e maior sensibilidade. A diferença no padrão circulatório levaria a uma concentração tecidual maior do medicamento, que leva a apoptose (morte) dos queratinócitos da camada basal da pele e, com isso, à instalação de um processo inflamatório, paralelo à lesão de pequenos nervos, responsável pelo componente da neuropatia, que compõe o quadro clínico.

A síndrome mão pé instala-se após algumas semanas de uso do medicamento, é progressiva e dependente da dose e da sensibilidade individual. Em geral ela começa com uma alteração da sensibilidade das mãos e dos pés, que se associa a uma vermelhidão (eritema) e hiperpigmentação dos sulcos da palma das mãos. O quadro evolui para a secura da pele, podendo ocorrer o aparecimento de rachaduras na pele (fissuras) e a formação de bolhas grandes, que podem se romper, dando origem a lesões ulceradas.

Na gradação desse evento adverso não há o grau 5, posto que essas lesões não são letais. O grau 1 é o da alteração da sensibilidade e vermelhidão, sem nenhuma interferência na vida diária do paciente. O grau 2 é caracterizado por uma alteração mais profunda da sensibilidade e algumas fissuras na palma das mãos, que causam algum incômodo. O grau 3 associa-se a algumas bolhas e uma incapacidade para a realização de grande parte das atividades cotidianas. E por fim, o grau 4, é o das lesões ulceradas, com incapacidade total para qualquer atividade.

O tratamento pode ser preventivo, com a redução do atrito, utilização de sapatos confortáveis e tomando-se o cuidado de não expor mãos e pés a temperaturas extremas.

Como prevenção medicamentosa orienta-se a adequada hidratação da pele e a profilaxia de lesões oportunistas associadas, com hidrocortisona tópica, associada à neomicina ou outro antibiótico. Alguns produtos estão disponíveis comercialmente para a manutenção da pele hidratada e limpa. Nos casos mais graves pode ser necessária a utilização de antibióticos por via sistêmica.

Nas lesões mais graves pode ser necessária a interrupção ou a redução das doses do medicamento, que frequentemente pode ser reiniciado após a resolução do quadro. Na repetição do efeito, reinicia-se o tratamento, após resolvidos os eventos adversos, com doses reduzidas em relação às inicialmente prescritas.

É importante que os pacientes relatem esses efeitos imediatamente aos seus médicos. O ajuste precoce das doses pode minimizar a intensidade das lesões, mas redução ou interrupções intempestivas da medicação, podem ocasionar perda de eficácia do tratamento.

Como falar sobre Câncer com os filhos?

Autor: Dr. Ricardo Caponero, oncologista da Clinonco

A resposta imediata é a mesma de quando nossos filhos perguntam sobre como eles nasceram. Depende da idade.

Embora a morte seja um evento universal e inevitável para todos os seres vivos, poucos estão preparados para ela, mesmo que presente apenas na imaginação, por um risco, ou por sua presença anunciada e concreta.

Falar sobre câncer é difícil por esse diagnóstico se relacionar com dor, sofrimento, mutilação e risco de morte. Ninguém tem dificuldade para contar que está com pneumonia, ou que ficou hipertenso ou diabético. Por isso, antes de contar sobre o diagnóstico, é importante entender quais são as dificuldades nessa comunicação específica.

Todos somos egoístas o suficiente para querer que as pessoas que amamos fiquem na nossa vida “para sempre”. Por mais ilógico que pareça, no fundo, não desejamos que nosso querido bisavô de 102 anos morra antes de nós. Temos dificuldade em lidar com nossas perdas. Por isso, é um engano achar que filhos “adultos” vão aceitar melhor a notícia.

A única vantagem de filhos adultos é que o vocabulário, a linguagem, é mais afim. De forma que uma conversa clara, bastante franca, é a melhor maneira de comunicar o diagnóstico e, mais importante, seus sentimentos em relação à doença. As reações individuais ocorrerão de acordo com a maturidade emocional de cada um.

Dizer que adolescentes são um problema é um pleonasmo. É uma fase da vida em que não se é adulto e nem criança, onde os limites são testados (na prática), e que o desejo de “liberdade” muitas vezes ultrapassa o senso de responsabilidade. As reações costumam ser mais explosivas. Conseguir um tempo reservado para conversa já pode ser a primeira dificuldade em grande parte das vezes.

Para filhos adolescentes é adequado que os dados sejam mais simples e objetivos e que os conteúdos emocionais sejam trabalhados aos poucos, evitando desandar para episódios de chantagem emocional.

Costumamos dizer que as crianças ouvem através das paredes, e isso é verdade. Existe uma percepção não verbal extremamente aguçada, de forma que mesmo não sabendo definir exatamente o que está acontecendo, a criança sente mudanças mínimas no comportamento e no ambiente.

Certa vez uma paciente que estava em quimioterapia e tinha perdido seus cabelos omitiu qualquer informação para sua filha de 8 anos, tentando ser o mais “natural” possível, com a intenção de poupar a criança de sofrimentos. Um belo dia ela volta para casa depois do trabalho e sua filha tinha picotado seu cabelo. Ao ver a filha, ao invés de entender o sentido daquela comunicação não verbal, a paciente passou a dar uma enorme bronca pelo fato de a filha ter estragado seu cabelo, por ter ficado “brincando” com a tesoura, esse objeto “tão perigoso”. A sensibilidade fez muita falta nesse caso.

A vantagem de crianças pequenas é que elas têm muito menos censura e preconceito, ou seja, existem menos ideias pré-concebidas e a conversa geralmente é muito mais fluida. Mas nisso também é preciso certo cuidado.

Outra paciente contou para o filho de 10 anos que estava com uma doença, que teria que fazer tratamento com quimioterapia e que por isso os cabelos iriam cair por um tempo. O menino comentou com um colega de escola que disse que a vizinha dele também tinha feito isso e que tinha morrido. O filho da paciente voltou par casa e perguntou: “Mãe, quem vai cuidar de mim quando você morrer?”

Existiam mil respostas possíveis, mas a paciente, pega desprevenida, não conseguiu conter o choro, nem responder. Ou seja, antes de conversar, prepare-se.

A recomendação geral é que as informações transmitidas sejam exatas e apenas as necessárias. Evite especulações a princípio. Responda às demandas e dê suporte, tanto quanto você espera receber.

Esse é um processo imensamente importante, não apenas para superar as dificuldades do momento, mas até como medida preventiva para o futuro. Um filho que superou as dificuldades no presente, vai passar com mais facilidade e menos trauma caso a situação se repita no futuro.

Câncer de mama e suas consequências emocionais

Autor: Maria da Glória Gonçalves Gimenes – Psicóloga e Coordenadora do Serviço de Psico-oncologia da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco).

Um diagnóstico de câncer de mama pode trazer uma reação de choque, medo e dúvida. É importante num primeiro momento aceitar as reações emocionais iniciais, compreender que elas são naturais a qualquer mulher que está vivenciando um diagnóstico de doença grave apresenta tal impacto psicológico.

O apoio da familiar facilita que a mulher encare com esperança e coragem o diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Para que isso aconteça é preciso que esta funcione como uma força positiva, estando atenta ao tipo de comunicação e de apoio necessário.

É importante que a família seja orientada a buscar esse apoio tanto do ponto de vista emocional, quanto concreto e informativo. Esse apoio pode ser obtido com outros familiares que passaram por experiências semelhantes, com amigos específicos, com a própria equipe de saúde que cuida da mulher, bem como com alguma comunidade religiosa, cujos valores tenham significado para a família.

Alimentação e doenças crônicas

Autor: Fernanda Prudente Peres, nutricionista da Clinonco – CRN. 32844

A alimentação de portadores de doenças crônicas deve ser rica em vitaminas e minerais, mas principalmente variada, ou seja, sem monotonia alimentar.

Cada alimento fornece um tipo de nutriente principal. Quanto mais variada a alimentação entre os tipos de frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, ovo e frango, cereais, leguminosas, mais nutrientes o organismo recebe, e dessa forma, mais ferramentas ele tem para lutar contra as consequências dessas doenças.

Atualmente o que a ciência foca além da alimentação variada e rica em nutrientes é:

  1. No câncer alimentos ricos em antioxidantes (gengibre, açafrão, frutas vermelhas e roxas, chá verde, hortaliças crucíferas, etc).
  2. Em cardiopatias as boas gorduras e antioxidantes (peixes, chá verde, cacau, azeite extra virgem, vinho tinto, aveia em flocos, frutas vermelhas e roxas, alho).
  3. No diabetes  os carboidratos de baixo índice glicêmico, além dos antioxidantes (cereais integrais, batata doce, azeite de oliva extra virgem, aveia em flocos e fibras de adição, abacate, sardinha).

Suplementação é Saudável?

Autor: Fernanda Prudente Peres, nutricionista da Clinonco

Atualmente muitas pessoas consumem suplemento de vitaminas e minerais apenas por ter sido convencido pela propaganda ou por um conhecido que usa. Porém, a suplementação de vitaminas e minerais deve ser feita por um profissional capacitado pois muitas pessoas usam poli vitamínicos e minerais pensando que estão fazendo o bem para o próprio organismo enquanto na realidade não estão.

Para se prescrever uma fórmula dessas são necessárias investigações de atividades diárias, comportamento, sinais e sintomas, e uma anmnese nutricional detalhada. Dessa forma o nutricionista consegue estabelecer quais nutrientes estão faltando na alimentação, e assim incluí-los na dieta e/ou suplementá-los.

Os suplementos prontos de vitaminas e minerais apresentam o limite máximo de todos os nutrientes e muitas pessoas acreditam que isso seja ótimo, mas não é. Primeiro porque os nutrientes que são adquiridos na alimentação são melhores absorvidos pelo nosso organismo do que os industrializados e além disso, o excesso de nutrientes (juntando o consumo alimentar com o suplemento) faz mal e é pró oxidante, ou seja, ao invés de proteger e recuperar as células esse excesso de vitaminas agride o organismo, produzindo mais radicais livres e levando ao envelhecimento precoce.

Por isso procure o nutricionista antes de consumir qualquer suplemento ou complemento alimentar!

Quimiterapia Branca

A quimioterapia “branca” tem sua denominação baseada em contraposição à cor do liquido daquela conhecida como “quimioterapia vermelha“. A quimioterapia “branca” pode ter como composição a medicação Paclitaxel ou menos frequentemente o Docetaxel. Costuma ser aplicada três meses após o inicio da “vermelha” no tratamento adjuvante do câncer de mama.

No caso do Paclitaxel, é realizada geralmente de maneira semanal, mas também pode ser administrada a cada três semanas se o oncologista entender de prescrever doses equivalentemente mais fortes. Já o Docetaxel em geral é administrado a cada três semanas. Esses medicamentos são administrados por via venosa e a dosagem depende do peso e altura de cada paciente.

A diferença entre a quimioterapia branca e vermelha é o tipo de quimioterápico de cada uma. Enquanto a quimioterapia vermelha tem como seu principal componente a Doxorrubicina (Adriamicina) ou mais raramente a Epirrubicina, a quimioterapia branca tem como seu principal componente o Paclitaxel ou mais raramente o Docetaxel. Desta forma, seus mecanismos de ação, seus efeitos colaterais e seus usos clínicos podem ser diferentes.

quimioterapia branca não é indicada para todos os tipos de câncer. Ela é usada somente para os casos de câncer de mama, ovário, útero, pulmão de células não pequenas e sarcoma de Kaposi. Além fisso, a quimioterapia branca é contra indicada para pacientes alérgicos aos compostos do quimioterápico, gestantes e pessoas que apresentam alterações de funções do sangue, fígado, rins ou no sistema nervoso.

Os principais efeitos colaterais são: queda dos glóbulos brancos e, portanto, redução das defesas contra infecções. Outros efeitos são neuropatia, dores articulares, queda de cabelo, diarreia, náusea e vômito. A maioria desses efeitos é temporária e em geral não requer intervenção medica.

A quimioterapia branca também pode ser utilizada em combinação com outros esquemas de tratamento nos casos de câncer de mama, tumores de cabeça e pescoço, ovário, pulmão e útero. A combinação de quimioterápicos é recomendada na maioria dos casos, aumentando significativamente a efetividade do tratamento.

Acesse o link do Portal Minha Vida: http://www.minhavida.com.br/saude/materias/18302-quimioterapia-branca-tem-efeitos-colaterais-mais-leves

Mastectomia Total – Prevenção e seus possíveis cuidados

Mastectomia é o nome que damos à cirurgia para retirada das mamas. Quando nos referimos à mastectomia total, em geral, estamos nos referindo a cirurgias do tipo Halstedianas, com grande retirada de tecido. Mais recentemente os procedimentos tornaram-se menos radicais, e cirurgias preservadoras da pele (“skin-sparing”) e do mamilo (“niple-sparing”) tornaram-se as técnicas de escolha.

Utilizadas como forma de prevenção, as modalidades cirúrgicas se restringem a pacientes de alto risco para câncer de mama, mas é uma medida extrema que beneficia um número muito restrito de pacientes.

O grupo de alto risco é definido pelas pacientes com presença de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 ou com história familiar muito rica, podendo haver a presença de outras síndromes genéticas como Li-Fraumeni; Cowden; etc.

Além das síndromes genéticas, também podem ser consideradas pacientes de alto risco:

1. História familiar: mulheres com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama antes dos 50 anos, bilateral ou múltiplos parentes com câncer de mama ou ovário.

2. História pessoal de câncer: mulher que teve um câncer de mama tem maior risco de desenvolver na mama contralateral.

3. Múltiplas biópsias mamárias com diagnóstico de lesões precursoras com atipias e principalmente o carcinoma lobular in situ.

4. Alterações difusas em mamas densas, principalmente microcalcificações, dificultam o seguimento, mas isoladamente não caracterizam indicação cirúrgica.

5. História de irradiação em tórax antes dos 30 anos, principalmente para tratamento de linfoma de Hodgkin.

É fundamental a seleção individualizada da paciente, com avaliação por métodos de imagem incluindo mamografia, ultrassonografia mamária e ressonância magnética.

Deve ser feita uma avaliação por equipe multidisciplinar incluindo mastologista, oncologista, cirurgião plástico, psicólogo e geneticista, para definir se há indicação para a cirurgia, saber se a paciente está preparada para um eventual resultado estético insatisfatório, definir a melhor técnica cirúrgica e a melhor opção de reconstrução.

Deve-se levar em consideração que o medo do câncer, principalmente quando ocorre um caso em pessoa próxima, torna as pacientes mais frágeis a ponto de terem a autonomia diminuída, deixando a decisão nas mãos do médico, o que se correlaciona muitas vezes com insatisfação quanto aos resultados.

Esse é o cuidado mais importante, garantir que a paciente esteja realmente motivada e ciente de suas decisões.

Mitos e verdades sobre o Câncer

Fonte: Portal Papo Feminino

O oncologista Dr. Ricardo Caponero, da Clinonco, esclarece as mais frequentes dúvidas sobre o assunto.

Parentes meus tiveram câncer, então deverei ter também.

“Alguns tipos de tumores têm relação com síndromes genéticas hereditárias. Então, é preciso saber quais são os tumores e qual a relação de parentesco entre as pessoas afetadas. Mas, mesmo em casos onde evidentemente há um caráter hereditário, o máximo que se pode dizer é que há um risco maior, nunca uma certeza.”

Sé tem câncer de mama mulheres com mais de 40 anos.

“Não. A incidência é muito baixa antes dos 20 anos e aumenta muito lentamente dessa idade até os 40 anos. Mas, a partir daí, a incidência cresce de forma importante até os 70 anos.”

Não engravidar favorece o surgimento de tumores no aparelho reprodutor feminino.

“Deixar de ter filhos só aumenta o risco de se ter câncer de mama, mas é uma probabilidade discreta.”

A luz do monitor de computador é suficiente para causar câncer de pele.

“Não há riscos, principalmente agora que a tela da maioria dos monitores é de LCD (Liquid Cristal Display) ou de plasma.”

Bebida à base de aloe vera (babosa) ajudam a curar câncer.

“De forma alguma. É só mais um mito que surge periodicamente na oncologia. Já tivemos a mesma polêmica em torno do confrei, da pfáfia (ginseng brasileiro), da graviola, etc. Inclusive, o uso da babosa com essa finalidade foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Dieta ruim é a grande responsável por casos de câncer, superando até o tabagismo.

“Nada é mais maléfico que o tabagismo, mas uma dieta inadequada, associada a outros maus hábitos, também aumenta muito os riscos de se ter a doença. Vale lembrar que a influência hereditária não passa de 10% dos casos.”

Emoções negativas provocam câncer.

“Cientificamente não há nenhuma comprovação. O que se sabe é que o câncer, assim como outras doenças graves, pode fazer com que o indivíduo fique emocionalmente fragilizado. Mas é importante para o sistema imune que a pessoa busque equilibrar suas emoções.”

Além de causar diabetes e hipertensão, a obesidade também é um fator de risco para o câncer. 

“Sim. A obesidade modifica o ambiente hormonal do corpo e cria uma situação pró-inflamatória que pode favorecer o crescimento desordenado e defeituoso de células.”

Câncer reincidente tem menos chance de cura.

“Depende do tipo de câncer, tempo até a reincidência e extensão da doença na reincidência. Não existe uma regra geral para isso.”

Anemia não tratada vira leucemia (um tipo de câncer no sangue). 

“Na verdade, o caminho é oposto. A anemia pode ser um sintoma de leucemia, apontando que alguma disfunção está prejudicando a absorção de nutriente. Mas jamais é a sua causa.”

Tratamentos com células-tronco são as grandes promessas de cura do câncer.

“Infelizmente não. O grande futuro das células-tronco é a reparação de órgãos e seu uso como tratamento de câncer é improvável.”

Durante o tratamento contra tumores, o paciente deve ter uma alimentação comum.

“O ideal é que se tenha a avaliação e acompanhamento de um nutrólogo ou nutricionista, que fará um direcionamento mais adequado conforme cada caso em particular. As recomendações devem ser as mais apropriadas a cada situação.”

O excesso de ômega 3 causa tumores.

“Não existe comprovação. O uso adequado de ômega 3 e 6, presentes no óleo de peixe, nos pescados gordos e no azeite, tem um papel protetor contra a doença. Mas como em excesso nada é bom, o ideal é consumir a quantidade recomendada dos alimentos fontes, como 2 colheres (sopa) de azeite extravirgem ao dia.”

A radiação vinda do celular é cancerígena.

“Há alguma comprovação a esse respeito. Os dados são controversos, o risco aparentemente é baixo e, até o momento, nenhum país do mundo proibiu ou restringiu o uso de celulares.”

O uso frequente de micro-ondas causa câncer.

“Não. Não existe nenhuma comprovação científica que relacione o uso do aparelho com a doença. Portanto, não é considerado um risco.”

Panelas, quando aquecidas, podem liberar substâncias que causam câncer.

“Não há comprovação alguma, apenas suposições.”

Aquecer ou congelar comida em vasilha plástica pode causar tumores.

“Supostamente, sim. Alguns tipos de plástico podem liberar dioxinas quando aquecidos, e essa é uma substância cancerígena. O ideal é só utilizar utensílios próprios para micro-ondas ou freezer.”

 

Acesse o link do Portal Papo Feminino: http://papofeminino.uol.com.br/mulher/saude-e-bem-estar/mitos-e-verdades-sobre-o-cancer/

Novos medicamentos contra o câncer

Há 25 anos, quando eu iniciava minha atividade na oncologia, aguardávamos dois a três anos por uma nova medicação que pudesse ter aplicação prática e impacto real na vida dos pacientes.

Muito investimento em pesquisas em biologia molecular e novas formas terapêuticas mudaram drasticamente o cenário e hoje temos uma droga nova entrando no mercado a cada dois ou três meses.

O ano de 2013 foi particularmente rico nesse aspecto e só na área oncológica a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos aprovou, para uso diagnóstico e terapêutico:

  • Pomalidomida (Pomalyst®) para o tratamento do mieloma múltiplo que não apresentou resposta às outras formas de tratamento.
  • Ado-trastuzumabe entansina (Kadcyla®) para o tratamento do câncer de mama, metastático, com sobre-expressão da proteína HER2 e que tenham falhado ao tratamento com trastuzumabe
  • Tecnécio 99 (99mTc) tilmanocept (Lymphoseek®) para a pesquisa de linfonodo sentinela em neoplasia de mama e melanoma.
  • Rádio 223 (223Ra) (Xofigo®) para o tratamento de metástases ósseas em pacientes com adenocarcinoma de próstata refratários à castração e que apresentem doença óssea sintomática e sem comprometimento significativo de outros órgãos.
  • Dabrafenibe (Tafinlar®) para o tratamento do melanoma metastático que apresente a mutação V600E do gene BRAF.
  • Trametinibe (Mekinist®) para o tratamento do melanoma metastático que apresente as mutação V600E ou V600K do gene BRAF.
  • Afatinibe (Gilotrif®) para o tratamento de pacientes com carcinoma de pulmão que expressem tipos específicos de mutações do gene EGFR.
  • Obinutuzumabe (Gazyva®) para uso em combinação com o clorambucil no tratamento da leucemia linfocítica crônica que não recebeu tratamento prévio.
  • Ibrutinibe (Imbruvica®) para o tratamento do linfoma de células do manto.

Com mais essas sete aprovações terapêuticas esperamos poder contribuir para um futuro melhor, com perspectivas mais amplas, para os pacientes portadores de neoplasias.

Campanha de vacinação contra o vírus hpv em meninas entre 11 e 13 anos

A partir desse mês, a Secretaria Estadual de Saúde pretende vacinar mais de 800 mil meninas entre 11 e 13 anos contra o HPV (papilomavirus humano), causador de câncer de colo do útero.

A primeira dose estará disponível em mais de cinco mil postos de saúde até o dia 10 de abril. A segunda dose da vacina deve ser aplicada seis meses após a primeira e a terceira é prevista após cinco anos.
O vírus do HPV é contagioso e pode ser transmitido através das relações sexuais ou passado de mãe para filho durante a gestação.

CÂNCER DO COLO UTERINO – Conscientização e Prevenção

O câncer de colo uterino tem a exposição a sorotipos cancerígenos do HPV como seu principal fator de risco. A grande vantagem em relação a isso é que já existem no Brasil duas vacinas contra os principais desses vírus, tornando a doença evitável em grande parte dos casos. A indicação da imunização é para a meninas entre os 9 e 12 anos de idade, antes do início da vida sexual. Seu uso em mulheres com vida sexual ativa mostrou-se muito menos eficiente. Estudos em andamento avaliam seu potencial na vacinação de meninos e na imunização contra outras neoplasias, como o carcinoma de orofaringe, onde alguns casos também estão relacionados ao HPV.

Perdida a chance da prevenção primária pela imunização, ainda temos a oportunidade de realizar o exame de Papanicolaou, ou colpocitologia oncótica. Estima-se que a evolução desde alterações displásicas (benignas) do colo uterino e o surgimento de uma neoplasia invasora (maligna) leve ao redor de 10 anos. Desta forma temos uma ampla janela de tempo para podermos diagnosticar lesões pré malignas e tratá-las antes de sua progressão.

Ainda que o diagnóstico seja feito já com a presença de uma neoplasia do colo uterino, as lesões iniciais, superficiais, são curáveis na quase totalidade maioria dos casos. O mesmo não ocorre nos casos onde a doença progride localmente, acometendo os tecidos ao redor do útero e os gânglios linfáticos da pelves e ao lado da coluna. Casos mais avançados podem apresentar metástases à distância, e o pulmão e o fígado são os órgãos mais frequentemente acometidos. Nesses casos as chances de cura são mínimas.

Os hábitos sexuais saudáveis, com o uso de preservativos de barreira (camisinha) são adequados para evitar o contágio pelo HPV, assim como uma vida sexual mais regrada, com um menor número de parceiros.

Tendo medidas efetivas de prevenção é lamentável olharmos para as estatísticas nacionais e vermos que em alguns estados do nordeste a neoplasia de colo uterino mata mais mulheres do que o câncer de mama.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram também que a neoplasia do colo do útero ocupa o terceiro lugar nas taxas de incidência no País. Está em primeiro lugar na região Norte (24 casos/100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (22 casos/100 mil) e Nordeste (19 casos/100 mil) ocupa a segunda posição geral. Na região Sudeste (10 casos /100 mil) é o quarto, e na região Sul (16 casos /100 mil), o quinto mais incidente.

No Brasil, a estratégia de rastreamento preconizada é que as mulheres dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo (Papanicolaou) a cada três anos, após dois exames com intervalo de um ano, com resultado normal.

Essa recomendação, com base em dados internacionais, é o mínimo necessário, mas pode ser insuficiente num país de incidência tão elevada e com meninas iniciando a vida sexual muito precocemente. Com base nos dados demográficos e características particulares de cada mulher, pode ser adequada a recomendação individual de um rastreamento com inicio mais precoce e maio frequência. Por isso, nada substitui a avaliação de um especialista e uma análise individual de cada caso.

Alimentação

Dr. Ricardo Caponero responde

– Como deve ser a alimentação de um paciente em tratamento oncológico?
Em geral deve-se tentar respeitar as preferências e hábitos dos pacientes, exceto nos quais já existe, de base, uma alimentação desregrada. São poucas as restrições alimentares e elas são importantes em situações e casos específicos, sendo impossível generalizar uma dieta ideal para todos os paciente, indistintamente.

– Qual o menu ideal para um paciente em tratamento oncológico?
O ideal é dieta fracionada, com maior teor de proteínas. O cardápio deve ser atraente e variado, evitando a aversão alimentar que ocorre com frequência.

– É possível aliviar os efeitos colaterais do tratamento com alguns alimentos?
Sim. Podem-se evitar náuseas e vômitos com o uso de gengibre. Pode-se adequar a quantidade de fibras na dieta para lidar com a constipação assim como com a diarreia.

– Qual o papel da nutrição durante o tratamento quimioterápico?
A nutrição tem papel fundamental ao permitir a manutenção do estado funcional do indivíduo, garantindo a composição saudável de seu corpo durante todo o tratamento. O processo de desnutrição agrava os eventos adversos do tratamento e dificulta a sua recuperação.

– Alguns alimentos podem aliviar a náusea?
Comprovadamente o gengibre, ingerido em preparações alimentares ou em cápsulas, é um forte aliado no controle das náuseas e vômitos. Também é importante evitar temperaturas extremas e condimentos fortes.

– Como lidar com a perda de peso decorrente do tratamento?
Fazendo acompanhamento nutricional para que se possa avaliar as necessidades diárias e a quantidade de calorias efetivamente ingerida. Dietas fracionadas, hiperproteicas e hipercalóricas geralmente dão conta do recado, mas algumas vezes é necessário recorrer a suplementos alimentares. Existe uma grande variedade deles no mercado. A determinação dos produtos mais apropriados para cada caso deve ser feita por uma nutricionista.

Bem-estar

Dr. Ricardo Caponero Responde

– Que práticas diárias ajudam a garantir o bem-estar dos pacientes em tratamento?
Manter um horário regular de sono, tentando manter uma rotina de despertar e adormecer. Praticar atividades físicas condizentes com a situação física Conservar atividades sociais prazerosas

– Como lidar com os aspectos difíceis do tratamento? 
Discutindo todos os aspectos da situação com o médico. A informação concreta é sempre melhor que a fantasia. Buscar apoio familiar e social. Em muitos casos, a ajuda psicológica e espiritual pode ser importantíssima.

– O que deve ser evitado? 
Focar em aspectos negativos, não cumprir as determinações do tratamento, recusar ajuda quando ela pode ser de grande importância para a melhora. Nem sempre é possível vencer sozinho, e buscar apoio pode ser fundamental para o sucesso.

– No caso de pessoas idosas, quais as recomendações principais? 
Uma avaliação geriátrica impecável. Os idosos caracterizam-se por maior fragilidade e vulnerabilidade. O apoio de um especialista no controle de doenças que ocorrem concomitantemente é importantíssimo para que o tratamento contra o câncer não agrave outras condições de saúde, muitas vezes tão ou mais graves que o próprio câncer.

– Quais são os principais inimigos do bem-estar para um paciente em tratamento? 
Manter pensamentos e atitudes negativistas. Adotar hábitos não saudáveis. Recusar ajuda profissional e suporte de amigos e familiares.

– Como preservar hábitos saudáveis da rotina? 
Discutir os eventuais pontos a serem melhorados com profissionais especializados, assim como discutir abertamente as dificuldades em adotar essas medidas saudáveis. Isso possibilitará a busca de soluções alternativas e a identificação e tratamento de atitudes autossabotadoras.

Atividades físicas

Dr. Ricardo Caponero Responde

– Qual o papel das atividades físicas logo após o diagnóstico, durante o tratamento e após o tratamento?
As atividades físicas moderadas nunca fazem mal. As restrições ficam por conta da capacidade física de cada um. A única exceção é para pacientes com metástases ósseas onde a sobrecarga muscular pode agravar o risco de fraturas e as dores.

– Que tipo de atividades físicas podem ser praticadas pelo paciente em tratamento? Só o médico pode avaliar isso?
Os pacientes podem e devem manter suas atividades físicas usuais. Para os que não praticavam atividades físicas em sua rotina diária, além das recomendações do oncologista, é necessária uma avaliação cardiológica.

– Que abusos devem ser evitados?
Devem-se evitar mudanças abruptas no perfil das atividades físicas. Atitudes desesperadoras em tentar modificar radicalmente hábitos de vida podem ser desastrosas.Toda mudança exige um tempo e qualquer excesso pode ser prejudicial.

A dor é sintoma frequente nas neoplasias malignas, qual a sua causa?

Da mesma forma que os outros sintomas, a dor é um sintoma ausente ou pouco frequente nas neoplasias iniciais, mas que vai se tornando mais frequente e de maior intensidade a medida que a neoplásia progride, chegando a atingir 80 a 90% dos pacientes com neoplasias avançadas ou metastáticas. Existem multiplas causas para a dor. As mais frequentes são as por nocicepção, dor visceral ou dor neuropática, sendo que muitas vezes a dor é mista. A dor por nocicepção ocorre em decorrência da prórpia destruição tecidual causada pela neoplasia. A dor visceral é secundária à distenção ou compressão de cápsulas ou visceras ocas. E a dor neuropática surge pela compressão ou destruição de ramos neurais.

A fadiga é o sintoma mais prevalente em pacientes com câncer avançado, quais os fatores que causam a fadiga?

A causa mais provável da fadiga é o próprio estado pró-inflamatório. No entanto é importante diferenciar a fadiga como sintoma principal, da fadiga secundária a depressão, anemia, hipotireoidismo, hipogonadismo, etc.

A febre é um dos sinais predominantes, podendo ser variável. Qual a explicação clínica para essa variação?

Não, a febre só é um sintoma das neoplasias nos linfomas. Os linfomas com sintomas “b” apresentam febre, sudorese noturna, prurido ou perda ponderal. Não confundir com linfomas de CÉLULAS B.

A febre de origem maligna é um conceito muito questionado. Na maioria dos casos há uma lesão ulcerada para o exterior ou para o trato gastrintestinal que serve de porta de entrada para bactérias, assim como a presença de sondas e cateteres. Acredita-se, no entanto, que a necrose tumoral e o estado pró-inflamatório possa geral a febre de origem tumoral em alguns casos, mas ela é pouco frequente na prática.

Qual a relação de hipercalcemia e malignidade do câncer?

A hipercalcemia ocorre pela presença de metástases ósseas osteolíticas (principalmente mieloma múltiplo) e pela secreção inapropriada de peptídeos relacionados ao paratormônio. Essas são circunstâncias de malignidade. No entanto, não há relação da hipercalcemia com a malignidade do tumor. Tumores bem diferenciados (benignos) da paratireóide (como os presentes nas neoplasias endócrinas múltiplas) podem causar hipercalcemia independentemente da malignidade. O que se diz habitualmente “hipercalcemia maligna” é a hipercalcemia grave (uma urgência oncológica dada sua letalidade se não tratada rapidamente) geralmente associada a uma neoplasia maligna.

A síndrome de anorexia – caquexia é uma complicação frequente no paciente portador de neoplasia maligna, de que maneira ela se manifesta?

A síndrome da anorexia caquexia aumenta de frequência na medida que as neoplasias avançam em estadiamento. Ela é rara nas neoplasias iniciais, mas vai se tornando mais frequente à medida que as neoplasias progridem. Ela também é mais frequente nos tumores do aparelho digestivo (principalmente pâncreas e estômago) e pulmão, mas é mais rara nas neoplasias de mama e doenças hematológicas.

A síndrome é causada por mudanças metabólicas decorrentes da secreção de inúmeros peptídeos (ex. TNF – Tumor Necrosis Factor) e da instalação de um estado pró-inflamatório. Paralelamente ocorrem uma sarcopenia (perda da massa magra) e perda do apetite (anorexia), que levam a perda ponderal progressiva. Uma vez instalada a caquexia (desnutrição severa) o processo é praticamente irreversível.

Qual a sua importância clínica nas neoplasias malignas?

A importância clínica das síndromes paraneoplásicas está no seu reconhecimento como sendo secundária a presença de uma neoplasia, e assim, chega-se ao diagnóstico da neoplasia principal, causa do problema.

O que é a síndrome paraneoplásica?

Síndrome paraneoplásica é um conjunto de sinais (o que o médico vê) e sintomas (o que o paciente sente) que acontece na presença de uma neoplasia mas sem estar diretamente relacionado a presença da massa tumoral. Alguns tumores secretam peptídeos que possuem atividade biológica e que podem alterar o metabolismo. Um exemplo disso é a secreção de hormônios relacionados ao paratormônio, que levam a hipercalcemia (paraneoplásica).

Quais os principais sinais e sintomas das neoplasias malignas?

Muitas das neoplasias malignas não produzem nenhum sintoma nas suas fases iniciais. Os sintomas surgem quando, com o aumento de volume da lesão, a neoplasia passa a causar disfunção em algum órgão. Por isso não se pode esperar pelos sintomas para fazer o diagnóstico precoce de câncer. E é por isso, também, que se recomenda mamografia, colpocitologia oncótica, colonoscopis, etc. em pessoas sem sintomas.

Já os sintomas de alarme para a presença de uma neoplasia maligna são:

a) Nódulos ou massas palpáveis (em qualquer parte do corpo), principalmente se indolores.

b) Mudança na coloração de pintas (ABCD – Assimetria, Bordas irrebulares, Cores múltiplas, Diâmetro acima de 5mm)

c) Alteração do hábito do funcionamento intestinal

d) Presença de sangramentos anormais (o único sangramento normal é a menstruação)

e) Aftas na boca que não cicatrizam em 3 a 4 dias

f) Dificuldade ou dor para engolir

g) Perda inexplicada de peso

h) Rouquidão persistente

Claro que só a presença de um desses sintomas não significa que haja uma neoplasia maligna, mas SEMPRE indicam uma investigação mais detalhada.

O que significa Quimio mais forte? Seria a administração de medicamentos mais agressivos do ponto de vista dos efeitos colaterais, e para uma resposta mais imediata quanto ao tratamento do tumor?

A questão principal é definir o que é “mais forte”. Para o médico “mais forte” pode ser um tratamento mais efetivo, enquanto para o paciente, “mais forte” pode significar um tratamento mais tóxico.

Então temos dois conceitos, eficácia e toxicidade.

Existem diversos tratamentos disponíveis e todos eles têm uma eficácia e uma toxicidade a ele associadas.

Vamos imaginar então 3 tipos de tratamento:

O tratamento “A” possui eficácia de 60% e toxicidade de 10%; O tratamento “B” possui eficácia de 80% e toxicidade de 40%; e o tratamento “C”, eficácia de 40% e toxicidade de 2%. Qual utilizar?

A escolha depende da circunstância. Num paciente com muitos sintomas causados pela doença, a melhor escolha seria o “B”. Nós aceitaríamos uma toxicidade maior para obter um benefício maior. Num paciente operado, sem doença, e que necessita de uma quimioterapia de “prevenção” (adjuvante), talvez preferíssemos o “A”, que possui melhor “índice terapêutico” (a diferença entre a eficácia e a toxicidade). Num paciente mais debilitado, a melhor escolha poderia ser a “C”.

Então, supostamente, uma “quimioterapia mais forte” é um tratamento associado a uma maior eficácia mas, provavelmente, também a uma maior toxicidade.

Existe câncer no coração? Por que e de que forma? Se não existe, por que?

Teoricamente é possível ter câncer em qualquer célula viva do organismo, ou seja, só não há câncer no cabelo e na unha.

O tumor mais frequente no coração é chamado de pseudomixoma atrial, que como o nome diz, costuma crescer no átrio.

O coração também pode ser sítio de metástases, mas felizmente esse é um fenômeno raro.

Normalmente o pseudomixoma é um tumor de comportamento benigno e que pode ser curado com a ressecção cirúrgica.

Não sabemos, assim como em muitas outras neoplasias, quais são as causas e porque esse tumor se forma.

RECEBI O DIAGNÓSTICO. QUAL A PROVIDÊNCIA A TOMAR?

Câncer não é uma doença, é um nome genérico sob o qual se agrupam doenças de evolução muito distinta. Logo, o primeiro passo é entender que tipo de câncer foi diagnosticado. O ideal é, então, marcar uma consulta com um oncologista que irá esclarecer e interpretar o diagnóstico. Talvez sejam necessários mais alguns exames, quer para elucidar melhor o diagnóstico, quer para determinar de forma mais precisa o prognóstico.

O oncologista dará uma visão geral da situação e traçará um plano de ação a curto prazo.

PREVENÇÃO É A MELHOR OPÇÃO

Não há dúvida alguma que entre as substâncias que podem provocar o surgimento de um câncer o cigarro (tabagismo) é a melhor esclarecida e com associação mais forte.

Claro que os fumantes tem muitas histórias para contar sobre pessoas que fumaram e não tiveram câncer, ou o oposto, que tiveram câncer e não fumavam. Mas a epidemiologia não mente, há uma forte associação entre o tabagismo e a incidência de câncer de laringe, cavidade oral, pulmão, bexiga, mamas, etc.

O melhor conselho para a prevenção do câncer, para os fumantes, é: Pare de fumar.

Há vários programas disponíveis, inclusive no sistema público, para a interrupção efetiva do tabagismo.