CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica

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Abrir demais a boca pode desencaixá-la, sabia? Veja como e o que fazer

Imagine que cena desesperadora: você dá um bocejo com a boca bem estirada e, de repente, a parte inferior dela se solta e você não consegue mais fechá-la. Sim, isso é possível e pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer idade, sendo mais comum no início da fase adulta.

Chamado de “luxação de mandíbula”, esse quadro doloroso e repentino tem a ver com o desencaixar da mandíbula, a parte inferior do crânio que é móvel e fica presa em uma articulação chamada temporomandibular (ATM).

A ATM é uma “dobradiça” que conecta a mandíbula aos ossos temporais do crânio e que estão na frente de cada orelha. Ela permite que você mova a boca para cima e para baixo e de um lado para o outro, para que consiga falar, mastigar e bocejar.

“Existem pacientes com histórico de luxações de repetição, em especial aqueles que já têm uma frouxidão da mandíbula. Mas nada impede de se ter um desencaixe pela primeira vez e o mais comum é após um enorme bocejar”, esclarece Wendell Uguetto, cirurgião plástico da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

É que quando bocejamos, também fazemos um movimento involuntário de amplitude bucal que pode acabar distendendo a musculatura e a articulação para além do que estão preparadas.

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Em situações não tão comuns, mas possíveis, o desprendimento da mandíbula, de um ou ambos os lados, também pode dar o azar de ocorrer durante o ato de vomitar, em meio a um exame de garganta ou até procedimento dentário prolongado.

Há ainda relatos na literatura médica de deslocamentos decorrentes de tentativas fracassadas de morder alimentos maiores que a boca como sanduíches e de gargalhar excessivamente, com muita vontade.

“Vários fatores podem influenciar a luxação, cujos episódios podem ser agudos ou crônicos, a ponto de durar muitos anos”, afirma Marcus Yu Bin Pai, médico especialista em dor e acupuntura e pesquisador do departamento de neurologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

As chances são maiores principalmente em quem tem alguma disfunção na articulação ATM, que geralmente fica mais “mexida” (hipermobilidade). Estão propensos indivíduos que já sofreram algum trauma ou deslocamento nessa região, que apresentam alterações ou doenças inflamatórias articulares ou musculares, que rangem os dentes, roem unhas, estalam e usam a mandíbula excessivamente e geralmente de um lado só, ou cujos pais e avós já tiveram —e até mais de uma vez— a luxação mandibular, pois ela ainda pode ser genética e hereditária.

Podem contribuir ainda para o problema infecções no dente ou na região da face e condições anatômicas, como ter uma estrutura óssea mais alongada ou uma boca que abre mais que a da média da população. Até alguns medicamentos podem aumentar a pressão na ATM, como os antidepressivos tricíclicos.

“Por isso, as disfunções da ATM também têm relação com fatores emocionais, como estresse, ansiedade e tensão”, informa Juliana Brasil, dentista especializada em estomatologia pelo Hospital Heliópolis e da Clínica de Oncologia Médica Clinonco.

Se desencaixar, procure ajuda médica

Se não conseguir fechar a boca, não pense em tentar resolver a luxação sozinho, mesmo com alguém para auxiliar. O caso, embora não seja de vida ou morte, como asseguram os médicos, é uma urgência e precisa ser solucionado em poucas horas e no pronto-socorro.

“O risco maior é que o osso, uma vez fora da articulação, perca a vascularização e comece a necrosar. Há também probabilidade de infecção, que se não tratada pode piorar”, alerta Uguetto.

No aspecto, a boca pode ficar entreaberta (com o queixo para frente e até um pouco torcido de lado) ou fechada e travada. “O bloqueio aberto pode ocorrer quando a mandíbula é deslocada e pode requerer sedação para reposicioná-la. Um bloqueio fechado geralmente é causado por um problema com a mordida, quando os dentes superiores e inferiores se encontram, e pode ser corrigido com o uso de aparelhos, placas de mordida e exercícios específicos para essa região”, comenta Yu Bin Pai

Podem ocorrer também travamentos temporários. Por terem uma duração curta, de alguns minutos, a pessoa então passa a ignorar o problema, já que ele se resolveu sozinho, mas ainda assim os médicos alertam para a importância de se investigar a causa.

É caso de recolocar ou operar

No hospital, o paciente em caso de urgência então é avaliado por um dentista ou cirurgião crânio-maxilo-facial ou buco-maxilo-facial e submetido a uma manobra de recolocação da mandíbula.

“O médico sentado de frente para ele introduz dois dedos no interior de sua boca e com eles no fundo dela tracionam a mandíbula para baixo e depois para cima e para trás com força até que volte à posição original”, explica Juliana Brasil.

Quando não é possível fazer isso com o paciente acordado, pois ele nervoso e com muita dor acaba contraindo a musculatura da mordida, é preciso encaminhá-lo para o centro cirúrgico, onde o encaixe será realizado sob sedação.

“A frequência desses episódios também cria a necessidade de uma provável cirurgia. Se forem vários ao longo do ano e graves, essa é a única forma de tratar o problema e que se concentra em corrigir alterações anatômicas ou de doenças articulares”, informa Gabriel Pastore, coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em algumas situações, com a mandíbula já restabelecida e sem cirurgia, os médicos podem querer ainda imobilizá-la com faixas de gaze em volta da cabeça (bandagem de Barton). O objetivo do procedimento é oferecer conforto, orientação postural e limitar provisoriamente os movimentos da boca para não causar outra luxação enquanto a inflamação não passa.

“Porém, as luxações não são tratadas com o bloqueio da abertura bucal. No início, tratamos com fisioterapia, exercícios para fortalecer a cápsula articular e toda a musculatura que envolve essa articulação e mudança de alimentação, que precisa ser mais macia e líquida para reabilitar a articulação sem correr riscos e evitar cargas excessivas”, completa Pastore.

Acesse o link do Portal Viva Bem (UOL): https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/30/abrir-demais-a-boca-pode-desencaixa-la-sabia-veja-como-e-o-que-fazer.htm

 

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