CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica

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Novembro Azul: Saúde em primeiro lugar

Novembro é o mês mundial de combate ao câncer de próstata, tipo mais comum entre homens com mais de 50 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata representa 29% dos diagnósticos da doença entre a população masculina no país. A maioria dos casos são detectados em estágios iniciais e as chances de cura podem chegar a 98%. Entretanto, o câncer de próstata pode ser grave e é responsável por 16.000 óbitos por ano, a segunda causa de morte por câncer de homens brasileiros. Para entender melhor sobre o assunto e os fatores de risco envolvidos, conversamos com a médica oncologista Daniele Evaristo Alves e o médico e consultor científico Artur Malzyner, ambos da Clínica Médica CLINONCO, em São Paulo.

Fatores ligados ao risco para o câncer de próstata

Pelo fato da doença não possuir uma causa única, o câncer de próstata apresenta diferentes fatores que muitas vezes passam despercebidos pela falta de informação sobre o assunto. Segundo os especialistas, podem-se destacar como fatores de risco a idade, a hereditariedade, a etnia, a obesidade e a alimentação rica em gorduras.

“Pacientes acima do peso com câncer de próstata geralmente apresentam a forma mais agressiva da doença”, esclarece a médica oncologista. Ainda de acordo com Daniele, estar acima do peso afeta o sistema imunológico e gera inflamação do corpo, alterando os níveis de certos hormônios e proteínas e influenciando no processo de crescimento e divisão celular.

Outro ponto de atenção são as escolhas alimentares. “Estudos sugerem que dietas hipercalóricas, ricas em gorduras e pobres em fibras, frutas e vegetais aumentam o risco para o câncer de próstata”, explica o consultor científico.. A idade também aparece como um fator de risco importante, segundo os médicos, já que a maioria dos casos são diagnosticados por volta dos 65 anos. Em relação à etnia, o câncer de próstata chega a ser de 2 a 3 vezes mais frequente entre homens negros, além de ser identificado com mais gravidade na população negra.

Na lista de fatores de risco, há também a hereditariedade. “Ter mais de um familiar de 1º grau com diagnóstico de câncer de próstata ou ter outros familiares com histórico de câncer de mama, ovário ou pâncreas, sugere a necessidade de uma avaliação genética. O risco aumenta com o número de familiares afetados”, esclarece a oncologista.

Atividade física como prevenção

Praticar atividade física regularmente e manter uma alimentação equilibrada são extremamente importantes para a saúde e o bem-estar, principalmente no tratamento de pacientes com câncer de próstata.

Vale destacar que os benefícios do exercício físico não se acumulam ao longo da vida, ou seja, se uma pessoa sempre praticou exercícios durante a infância e adolescência, porém na vida adulta parou, sua saúde será afetada por conta do sedentarismo. Geralmente, como já foi dito, esse tipo de câncer atinge, especialmente, homens acima dos 50 anos, idade em que normalmente muitos deixam de praticar exercícios.

Como é feito o diagnóstico

“Após avaliar fatores de risco, é importante que o homem atente-se para possíveis sintomas. A doença pode ser silenciosa ou levar mais comumente a sintomas urinários como dificuldade para urinar, necessidade de urinar várias vezes ao longo do dia e da noite. Em fases mais avançadas, pode apresentar dores ósseas e até insuficiência renal”, explicam os médicos da CLINONCO. Em relação ao tratamento, a escolha do melhor tratamento é feita individualmente, por um médico oncologista, após definir os riscos, benefícios e resultados para cada paciente, de acordo com o estágio da doença e condições de saúde do paciente.

Segundo a médica Daniele Alves, diante da suspeita (associação de fatores de risco + sintomas), indica-se a realização de exames para a detecção precoce do câncer. O exame mais indicado, inicialmente solicitado, é a dosagem de PSA no sangue. Em algumas situações, o toque retal também é indicado, pois em associação com níveis elevados de PSA pode aumentar a probabilidade de diagnosticar o câncer e indicar necessidade de realizar outros exames como a biópsia da próstata.

Acesse o link do Portal das academias BodyTech: https://blog.bodytech.com.br/novembro-azul-saude-em-primeiro-lugar/

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Higiene bucal correta ajuda a prevenir doenças em idosos

A saúde dos dentes é uma das maiores preocupações relacionadas ao envelhecimento. Além da idade deixar evidente o quanto cuidamos —ou descuidamos— da boca ao longo da vida, ela ainda provoca maior fragilidade. E quando a saúde bucal não vai bem, o restante do corpo também é prejudicado.

“Na boca, tudo é cumulativo”, conta o dentista Marcos Moura, membro da ABHA (Associação Brasileira de Halitose). “Hábitos errados e falta de controle na cadeira do dentista vai levar a problemas, às vezes, irreparáveis.”

A estomatologista (que trata de doenças da boca) Juliana Brasil, da Clinonco (Clínica de Oncologia Médica), completa. “Muitas doenças podem se iniciar na cavidade oral e se espalhar para o restante do corpo, e vice-versa”, alerta. “A boca, os dentes, a língua e a mucosa fazem parte do nosso organismo, e devemos cuidar dele como um todo.”

“Mastigação deficiente e produção de saliva errada, por exemplo, leva à azia, gastrite, prisão de ventre”, exemplifica Moura.

Juliana cita, como problemas comuns da velhice, a ausência ou diminuição da saliva, doenças da gengiva, alterações no paladar, desgaste nos dentes e lesões nas mucosas (que compõem o interior das bochechas, o céu e o assoalho da boca e gengivas).

A saúde começa pela boca. Uma deficiente mastigação, uma produção errada de saliva, vão levar a problemas como azias, gastrite, prisão de ventre, e por aí vai, explica Marcos Moura dentista endodontista.

Mas há questões que, hoje, são bem menos comuns —como perder todos os dentes. “Ainda se acredita que vamos envelhecer, perder os dentes e usar prótese total”, comenta Marcos Moura. “E com isso, quando se perde apenas um dente, alguns não fazem reposição com implantes [aguardando a perda de outros]. Isso é o início de um futuro desastre total”.

Além de prevenir repercussões futuras, as próteses ou implantes nos dentes que caíram ou precisaram ser extraídos é essencial para melhorar a autoestima. A dica também vale para adultos mais jovens: Juliana Brasil alerta que as extrações não são exclusivas da terceira idade, e podem acontecer pelo desgaste e maus cuidados ao longo do tempo.

“Mas é sempre bom lembrar que podemos evitar, com prevenção, perdas dentárias, nos serviços públicos de saúde”, diz Moura.

Higiene para prevenção

As mesmas lições que aprendemos desde a infância continuam valendo para o restante da vida: escovar os dentes cerca de meia hora após cada refeição, usar o fio dental, limpar a língua e tomar bastante água. Mas a velhice também traz algumas complicações novas.

Para quem tem a coordenação motora muito prejudicada, pode ser necessário procurar a ajuda de um cuidador para garantir a higiene correta dos dentes. Em casos mais leves, uma escova elétrica —que faz parte do movimento através da vibração, exigindo apenas um movimento de vai-e-vem com as mãos— é uma boa opção.

Aqueles que utilizam próteses precisam tratá-las da mesma forma que os dentes, com higiene constante. As fixas devem ser limpas com escova macia, pasta de dente e fio dental, enquanto as móveis podem ser higienizadas com sabão neutro, escova de cerdas duras e água corrente.

O dentista Marcos Moura ainda aconselha a buscar serviços de saúde gratuitos para orientações, ou para os cuidados que não podemos fazer em casa. “Vá à procura de faculdades ou cursos de pós-graduação que realizam tratamentos gratuitos, ou com preço mais acessível”, indica. Para ele, a política de saúde pública odontológica do Brasil ainda é precária: uma solução fácil seria incluir, nas cestas básicas, um kit de higiene bucal.

Acesse o link do Jornal Agora São Paulo: https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/11/higiene-bucal-correta-ajuda-a-prevenir-doencas-em-idosos.shtml

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Câncer de mama de volta ao alvo

Em 1994, o estilista Ralph Lauren e outros membros do alto escalão da moda dos Estados Unidos lançaram a campanha Fashion Targets Breast Cancer. Inspirado na amiga, a jornalista Nina Hyde, que falecera em 1990 depois de um longo período de tratamento contra o câncer de mama, Lauren convenceu os pares a usar seu talento em prol da conscientização sobre o tema. O Brasil foi o segundo país a embarcar na iniciativa, por meio do Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer (IBCC).

Em 1995, ela chegou por aqui com o nome O Câncer de Mama no Alvo da Moda. As imagens de atrizes, supermodelos e celebridades vestindo uma camiseta branca, com um alvo azul e branco no centro, ficaram marcadas na memória. E a estratégia deu certo! Logo no primeiro ano, foram vendidas mais de 400 mil peças de roupa, e o valor arrecadado desde então custeia obras no hospital do IBCC e parte dos tratamentos das pacientes.

Dá até para dizer que a campanha foi uma das responsáveis por nos apresentar pra valer o câncer de mama. A partir daí, o conhecimento sobre a doença evoluiu e agora temos o Outubro Rosa, um mês dedicado ao problema. Mas, em meio à Covid-19, o câncer deu uma sumida do noticiário.

“A pandemia foi um balde de água fria nos avanços que tínhamos feito em relação a conscientização da mulher, melhores práticas de atendimento, diagnóstico e terapias”, lamenta a mastologista Maira Caleffi, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).

A entidade, que congrega 74 ONGs envolvidas na causa, alerta para o retrocesso. “Estamos navegando no escuro, sem números precisos para dizer como está a atenção ao câncer no Brasil, e sabemos que boa parte das mulheres ainda não voltou a fazer seus exames de rotina”, analisa Maira.

O principal temor, que já começa a se confirmar nos consultórios, é de um aumento nos tumores detectados em estágio avançado. “De fato, faltam dados, mas nossa impressão é que as pacientes estão chegando com nódulos maiores”, conta a mastologista Fabiana Makdissi, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Sua impressão é corroborada por todos os especialistas ouvidos nesta reportagem. “Estamos falando de cerca de 4 mil casos não diagnosticados, se considerarmos as mamografias que deixaram de ser feitas”, aponta o mastologista Marcelo Bello, diretor da unidade do Instituto Nacional de Câncer (Inca) voltada à doença. E vale dizer que, no Brasil, cerca de 70% dos diagnósticos já eram feitos em estágio adiantado antes da pandemia, de acordo com dados da Femama.

É uma estatística triste, pois hoje o câncer de mama é curável na maioria das vezes, desde que encontrado cedo. Depois disso, o foco do tratamento passa a ser controlar a progressão e garantir mais anos de vida (bem vividos) à mulher — e, nessas circunstâncias, há novidades impressionantes no tratamento, só que nem todas acessíveis às brasileiras.

Enquanto há uma falha no diagnóstico e na oferta de terapias de ponta no país, já se sabe que a prevalência da doença vem subindo. É algo que pode até ter uma conexão com a pandemia e as bagunças causadas por ela nas rotinas de saúde. Em meio a um cenário preocupante, cairia bem uma campanha como a dos anos 1990, com caras e vozes famosas, para botar as mamas nos holofotes.

O mais frequente do planeta

Em 2021, o câncer de mama ultrapassou o de pulmão e se tornou o tipo da doença mais frequente no planeta — os tumores de pele que são muito mais comuns e benignos não entram nessa conta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 foram registrados mais de 2 milhões de casos, ou 11,7% do total.

No Brasil, a estimativa do Inca para 2021 é de 66 mil novos diagnósticos e mais de 18 mil mortes. Alguns dos motivos que financiam o aparecimento dos caroços são inexoráveis. “Os principais fatores de risco não podem ser alterados, como ser mulher e envelhecer”, diz a oncologista Daniele Assad, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

Outros aspectos inerentes à vida moderna, como o fato de engravidar e amamentar menos, também contribuem para o aumento do perigo. Nesse caso, o problema é o bombardeio ininterrupto dos hormônios estrogênio e progesterona sobre a glândula mamária, sem as flutuações que ocorreriam durante a gestação e o aleitamento.

“A mama é um órgão endócrino, que sofre influência dos hormônios sexuais femininos. Quanto mais estímulo, maior a taxa de replicação das células do tecido, e maior o risco de erros nesse processo, que levam ao aparecimento dos tumores”, detalha o mastologista Vilmar Marques, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Por outro lado, mudanças de hábito e comportamento atenuam a propensão. “Quase 30% dos cânceres seriam minimizados ou não surgiriam se tivéssemos um estilo de vida saudável. Para as mulheres, que são mais acometidas em geral, isso seria ainda mais importante”, comenta Fabiana.

Há alguns casos, menos de 10% do todo, em que o motivo principal da doença são mutações genéticas específicas, como as dos genes BRCA 1 e 2. Nessas situações, a probabilidade de desenvolver um tumor pode ultrapassar os 60%. Fora isso, outros trechos do DNA podem estar envolvidos e propiciar quadros não tão agressivos. “Mas temos muitos estudos mostrando que, mesmo quando você nasce com certa predisposição, o risco pode cair consideravelmente ao cuidar bem do corpo”, diz a médica do A.C.Camargo.

O principal ponto aqui é controlar o peso e manter-se ativa. “O acúmulo de gordura contribui para um estado de inflamação sistêmica, que eleva o risco de câncer. Além disso, as células do tecido adiposo acabam funcionando como uma fábrica de hormônios, mesmo no pós-menopausa”, explica Maira.

A zona de perigo é representada pelo índice de massa corpórea (IMC) acima de 30. A alimentação inadequada, parceira íntima do sobrepeso e da obesidade, não pode deixar de ser mencionada. “O consumo frequente de bebidas açucaradas, que disparam rapidamente a glicemia, tem influência no surgimento do problema”, alerta Fabiana.

Falando em bebidas, o álcool é outro vilão das mamas. “Calculamos que cerca de 4 a 5% dos casos sejam atribuídos a esses excessos, ou seja, algo em torno de 3 mil mulheres adoecendo ao ano no Brasil”, estima Bello.

Por fim, o estresse atua como um patrocinador indireto, uma vez que está ligado a alterações no sistema imunológico que podem diminuir nossa capacidade de flagrar e estancar células defeituosas, além de levar à adoção de hábitos pouco saudáveis, como os goles extras e o sedentarismo.

“Essa conjunção de fatores, em uma sociedade como a nossa, leva a uma ligeira queda na curva de idade do diagnóstico”, nota o diretor do Inca. E a pandemia atuou como um catalisador desse cenário, que já era mais favorável ao câncer. “Certamente haverá impacto, mas é difícil de quantificar isso agora”, completa Bello.

A importância do diagnóstico precoce

A recomendação oficial do Ministério da Saúde é realizar o rastreamento da doença entre os 50 e os 69 anos de idade, com mamografia a cada dois anos. Só que, devido ao contexto que vivemos, uma série de especialistas e entidades recomenda baixar essa régua. SBM, Femama e outras associações nacionais e internacionais defendem que o exame seja feito anualmente a partir dos 40 anos.

“Pesquisas mostram que há redução de mortalidade por câncer de mama quando o rastreio começa mais cedo”, sintetiza Marques. Para quem tem maior risco genético — e um teste, recomendado a mulheres com histórico pessoal ou familiar de câncer, pode apurar isso —, o ideal seria começar antes, por volta dos 25 anos.

Para as jovens em geral, não parece haver benefícios na investigação genética preventiva ou nas mamografias. Nelas, imprescindível mesmo é o autoconhecimento. É assim que está sendo chamado o autoexame das mamas, termo que caiu em desuso e gera polêmica.

“Não queremos encontrar um nódulo quando ele já está palpável ou desestimular a realização dos exames médicos, mas é importante conhecer as mamas e estar atenta a qualquer alteração nelas”, afirma a mastologista Fernanda Barbosa, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Foi assim, aliás, que ela mesma descobriu em julho um câncer no seio, aos 39 anos, 12 meses antes de começar o rastreio. E flagrar essas alterações no início faz toda a diferença.

Mesmo com todo o cuidado na prevenção e na manutenção de um estilo de vida saudável, nem sempre dá para evitar a doença. Daí a necessidade do tal rastreamento. Quando um nódulo maligno é detectado ainda pequeno, as chances de cura são altas: atingem e até superam os 95%.

Nesse tamanho, a possibilidade de o tumor ainda estar localizado, sem infiltrações na axila ou dispersões por outros tecidos (as metástases), é maior. É o chamado câncer in situ, que pode ou não tornar-se invasivo.

“Ele está concentrado em uma área da mama, protegido por uma membrana. Para ele, o tratamento é mais simples, na maioria das vezes basta realizar uma cirurgia e complementar com hormonioterapia [terapia que protege a glândula mamária da ação dos hormônios]”, explica a patologista Marina De Brot Andrade, diretora da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Já no câncer invasivo, as células malignas estão mais disseminadas pelos arredores. “Elas se infiltram além dos limites da glândula, representando um potencial para evoluir com metástase”, complementa Marina. É a partir daí que as terapias ficam mais complexas, combinando diversas técnicas, que variam conforme o tipo de tumor. Hoje ele é classificado em subgrupos, de acordo com suas características estruturais.

Essa análise é feita a partir da coleta da biópsia e do chamado perfil imuno-histoquímico. “São mais de 30 tipos diferentes, divididos em três grandes grupos”, resume Marina. Cada um tem suas particularidades, conhecidas em detalhes, pois outro pilar que vem sendo fincado no diagnóstico é o estudo da genética logo cedo, não apenas para aqueles tumores mais complicados.

“Temos alterações genéticas cujos efeitos podem ser minimizados com o uso de tratamentos e intervenções precoces”, diz o oncologista Pedro Exman, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Além dos genes BRCA 1 e 2, cerca de outros 20 são conhecidos por sua ligação com o câncer de mama.

Para quem carrega mutações no grupo BRCA, por exemplo, existe um remédio chamado olaparibe, usado em casos avançados, mas que recentemente demonstrou aumentar as taxas de cura quando prescrito nas fases iniciais da doença.

Fora o mapeamento das características genéticas individuais, que pode ainda calcular o risco de retorno da doença e determinar o tamanho da cirurgia a ser feita, o sequenciamento genômico do próprio tumor traz insights úteis. Um desses testes, o Oncotype Dx, se mostrou eficaz em prever se a mulher se beneficiará ou não da quimioterapia.

O tratamento do câncer de mama evoluiu muito

Antigamente, se definia a estratégia de ataque pelo tamanho da lesão. Se pequena, a paciente ia direto para a cirurgia. Se grande, era preciso antes realizar quimioterapia. Essa regra ainda é utilizada, com exceções.

“Para os tumores HER2 positivo e triplo negativo, que são considerados mais agressivos, temos indicado a químio antes mesmo da intervenção cirúrgica, porque ela, além de influenciar na magnitude do procedimento, nos mostra como será o tratamento adjuvante, aquele feito depois da operação”, explica a oncologista clínica Solange Moraes Sanches, do A.C.Camargo Cancer Center.

As cirurgias, aliás, estão menos invasivas e mais modernas. “As mamas são reconstruídas imediatamente, e temos feito muitas operações que preservam a pele e a aréola”, relata o cirurgião oncológico Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

E a técnica do linfonodo sentinela, que analisa um caminho por onde o câncer se espalha, evita uma intervenção que deixa como sequela dor e inchaço nos braços. Se a resposta à cirurgia é completa, ou seja, não há resquícios de células malignas, o risco de recidiva é menor. Senão, pode ser preciso intensificar o ataque — e há abordagens específicas e avanços para cada tipo de tumor.

Para evitar o retorno da doença, além da químio, quase todas as mulheres passam por radioterapia, sessões de radiação localizada. “É uma abordagem complementar à cirurgia, que diminui a possibilidade de recidiva”, explica o médico Gabriel Gil, coordenador do serviço de radioterapia do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte.

Em casos de tumores luminais, os mais comuns, um esquema de hormonioterapia é aplicado por alguns anos. Os dois tipos menos frequentes, mas mais agressivos, HER2 positivo e triplo negativo, ganharam medicações sistêmicas específicas recentemente. Mas pode ser que, mesmo com todas as terapias de ponta disponíveis, o tumor não se dê por vencido.

A jornalista e psicóloga Valéria Baracat, de 60 anos, sabe bem disso. Desde seu primeiro diagnóstico, em 2004, o câncer já voltou três vezes, a última em 2020, tendo inclusive mudado de subtipo. “Na última vez, descobri que ele passou a ser HER2 positivo”, conta a paulistana, que criou um instituto para apoiar mulheres com o problema, o Arte de Viver Bem.

O caso de Valéria, que convive com a doença há 17 anos, depois de cirurgias, terapias mil e muitas sessões de químio, reforça quão desafiador é controlar o câncer. Mas também mostra como o diagnóstico está longe de ser uma sentença.

Novas drogas

Casos persistentes e agressivos como o de Valéria foram os mais beneficiados com os avanços recentes no mundo dos fármacos. “Hoje vemos esses tipos de câncer como uma doença crônica, que pode ser controlada por vários anos”, afirma André Abrahão, diretor médico da Novartis.

A farmacêutica é uma das que lançaram no mercado há alguns anos os inibidores de ciclina (ou inibidores de CDK) para portadoras de câncer com receptor hormonal positivo, o mais comum, em estágio avançado.

Até então, não havia muitas alternativas para ele. Agora são três remédios disponíveis no Brasil: ribociclibe, palbociclibe e abemaciclibe. Todos são terapias-alvo, que miram proteínas específicas.

“Eles inibem moléculas envolvidas na rapidez com que a célula tumoral se multipla”, explica Abrahão. “A classe dobrou a resposta e o tempo de sobrevida diante da doença quando ela já é incurável”, conta o oncologista Artur Malzyner, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Os estudos têm mostrado que eles podem ser usados na primeira linha de ataque ao câncer de mama com receptor hormonal localmente avançado ou com metástase.

Uma pesquisa divulgada pela Novartis no último Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo, na sigla em inglês) aponta que o ribociclibe, um dos membros da família, foi capaz de aumentar a sobrevida em 12 meses, quando comparado à abordagem-padrão mais um placebo (comprimidos sem princípio ativo). Com essa estratégia, a sobrevivência média passou a 63 meses, mais de cinco anos.

É pelas situações mais graves que as pesquisas costumam começar, mas é provável que essas medicações passem a entrar cada vez mais cedo no tratamento. Resultados preliminares de um experimento internacional realizado com mais de 6 500 mulheres indicam que o abemaciclibe, quando usado depois da cirurgia em casos iniciais com alto risco de progressão, pode diminuir em até 30% a probabilidade de recorrência.

Mas vale dizer que, nesse grupo, a maioria das mulheres manteve o câncer longe com ou sem o medicamento, reforçando a importância do diagnóstico precoce. Está aí um aspecto que sempre será valioso, a despeito da melhor terapia do mercado.

Sem órfãs de tratamento

Com a pandemia, ficamos mais familiarizados com o termo anticorpo monoclonal. A categoria, que já vinha sendo empregada com sucesso para doenças inflamatórias como a artrite reumatoide, revolucionou algumas especialidades médicas. Trata-se de uma droga construída sob medida para se ligar a uma molécula ou receptor celular, num esquema chave-fechadura.

A estratégia deu origem aos medicamentos anti-HER2, que conferem mais tempo de vida às portadoras do câncer HER2 positivo metastático. “Antes do trastuzumabe, anticorpo monoclonal usado nesse contexto, a expectativa de sobrevida era de 12 meses. Agora metade das mulheres está viva 56 meses depois do diagnóstico”, destaca Solange.

O trastuzumabe deu tão certo que passou a ser combinado com outro anticorpo monoclonal, o pertuzumabe, como tratamento pré-cirúrgico. E até evoluiu para uma nova classe, a dos anticorpos conjugados a droga.

Trata-se de uma família inovadora, que combina um anticorpo artificial capaz de se ligar à célula cancerosa a um remédio que entra para atacá-la. “É como um cavalo de troia”, compara o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.

Já há um desses no mercado, o TDM-1, e chegou recentemente o trastuzumabe-deruxtecan, produzido pela AstraZeneca e pela Daiichi Sankyo, aprovado pela Anvisa em outubro. Em um estudo que ganhou destaque no congresso da Esmo, os dois medicamentos foram comparados, com resultados favoráveis ao trastuzumabe-deruxtecan.

Na pesquisa, pouco mais de 500 mulheres com câncer HER2 positivo avançado foram tratadas com uma das duas moléculas. O novo fármaco demonstrou reduzir em 72% o risco de progressão da doença ou morte. O tempo de vida sem a doença foi, em média, 25 meses, ante sete meses com o TDM-1.

“É raríssimo um medicamento demonstrar esse grau de benefício em relação a outro composto similar”, ressalta Buzaid. A expectativa é que o trastuzumabe-deruxtecan, que também está sendo testado em fases iniciais da doença, seja aprovado nos próximos meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para encerrar o capítulo das moléculas terapêuticas, os anticorpos conjugados a droga estão dando perspectivas mesmo frente a situações dramáticas. Outro que está para chegar ao Brasil é o sacituzumabe-govitecan, que atua contra o tumor triplo negativo. Em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, ele demonstrou dar alguns meses de vida inclusive a mulheres que já tinham metástases no cérebro, com poucos efeitos colaterais.

As limitações dessa e das outras abordagens mencionadas são de outra esfera, a financeira. O custo delas pode atingir dezenas de milhares de reais, e poucas estão incluídas na rede pública. Ganhar tempo enquanto a ciência se apressa em encontrar mais soluções é hoje, infelizmente, um privilégio para poucas.

A desigualdade custa vidas

Tratar o câncer é um desafio que exige ajustes finos, monitoramento constante e um plano multidisciplinar, que alia mastologista, oncologista clínico, cirurgião, patologista e radiologista, todo mundo trabalhando junto e trocando informação para definir o melhor caminho a cada paciente.

É assim que atuam centros de referência como Inca e A.C.Camargo, entre outros pelo país. Só que, mesmo com o avanço da medicina, há um gargalo que afasta boa parte das brasileiras dos tratamentos de última geração. A maioria das mulheres é diagnosticada e acompanhada na rede pública, onde o cenário é bem diferente da atenção privada.

“Existe uma lei que garante que o tratamento seja iniciado em até 60 dias depois do diagnóstico, mas basta olhar os serviços para ver que ela não é cumprida”, aponta Daniele, da Sboc. Demora para marcar a consulta com o médico, receber os laudos dos exames, agendar a radioterapia e outras queixas são frequentes entre as pacientes que iniciam essa jornada, em que o tempo faz toda a diferença entre viver e morrer.

E a pandemia só vem piorar a situação. Um levantamento do Instituto Avon revela que o sistema público realizou 473 mil procedimentos de diagnóstico de câncer de mama a menos em 2020, quando comparado com 2019. As mamografias, que apresentavam tendência de alta nos últimos anos, caíram mais de 40%.

Se os diagnósticos represados tiverem como resultado mais mulheres com doença avançada no sistema público, outras desigualdades ficarão ainda mais escancaradas. Os testes genéticos que avaliam a predisposição ao câncer ainda não estão disponíveis amplamente na rede pública, muito menos os que miram o tumor para calcular as chances de ele voltar ou se responderá ou não à quimioterapia.

Por fim, novos remédios, como os inibidores de ciclina, também não são ofertados no SUS. Em setembro, a incorporação dessa classe foi inclusive negada pela comissão que avalia a entrada de fármacos no sistema público. A pauta foi submetida novamente a uma consulta pública, já encerrada. Os resultados ainda não foram divulgados.

Discutir custo é duro, mas necessário. “Temos que pensar em estratégias para que essas tecnologias sejam introduzidas na rede pública de maneira sustentável. Para os anticorpos monoclonais, por exemplo, é possível produzir biossimilares a um preço mais baixo”, diz a médica Carolina Martins Vieira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mais do que tudo, precisamos acertar o básico, que é encontrar os milhares de mulheres andando por aí com nódulos malignos sem saberem disso. Eis um alvo que nunca devia sair de moda.

O efeito da desigualdade

O coração da mulher com câncer

Está aí um assunto pouco falado e que merece atenção. “Os efeitos da radioterapia na mama esquerda podem atingir o coração e gerar insuficiência cardíaca, mas essa lesão só aparecerá em cinco ou dez anos, e isso acaba negligenciado”, expõe o médico Gabriel Gil. Além disso, novas drogas sistêmicas e a quimioterapia podem ser tóxicas ao músculo cardíaco.

“É como se ele ficasse mais fraco com o tratamento oncológico”, conta o cardiologista Roberto Kalil Filho, presidente do Instituto do Coração (InCor). “É por isso que a paciente precisa de acompanhamento também do cardiologista antes, durante e depois da terapia”, completa.

Recentemente, o InCor abriu um centro de pesquisas de cardio-oncologia, o primeiro no Sistema Único de Saúde (SUS), com protocolos que podem ser seguidos por outros locais.

Quem é o câncer de mama?

Conheça os três principais subgrupos:

+ Luminal

O que é: Também conhecido como receptor hormonal positivo, é o mais conhecido e prevalente.

Incidência: Responde por cerca de 70% dos diagnósticos.

Tratamentos: Além das terapias clássicas, já chegaram ao Brasil os inibidores de ciclina, direcionados especialmente para essa variedade.

+ HER2 positivo

O que é: Um tumor que expressa níveis mais elevados do que o normal de uma proteína, a HER2, ligada ao crescimento celular.

Incidência: Cerca de 15% dos casos.

Tratamentos: Esse tipo se espalha mais rapidamente, mas é sensível a drogas anti-HER2, como o trastuzumabe. Mais medicamentos inovadores estão para chegar em breve.

+ Triplo negativo

O que é: Não possui receptores para os estímulos hormonais de estrogênio ou progesterona nem expressa a proteína HER2. Daí o nome.

Incidência: Responde por cerca de 15% dos diagnósticos. É mais comum em mulheres jovens.

Tratamentos: Além de cirurgia e químio, a imunoterapia é uma opção para esse tipo da doença.

…E os estágios da doença 

Eles auxiliam a identificar riscos e melhores terapias:

  • Câncer de mama estágio 0: É o chamado carcinoma in situ, que não tem capacidade de se espalhar.
  • Câncer de mama estágio 1: O tumor é pequeno e ainda não conseguiu se disseminar pra valer na vizinhança.
  • Câncer de mama estágio 2: O nódulo já é maior e pode ter atingido os linfonodos (glândulas do sistema linfático).
  • Câncer de mama estágio 3: Células tumorais estão presentes em vários linfonodos e tecidos próximos à mama.
  • Câncer de mama estágio 4: O câncer já se dispersou para outros órgãos, inclusive alguns distantes.

O que ameaça as mamas

Sobrepeso: O acúmulo de gordura tem atuação dupla: tanto estimula inflamações pelo corpo quanto aumenta o nível de hormônios que interagem com as glândulas mamárias.

Reposição hormonal pós-menopausa: Ela deve ser feita com critério e na janela de tempo certa. Há diversos estudos evidenciando que essa terapia pode potencializar alterações nas células da mama.

Álcool em excesso: Estima-se que em torno de 4 a 5% de todos os novos casos de câncer de mama sejam atribuíveis ao consumo de álcool. Isso dá algo como 3 mil diagnósticos ao ano no Brasil.

Meio ambiente: Pesquisas recentes apontam que a concentração de poluentes no ar, em especial os emitidos por veículos motorizados, pode elevar o risco de a doença dar as caras.

Estresse: Não há estudos que comprovem a relação direta, mas os mecanismos fisiológicos e comportamentais desencadeados pela tensão diária podem atuar de alguma forma.

Violência doméstica: Em seu mestrado, a médica pernambucana Cristiana Tavares notou uma alta prevalência de diagnósticos de câncer de mama após episódios de violência. Relação a confirmar.

Respostas da genética

Os segredos do DNA das células sadias e do próprio tumor já ajudam a direcionar melhor o tratamento:

  • Genes BRCA: As mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 podem elevar em mais de 50% a probabilidade de ter câncer de mama ou de ovário.
  • Outros genes: Há dezenas deles envolvidos. Cerca de 10% dos tumores são considerados hereditários ou de origem genética.
  • Teste germinativo: É um exame que mapeia o DNA da pessoa em busca de mutações perigosas. Deve ser pedido e analisado sempre pelo médico.
  • DNA do tumor: Existe uma porção de mutações genéticas que ocorrem somente nas células malignas, e algumas delas respondem a remédios.

Câncer avançado pode não ter cura, mas…

Se alguém receber um diagnóstico de câncer de mama considerado avançado, aqui vão alguns recados para não perder a força frente às estatísticas. Primeiro, os números são médias populacionais, e a resposta de cada mulher à doença é muito individual.

Em segundo lugar, o tratamento para essas situações evoluiu demais, a ponto de hoje o câncer de mama ser considerado uma doença crônica. Com os avanços, é possível ter anos de vida com qualidade, que podem inclusive permitir que a mulher aguarde a chegada de novas drogas, quiçá curativas.

A ciência está caminhando rápido, e uma condição prevalente como essa é alvo de interesse das farmacêuticas, que não param de desenvolver remédios.

Novidades no tratamento

  • Imunoterapia: A abordagem que ensina o sistema imune a enxergar o tumor e depois atacá-lo demonstrou resultados positivos contra o câncer tipo triplo negativo.
  • Inibidores de Parp: São remédios como o olaparibe: eles inibem uma enzima específica e são usados em mulheres com mutações genéticas e metástases ou alto risco de recidiva.
  • Radioterapia: A maioria das mulheres passa por sessões de radiação depois da cirurgia. As máquinas mais modernas poupam os tecidos vizinhos e o coração.
  • Quimioterapia: Ao mapear os genes do tumor com receptor hormonal positivo, é possível dizer se ele responderá ou não à químio, evitando submeter mulheres a seus efeitos colaterais.
  • Cavalo de troia: Os anticorpos conjugados a droga, que se conectam a receptores do tumor e colocam remédios dentro dele, dão esperança a casos avançados.
  • Cirurgia: Cada vez mais, a mastectomia, que retira completamente a mama, inclusive a aréola, pode ser substituída por técnicas menos invasivas.

Esperança para o triplo negativo

Quando um câncer de mama não responde a hormônios nem apresenta níveis elevados de proteína HER2, é considerado triplo negativo. É o pior tipo da doença, com maiores índices de recidiva e uma expectativa de sobrevivência menor. Mas a ciência tem mudado, pouco a pouco, essa história.

A chave parece estar em ensinar o próprio sistema imune a combater o tumor, por meio da imunoterapia, categoria de drogas que despe o intruso de seus disfarces.

Em 2019, a primeira imunoterapia para o triplo negativo foi aprovada, o atezolizumabe. O fármaco inibe o PDL-1, molécula expressa por alguns tumores, e pode ser usado junto com a quimioterapia. Nos últimos meses, outra medicação da classe, o pembrolizumabe, mostrou bons resultados, inclusive com perspectivas de cura em estágios iniciais.

Na cola do câncer

Como rastrear a doença:

Mamografia: No SUS, ela é feita entre 50 e 69 anos de idade, a cada dois anos. Mas especialistas recomendam repetir anualmente a partir dos 40 anos.

Autoexame: Ele não substitui o exame de imagem ou a consulta com o médico, mas tem seu valor. A ideia é que o toque promova o autoconhecimento.

Rotina na pandemia: Clínicas e consultórios estão preparados para receber as mulheres com segurança mesmo durante a Covid-19. Não deixe de procurá-los.

Após a vacina da Covid: O inchaço nos gânglios, uma reação adversa incomum e inofensiva, pode levar à confusão nos exames. O ideal é aguardar de quatro a seis semanas da picada.

Acesse o link do Portal da Revista Veja Saúde: https://saude.abril.com.br/medicina/cancer-de-mama-de-volta-ao-alvo/

 

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Outubro Rosa: reconstrução mamária devolve a autoestima da mulher

O que acontece após o diagnóstico do câncer de mama? A campanha Outubro Rosa promove debates de conscientização sobre a prevenção, detecção e também tratamento da doença. Uma vez que o tumor foi identificado, grande parte das mulheres passa por uma cirurgia chamada mastectomia para a retirada parcial ou total da mama. Mas e depois?

“A reconstrução da região tem um papel importante no resgate da autoestima, pois ajuda a minimizar os impactos físicos e emocionais causados pela mastectomia. Trata-se de uma cirurgia plástica reparadora com resultados naturais”, explica a cirurgiã plástica Leticia Odo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

A também cirurgiã plástica Thamy Motoki explica que existem duas possibilidades: “A prótese de silicone é indicada para pacientes que retiraram toda a glândula. Já nas cirurgias mais extensas, é possível reconstruir a mama a partir de retalhos locais ou até mesmo com tecidos de outras regiões do corpo, como dorso e abdome”.

Impactos emocionais 

O câncer de mama exerce um grande impacto no emocional das mulheres — tanto pelo medo da doença, quanto pelas modificações físicas —, por essa razão é indicado o acompanhamento psicológico durante o tratamento. Esse apoio se faz necessário também após a retirada do tumor, momento no qual a paciente verá um novo corpo refletido no espelho.

“O trabalho de um psicólogo, quando uma mulher opta por fazer a reconstrução mamária, é de entender primeiro como ela lidava com o corpo antes do diagnóstico. A partir daí, podemos compreender melhor sua relação com este novo corpo, diferente e com uma cicatriz, que carrega essa história”, destaca a psico-oncologista Marilia Zendron.

A especialista salienta que a decisão é muito subjetiva. Segundo ela, há mulheres que enfrentam a reconstrução com mais tranquilidade, pois sonhavam com um peito maior. Outras decidem deixar a cirurgia para outro momento ou sequer cogitam fazê-la, pois se sentem bem com o corpo. “Cada mulher saberá dizer o que a faz feliz e a deixa satisfeita com a própria imagem”, pontua.

Pós-operatório

Letícia relembra que os cuidados pós-operatórios são os mesmos de uma mamoplastia feita para fins estéticos e devem ser orientados pelo médico responsável, afinal, cada caso é único. “Nos primeiros dias, serão necessários a utilização de curativos sobre as incisões e repouso relativo, evitando ao máximo esforço ou movimento repetitivo com os braços. Para sustentar a mama e minimizar o inchaço, uma bandagem elástica ou sutiã apropriado deverão ser usados”, indica.

ONG Orientavida

A ONG Orientavida vem promovendo a campanha Pense Rosa, que ajuda mulheres que estão na fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde) a realizarem mamografias. A cada 12 pulseiras vendidas no site da ONG, a venda é revertida em um combo de diagnóstico de câncer de mama. Até agosto deste ano, 11 mil mamografias foram realizadas. A meta da ONG Orientavida é atingir 15 mil até dezembro de 2021. Participe!

Fontes: Letícia Odo, cirurgiã plástica, especialista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e médica dos corpos clínicos do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Sírio Libanês; Thamy Motoki, cirurgiã plástica, membro titular da SBCP e médica no Hospital São Luiz, e Marilia Zendron, psicóloga especialista em psico-oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center e membro do corpo clínico da Clinonco.

Acesse o link do Portal Alto Astral: https://www.altoastral.com.br/saude/outubro-rosa-reconstrucao-mamaria-devolve-autoestima-da-mulher/

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Como se exercitar ajuda na renovação de células-tronco

Segundo estudo da USP, exercícios físicos promovem uma maior renovação das células-tronco no organismo

Não tem mistério: Ser ativo é um dos pilares que sustentam uma vida saudável. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, se exercitar traz benefícios imediatos, tendo em vista que ajuda a estimular o rejuvenescimento das células-tronco musculares e cardíacas, beneficiando o potencial regenerativo do corpo.

O QUE SÃO CÉLULAS TRONCO

Células-tronco são aquelas células que possuem a capacidade de auto renovação, se diferenciando de outros órgãos e tecidos. “Ao longo dos anos os órgãos e tecidos do corpo humano perdem sua capacidade de funcionamento, seja por doença ou pelo envelhecimento. Há então uma grande demanda de reposição desses órgãos, que hoje em dia é atendida por programas de transplante. No entanto, esses programas atendem a uma fração muito pequena dos pacientes, seja por escassez de doadores, ou pela atual incapacidade de transplante de certos órgãos. É ai que entram as células-tronco! Elas tem a capacidade de recuperar tecidos danificados por exemplo por doenças cardiovasculares como o infarto, doenças renais, hematológicas, neurológicas dentre outras”, explica  a oncologista Mariana Marcondes, da clínica Clinonco.

Além disso, as células-tronco também são fundamentais para o controle inflamatório do corpo, acelerando a resposta do organismo, diminuindo a sensação de dores e estimulando a produção de cartilagem.  “Com o passar dos anos as pessoas podem apresentar problemas de saúde como a artrite ou artrose, causadas por complicações no tecido cartilaginoso. Para isso, as atividades físicas se configuram como aliadas da saúde, sendo benéficas ao sistema inflamatório e diminuindo as dores”, afirma Nelson Tatsui, Diretor-Técnico do Grupo Criogênesis e Hematologista.

RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO E CÉLULAS TRONCO

Um recente estudo feito pelo Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), concluiu que, por meio de experimentos com animais, a renovação das células-tronco acontece em maior quantidade através da prática de exercícios, facilitando a reparação de tecidos musculares e auxiliando no tratamento de lesões.

Segundo Tatsui, o exercício físico desempenha um papel de ativar uma resposta do tecido muscular, que na maioria de seu tempo, se encontra em repouso e ao executar esse tipo de exercício o sistema imunológico estimula a produção de células-tronco, que atuam em um processo complexo e importante na regeneração dos tecidos musculares. “As células-tronco passam por divisões, se diferenciando e se renovando. Como a realização de esportes estimula a produção celular, o ‘estoque’ desse material biológico é preservado e reposto”, diz.

Apesar de ser recente, a medicina regenerativa vem se tornando cada vez mais popular. Mariana menciona casos onde as células-tronco são usadas em casos de infarto, para recuperação do músculo cardíaco e Nelson completa, mencionando que o mundo do esporte também vem adotado os procedimentos. Em 2019, o jogador de futebol Neymar tratou fraturas no quinto metatarso com a aplicação de injeções com células-tronco, para auxiliar na recuperação e evitar cirurgias. “Cada vez os esportistas optam por procedimentos com células-tronco. Ela é segura e gera melhores resultados de forma mais acelerada, o que possibilita o retorno aos treinos mais rapidamente”, finaliza o hematologista.

 

Acesse o link do Portal da Revista Boa Forma: https://boaforma.abril.com.br/movimento/se-exercitar-celulas-tronco/

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9 Hábitos saudáveis que precisa adotar

Mais do que nunca, estamos entendendo a importância de adotar hábitos positivos para a nossa saúde.

Com a pandemia, fomos restringidos de algumas atividades cotidianas e tivemos que nos adaptar a uma nova rotina.

Mas, você incluiu hábitos saudáveis no seu dia a dia?

Caso a resposta seja não, é bom conferir algumas sugestões que podem te ajudar a se manter saudável durante o isolamento social:

-Tenha uma alimentação saudável;
-Regularize o seu sono e durma o necessário;
-Alongue-se durante o dia;
-Faça pausas regulares e programadas durante suas atividades em casa;
-Mantenha contato com pessoas positivas;
-Exercite-se em casa;
-Medite e analise os seus propósitos de vida;
-Dê atenção à sua saúde mental;
-Beba água.

Esses hábitos parecem simples, mas podem fazer uma grande diferença na sua saúde física e emocional!

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Doenças congênitas, genéticas e hereditárias: sabe a diferença entre elas?

No meio da palavra “congênita” há um “gen” que pode nos remeter à palavra “genética”, que para muitos é sinônimo de algo “hereditário”. Em comum, estão relacionadas à natureza e concepção humana, por isso geram tanta confusão. Mas, embora pareçam ser a mesma coisa, doenças classificadas com esses termos não são iguais, as diferenças entre elas são grandes.

Claro que não cabe a ninguém que não tenha estudado medicina diagnosticar cada uma, isso é tarefa de um médico, mas vale saber o que individualmente representam para ter informação para conversar, ganhar tempo para tirar dúvidas em consultório, se preparar para resultados de exames, planejar uma eventual gravidez, tomar medidas preventivas e mudar hábitos de vida.

Congênita, ou desde o nascimento

Uma doença congênita é aquela que está presente na ocasião do nascimento, podendo ser decorrente de uma alteração nos genes e repassada de pais para filhos ou também causada por fatores externos ambientais, como infecções, consumo de drogas, medicações ou alguma interferência no útero, por exemplo.

Pablo de Nicola, geneticista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, cita exemplos: “Os distúrbios congênitos (desde o nascimento) mais comuns são pé torto congênito, luxação congênita do quadril, criptorquidia (quando o testículo não desce), cardiopatia congênita (defeitos cardíacos), mielomeningocele (defeito em que a medula espinhal do bebê não se desenvolve adequadamente) e hidrocefalia (caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido dentro do crânio, levando a inchaço e aumento de pressão cerebral)”.

Mas há outros, como fenda labial e palatina, toxoplasmose congênita, síndrome alcoólica fetal, tetralogia de Fallot (condição rara causada por uma combinação de quatro defeitos cardíacos presentes no nascimento) e síndrome de Down.

Só que nem toda doença repassada de pais para filhos e/ou causada por alterações nos genes é congênita, e podem se manifestar tardiamente como Coreia de Huntington (em que as células nervosas do cérebro se rompem ao longo do tempo) e Alzheimer.

Genética tem a ver com DNA

Já uma doença ou desordem genética é causada por uma ou mais anomalias no material genético (DNA) por diversas causas (má alimentação, radiação solar, tabagismo, entre outras) e pode, ou não, ser transmitida adiante, dos ancestrais para os descendentes.

Em se tratando de câncer, todo tipo é genético, mas não significa que possa ser herdado. Renata Velame, oncologista e oncogeneticista do Hospital Português da Bahia, em Salvador, explica:

“O câncer é uma doença genética, pois envolve mutações em determinadas partes do DNA, levando as células a um processo descontrolado de multiplicação, além da capacidade de invadir outros órgãos e tecidos do corpo. Na maioria dos casos, é esporádico, ou seja, essas mutações são adquiridas ao longo da vida devido a fatores ambientais. Mas alguns casos de câncer, cerca de 5% a 10%, se desenvolvem devido a mutações genéticas patogênicas herdadas, em sua maioria, de um dos pais, o que chamamos de síndromes de câncer hereditário”.

Nesses casos, geralmente se observa surgimento de tumores mais precocemente, maior risco de aparecimento de novos tumores ao longo da vida e comumente história familiar de câncer.

Os principais tipos de neoplasias associadas a essas síndromes são os cânceres de mama, de ovário, de próstata e colorretal. Mas não significa 100% que uma pessoa com mutação patogênica terá câncer, há risco, mas vários outros fatores estão envolvidos na sua formação.

Hereditárias são transmitidas

Introduzidas brevemente na explicação sobre doenças genéticas, as doenças hereditárias são aquelas que podem ser herdadas de um ou ambos os pais e passadas para os descendentes. Assim, nem todas as doenças genéticas são hereditárias, porém todas as doenças hereditárias são genéticas e podem se manifestar desde o nascimento, ou não, somente ao longo dos anos.

“Como condições hereditárias que, mais uma vez, aumentam a chance de desenvolver câncer, estão as síndromes de Li-Fraumeni (caracterizada por múltiplos casos de tumores primários de início precoce), de Peutz-Jegher (múltiplos pólipos hamartomatosos aparecem no estômago, intestino delgado e colo) e de Cowden (surgem múltiplas lesões em pele, mamas e cérebro)”, informa Mariana Marcondes M. S. Pereira, médica pela Santa Casa de Misericórdia de Santos (SP) e oncologista da clínica Clinonco e do Hospital Municipal Dr. Mario Gatti, em Campinas (SP).

Para além de condições que predispõem câncer, também entram na lista, que não caberia inteira aqui, anemia falciforme (condição que provoca alteração anatômica nos glóbulos vermelhos), fibrose cística (afeta pulmões e sistema digestivo), hipercolesterolemia familiar (doença cardiovascular agressiva e prematura), osteogênese imperfeita (prejudica a formação correta dos ossos), hemofilia (compromete a formação de coágulos sanguíneos) e daltonismo (dificuldade em diferenciar certas cores).

Acesse o link do Portal UOL/VivaBem: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/08/23/doencas-congenitas-geneticas-e-hereditarias-voce-conhece-a-diferenca.htm

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Sarcopenia: como prevenir que pacientes oncológicos percam massa muscular?

O câncer pode afetar o estilo de vida e a composição corporal dos pacientes de várias formas.

A mais comum é a perda de massa magra e redução da massa proteica visceral. Esse processo é chamado de sarcopenia, sendo causado normalmente por:

– Ingestão inadequada de energia (carboidratos) e/ou proteínas;
– Má absorção intestinal de nutrientes;
– Distúrbios gastrointestinais;
– Uso de alguns medicamentos e anorexia.

A Sarcopenia está associada à diminuição da capacidade funcional, aumentando o risco de quedas e fraturas e ao aumento de infecções.

A melhor forma de prevenir a sarcopenia é exercitar-se fisicamente e seguir uma dieta equilibrada com orientação de um profissional adequado para ambas as funções.

Lembrando que qualquer atividade física deve ser avaliada pelo oncologista para autorizar apenas aquelas que irão oferecer benefícios sem riscos.

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Conhece as diferenças entre os tipos sanguíneos e a relação com doenças?

São muitos os tipos sanguíneos e quem os descobriu foi o médico e cientista austríaco Karl Landsteiner. No início do século 20, ele teve a ideia de misturar gotas de seu sangue e de outros colegas em laboratório, notando que as combinações causavam, ou não, a aglutinação dos glóbulos vermelhos. A partir daí obteve o sistema “ABO” e o Nobel de Medicina em 1930.

“Os grupos sanguíneos são classificados através da existência de proteínas específicas nas membranas das hemácias e que se expressam como antígenos ou aglutinogênios”, explica Ariette Luize Pires, hematologista do Hospital Português, em Salvador.

“Quando existe a presença dos antígenos A na superfície das hemácias, o sangue é classificado como tipo A. Quando existe a presença dos antígenos B, o sangue é tipo B. Quando presentes os antígenos A e B, o sangue é tipo AB. Agora, quando não existe a presença nem do antígeno A nem do antígeno B na superfície das hemácias, o sangue é classificado como tipo O ou zero”.

Por isso não se pode transfundir sangue em alguém sem saber seu tipo, as reações são graves. Para identificar é realizada uma tipagem sanguínea, processo de coleta e análise do sangue.

Sobre os sinais + ou – do tipo sanguíneo, a médica complementa que quando existe a presença de um outro antígeno no sangue, o D, esse é classificado como fator Rh positivo. Não estando presente, o sangue é fator Rh negativo. Rh vem de rhesus, macacos usados em testes iniciais.

Quem doa para e recebe de quem?

O sangue do tipo A é um dos mais comuns, sobretudo na Europa, onde está presente na maioria da população de países como Portugal, Suíça e Noruega, por exemplo. Sua maior frequência, porém, ocorre em algumas populações aborígenes da Austrália e de indígenas de Montana, nos Estados Unidos.

Se for A+ pode doar para AB+ e A+ e receber doação de A+, A-, O+ e O-. Já o tipo A- pode doar para A+, A-, AB+ e AB- e receber de A- e O-.

O segundo tipo de sangue, o B, ao contrário de A, é menos disseminado. “No Brasil é muito raro, não passa de 8% da população. No entanto, é mais comum na Ásia Central e em algumas regiões da Índia”, informa Fábio Pires dos Santos, hematologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esclarecendo que os tipos sanguíneos são determinados pelos genes e sua disseminação ocorreu com as migrações humanas pelo mundo por milhares de anos.

Por conter anticorpos contra A, B só pode receber doação de sangue de pessoas do tipo B ou O. Assim, B+ recebe de B+, B-, O+ e O- e doa para B+ e AB+. Quanto a B-, recebe de B- e O- e doa para quem é B+, B-, AB+ e AB-.

Se B é um sangue raro, AB é mais raro ainda. Paquistão, Japão e as duas Coreias são os países que mais o concentram, mesmo assim fica em torno de 10% de suas respectivas populações. Como não possui anticorpos em seu plasma, é compatível com sangue de qualquer tipo, mas com algumas limitações.

AB+ só doa para AB+ e recebe de todos (A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+, O-). No entanto, AB- pode doar para AB+ e AB-, mas só aceita receber se for A-, B-, O- e AB-.

Quanto ao tipo O, ele lidera em praticamente todo o mundo. Em Chile, Egito, Mongólia, Zimbábue ultrapassa 50% entre as populações. Não à toa também seja o doador universal. Porém, possui anticorpos anti-A e anti-B, só podendo receber sangue do mesmo tipo.

O+ doa para A+, B+, O+ e AB+ e recebe de O+ e O-. Já O- doa para A+, B+, O+, AB+, A-, B-, O- e AB- (todos) e recebe de volta apenas O-.

Maneiras de descobrir o seu

Os exames básicos para se descobrir o tipo sanguíneo (tipagem sanguínea ABO e Rh) são realizados pela maioria dos laboratórios de análises clínicas, utilizando produtos reagentes que identificam a presença dos antígenos que definem se os glóbulos vermelhos são A, B ou AB, incluindo fator Rh. E na ausência de antígenos A e B, conclui-se que as hemácias são do tipo O.

“Deve sempre ser feita a tipagem das grávidas e dos bebês quando nascem, pois embora hoje em dia tenhamos medicações para prevenir a incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto, esse problema pode levar a graves consequências [como aborto], se não detectado”, ressalta Carolina Kassab Wroclawski, hematologista pelo Hospital Israelita Albert Einstein e da clínica de oncologia médica Clinonco (SP).

É o teste do pezinho o exame que identifica o tipo sanguíneo de um recém-nascido. Mas em qualquer idade pode ser realizada uma tipagem, seja para detectar alguma doença ou em um check-up, por exemplo.

Em todos os testes é realizada a contraprova. Já nos bancos de doação de sangue há recursos mais avançados, para definir outros sistemas de grupos sanguíneos e incluir testes adicionais que têm por implicação aumentar a segurança das transfusões.

Correlações com doenças

Por falar em segurança, atualmente muitos estudos também tentam compreender a relação entre os tipos sanguíneos e doenças. Principalmente após cientistas europeus publicarem em 2020, no periódico científico The New England Journal of Medicine, que o tipo sanguíneo A pode elevar o risco de sintomas graves e complicações da covid-19.

O problema em si não seria o sangue, mas, sim, alterações genéticas contidas nele relacionadas a uma resposta inflamatória do organismo.

Mas o tema é recente e por isso mais estudos estão e devem ser desenvolvidos a respeito. De acordo com André Marinato, hematologista pelo HCFMRP-USP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) e consultor da Central Nacional Unimed, também já foi relatado pela American Heart Association que em pessoas dos tipos A e B a frequência de tromboses e doenças cardiovasculares é maior quando comparada com o grupo sanguíneo O. Assim como também a probabilidade para ter câncer de estômago.

Em se tratando do grupo O, Ariette Pires complementa que, em escala populacional (quando se observa e compara entre milhares de pessoas) e em pequeno grau de magnitude, estaria relacionado a uma predisposição aumentada para úlceras gástricas, tumores gastrointestinais e risco acrescido a agentes infecciosos.

Em contrapartida, a proteção contra malária seria mais eficiente. Já no grupo B, câncer de ovário e pâncreas, assim como em AB, onde a propensão de se ter problemas de memória e AVC sugere também ser maior.

“No entanto, isso não comprova relação de causa e efeito, ou seja, não se pode afirmar que o tipo sanguíneo é protetor ou causador de doenças, apenas que existem correlações, e a origem delas ainda precisa ser descoberta”, aponta Marinato.

“Os grupos sanguíneos poderiam servir de triagem inicial para medidas personalizadas de promoção de saúde e prevenção de doenças. Porém, estamos no começo. Até lá, é importante ressaltar que controlar fatores de risco reduz a incidência de doenças, independente do tipo sanguíneo”, finaliza o hematologista do HC de Ribeirão Preto.

Doe sangue

A doação de sangue é um gesto solidário de doar uma pequena quantidade do próprio sangue para salvar a vida de pessoas que se submetem a tratamentos e intervenções médicas de grande porte e complexidade, como transfusões, transplantes, procedimentos oncológicos e cirurgias.

Além desses casos, o sangue também é indispensável para que pacientes com doenças crônicas graves —como doença falciforme e talassemia— possam viver por mais tempo e com mais qualidade, além de ser de vital importância para tratar feridos em situações de emergência ou calamidades.

Uma única doação pode salvar até quatro vidas. Faça sua parte, independentemente de parentesco entre o doador e quem receberá a doação

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos e que estejam pesando mais de 50 kg. Além disso, é preciso apresentar documento oficial com foto e menores de 18 anos só podem doar com consentimento formal dos responsáveis.

Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente. No caso de covid-19, o critério mundialmente aceito é 30 dias após a melhora dos sintomas.

O procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro. Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, o que elimina qualquer possibilidade de contaminação.

Para doar sangue, basta procurar as unidades de coleta de sangue, como os Hemocentros da sua cidade, para checar se você atende aos requisitos necessários para a doação.

Existem impedimentos temporários e também impedimentos definitivos. No mais, basta estar imbuído pelo desejo de ajudar o próximo.

*Com informações do Ministério da Saúde

Acesse o link do Portal UOL/VivaBem: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/07/05/conhece-as-diferencas-entre-os-tipos-sanguineos-e-a-relacao-com-doencas.htm

 

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