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Consumir alimentos muito quentes pode provocar úlceras e até câncer

Se por um lado o ser humano ter aprendido a aquecer seu próprio alimento ajudou a espécie evoluir, por outro, com o passar do tempo, contribuiu para o aumento de problemas e doenças bucais e do sistema digestivo provocadas pelo uso extremo e excessivo do calor.

Esquentadas demais, bebidas, ou mesmo comidas sólidas, podem queimar o palato (céu da boca), a língua, causando sensação de dormência por um período curto, e mais, inchaços, inflamações e úlceras em mucosas e tecidos.

“O calor excessivo sobre a mucosa oral, por exemplo, provoca uma descamação, que, se for contínua, pode levar no longo prazo a uma lesão cancerígena. Seria o mesmo efeito do sol sobre a pele”, diz Marcos Moura, endodontista pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro da Associação Brasileira de Halitose.

Moura acrescenta que ardência contínua na região em que aconteceu a queimadura também é comum e no curto prazo as células descamadas da mucosa podem ainda se depositar sobre o dorso da língua, aumentando a saburra, uma secreção esbranquiçada ou amarelada, e com isso causar mau hálito (halitose), devido à fermentação das bactérias.

O hábito de se consumir alimentos muito quentes também pode causar câncer de esôfago. De acordo com um estudo científico publicado em 2019 no International Journal of Cancer, a ingestão diária de 700 mililitros de chá quente, a uma temperatura equivalente ou superior a 60ºC, eleva esse risco em cerca de 90%.

“Sabemos que na região sul do Brasil a incidência de câncer de garganta e esôfago é alta, e isso pode estar associado ao consumo de bebidas quentes, como o chimarrão”, observa Marcos Belotto, gastrocirurgião do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Esse tipo de consumo frequente causa lesões nos tecidos internos e, segundo o médico, pode se estender para o estômago também, embora o dano seja menor, pois a medida que o alimento passa de um órgão para outro, a temperatura diminui.

Durante um estágio inicial, pode não haver sintomas, mas as dores são sentidas em quadros mais avançados. Além disso, a associação da lesão ao tabagismo e ao alcoolismo pode agravar ainda mais a situação.

Certos alimentos são mais perigosos

Tudo que seja consumido a temperaturas extremas, para mais ou para menos, faz mal. Porém, alguns alimentos, quando superaquecidos podem provocar estragos maiores do que outros. São eles os líquidos, por entrarem e se espalharem mais rapidamente que os sólidos, e os alimentos condimentados, muito salgados e que fermentam e aumentam a acidez estomacal.

Na lista do que pode causar lesões por calor e, ao mesmo tempo, contribuir como fatores irritativos de órgãos não cicatrizados, ou inflamados estão: molhos industrializados, leite, café, frituras, vinho quente, certos tipos de chás, chocolate e sopas.

Às vezes, por causa da “queimação” frequente, a pessoa acaba recorrendo a medicamentos que combatem a produção de ácido, mas que por uso prolongado também podem favorecer a instalação de bactérias, como a Helicobacter pylori, que pode agravar gastrites, úlceras e levar ao câncer de estômago.

Frio também queima, mas menos

“Queimaduras pelo frio também podem ocorrer, mas o alimento gelado só chega a ‘queimar’ realmente se ficar muito tempo em contato com a pele ou a mucosa. Os danos não são os mesmos que os provocados pelos alimentos quentes, mas podem ocorrer”, acrescenta Daniela Balthazar, cirurgiã dentista e especialista em implantodontia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Em contato com comidas congeladas, é possível sentir desconfortos, como sensibilidade dentária (o que também pode ocorrer com o calor) em um ou mais dentes. Isso acontece quando a dentina (camada interna do dente) fica exposta, seja por desgaste, cárie, fratura, retração gengival, fazendo com que os estímulos de quente e frio atinjam o nervo, provocando dor.

Além disso, a queimadura por frio pode causar perda momentânea do paladar e atingir o esôfago e o estômago também, principalmente quando se toma água gelada em excesso.

Cuidados e tratamentos para lesões

A principal recomendação para evitar acidentes com alimentos quentes ou frios é esperar que eles fiquem em temperatura ambiente para poder consumi-los.

No caso dos líquidos, após a fervura é importante que sejam mantidos sobre uma superfície fria por cerca de cinco minutos antes de serem engolidos. Quanto menor seu volume, menor será o tempo de espera.

Fracionar as refeições também evita queimaduras extensivas, principalmente, se por um descuido, você não percebeu que o alimento estava “pelando” quando o colocou na boca.

Se deu o azar de se queimar, o tratamento indicado vai depender do grau da lesão. “Geralmente, a maioria dos casos é de queimaduras de primeiro grau e que não requerem ajuda especializada, melhorando após alguns dias. Ao sofrer uma queimadura de segundo ou terceiro graus, os tecidos sofrem danos mais sérios, portanto, precisam de cuidados clínicos específicos o quanto antes”, informa Juliana Brasil, dentista na clínica de oncologia médica Clinonco e especialista em estomatologia pelo Complexo Hospitalar Heliópolis, em São Paulo.

Na boca, caso a dor seja leve e não atrapalhe a fala nem a alimentação, manter uma dieta leve, isenta da ingestão de alimentos irritativos, e também os crocantes e os cítricos, evita grandes complicações e agiliza a recuperação natural.

Bochechar água fria por 2 a 3 minutos ou tomar sorvete ou iogurte não muito gelados também ameniza os sintomas. No momento da formação da lesão, não é indicado aplicar creme dental nem enxaguante bucal que contenha álcool, pois eles podem irritá-la ainda mais. Já a sensibilidade dentária pode ser tratada com cremes dentais específicos, mas, se persistente, deve ser investigada.

Queimaduras de segundo e terceiro graus, percebidas pela dor intensa e persistente e mudança de aspecto da mucosa, precisam de atendimento de emergência e tratamento com laserterapia infravermelha, analgésicos e outros medicamentos, com ação antibiótica, antisséptica e cicatrizante.

Independente do grau da lesão, a região precisa de higienização frequente para não haver contaminação, o que inclui dobrar a atenção com a escovação

Quanto ao esôfago e estômago, o cuidado principal, de acordo com Belotto, é evitar novas agressões para evitar doenças futuras e procurar um médico se houver sintomas frequentes, como dor e sensação de ardor.

“Existem remédios que ajudam na cicatrização desses órgãos, formando uma película de proteção. Geralmente, a recuperação leva até 30 dias”, diz.

Acesse o link do Portal Viva Bem (UOL): https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/07/consumir-alimentos-muito-quentes-pode-provocar-ulceras-e-ate-cancer.htm

 

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Abrir demais a boca pode desencaixá-la, sabia? Veja como e o que fazer

Imagine que cena desesperadora: você dá um bocejo com a boca bem estirada e, de repente, a parte inferior dela se solta e você não consegue mais fechá-la. Sim, isso é possível e pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer idade, sendo mais comum no início da fase adulta.

Chamado de “luxação de mandíbula”, esse quadro doloroso e repentino tem a ver com o desencaixar da mandíbula, a parte inferior do crânio que é móvel e fica presa em uma articulação chamada temporomandibular (ATM).

A ATM é uma “dobradiça” que conecta a mandíbula aos ossos temporais do crânio e que estão na frente de cada orelha. Ela permite que você mova a boca para cima e para baixo e de um lado para o outro, para que consiga falar, mastigar e bocejar.

“Existem pacientes com histórico de luxações de repetição, em especial aqueles que já têm uma frouxidão da mandíbula. Mas nada impede de se ter um desencaixe pela primeira vez e o mais comum é após um enorme bocejar”, esclarece Wendell Uguetto, cirurgião plástico da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

É que quando bocejamos, também fazemos um movimento involuntário de amplitude bucal que pode acabar distendendo a musculatura e a articulação para além do que estão preparadas.

Não queira bancar o Coringa

Em situações não tão comuns, mas possíveis, o desprendimento da mandíbula, de um ou ambos os lados, também pode dar o azar de ocorrer durante o ato de vomitar, em meio a um exame de garganta ou até procedimento dentário prolongado.

Há ainda relatos na literatura médica de deslocamentos decorrentes de tentativas fracassadas de morder alimentos maiores que a boca como sanduíches e de gargalhar excessivamente, com muita vontade.

“Vários fatores podem influenciar a luxação, cujos episódios podem ser agudos ou crônicos, a ponto de durar muitos anos”, afirma Marcus Yu Bin Pai, médico especialista em dor e acupuntura e pesquisador do departamento de neurologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

As chances são maiores principalmente em quem tem alguma disfunção na articulação ATM, que geralmente fica mais “mexida” (hipermobilidade). Estão propensos indivíduos que já sofreram algum trauma ou deslocamento nessa região, que apresentam alterações ou doenças inflamatórias articulares ou musculares, que rangem os dentes, roem unhas, estalam e usam a mandíbula excessivamente e geralmente de um lado só, ou cujos pais e avós já tiveram —e até mais de uma vez— a luxação mandibular, pois ela ainda pode ser genética e hereditária.

Podem contribuir ainda para o problema infecções no dente ou na região da face e condições anatômicas, como ter uma estrutura óssea mais alongada ou uma boca que abre mais que a da média da população. Até alguns medicamentos podem aumentar a pressão na ATM, como os antidepressivos tricíclicos.

“Por isso, as disfunções da ATM também têm relação com fatores emocionais, como estresse, ansiedade e tensão”, informa Juliana Brasil, dentista especializada em estomatologia pelo Hospital Heliópolis e da Clínica de Oncologia Médica Clinonco.

Se desencaixar, procure ajuda médica

Se não conseguir fechar a boca, não pense em tentar resolver a luxação sozinho, mesmo com alguém para auxiliar. O caso, embora não seja de vida ou morte, como asseguram os médicos, é uma urgência e precisa ser solucionado em poucas horas e no pronto-socorro.

“O risco maior é que o osso, uma vez fora da articulação, perca a vascularização e comece a necrosar. Há também probabilidade de infecção, que se não tratada pode piorar”, alerta Uguetto.

No aspecto, a boca pode ficar entreaberta (com o queixo para frente e até um pouco torcido de lado) ou fechada e travada. “O bloqueio aberto pode ocorrer quando a mandíbula é deslocada e pode requerer sedação para reposicioná-la. Um bloqueio fechado geralmente é causado por um problema com a mordida, quando os dentes superiores e inferiores se encontram, e pode ser corrigido com o uso de aparelhos, placas de mordida e exercícios específicos para essa região”, comenta Yu Bin Pai

Podem ocorrer também travamentos temporários. Por terem uma duração curta, de alguns minutos, a pessoa então passa a ignorar o problema, já que ele se resolveu sozinho, mas ainda assim os médicos alertam para a importância de se investigar a causa.

É caso de recolocar ou operar

No hospital, o paciente em caso de urgência então é avaliado por um dentista ou cirurgião crânio-maxilo-facial ou buco-maxilo-facial e submetido a uma manobra de recolocação da mandíbula.

“O médico sentado de frente para ele introduz dois dedos no interior de sua boca e com eles no fundo dela tracionam a mandíbula para baixo e depois para cima e para trás com força até que volte à posição original”, explica Juliana Brasil.

Quando não é possível fazer isso com o paciente acordado, pois ele nervoso e com muita dor acaba contraindo a musculatura da mordida, é preciso encaminhá-lo para o centro cirúrgico, onde o encaixe será realizado sob sedação.

“A frequência desses episódios também cria a necessidade de uma provável cirurgia. Se forem vários ao longo do ano e graves, essa é a única forma de tratar o problema e que se concentra em corrigir alterações anatômicas ou de doenças articulares”, informa Gabriel Pastore, coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em algumas situações, com a mandíbula já restabelecida e sem cirurgia, os médicos podem querer ainda imobilizá-la com faixas de gaze em volta da cabeça (bandagem de Barton). O objetivo do procedimento é oferecer conforto, orientação postural e limitar provisoriamente os movimentos da boca para não causar outra luxação enquanto a inflamação não passa.

“Porém, as luxações não são tratadas com o bloqueio da abertura bucal. No início, tratamos com fisioterapia, exercícios para fortalecer a cápsula articular e toda a musculatura que envolve essa articulação e mudança de alimentação, que precisa ser mais macia e líquida para reabilitar a articulação sem correr riscos e evitar cargas excessivas”, completa Pastore.

Acesse o link do Portal Viva Bem (UOL): https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/30/abrir-demais-a-boca-pode-desencaixa-la-sabia-veja-como-e-o-que-fazer.htm

 

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Saúde mental no tratamento do câncer de mama

Segundo relatório do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), apenas no Brasil, são estimados 66.280 novos casos de câncer de mama para cada ano de 2020 a 2022 (aproximadamente 61 diagnósticos a cada 100 mil mulheres). Por isso, foi selecionado um mês (outubro) para conscientização sobre a doença. Mas, independente da data, é importante falarmos sobre câncer de mama, desde a prevenção até a cura. A seguir, especialistas explicam um pouco sobre a doença, como identificar de maneira precoce e a importância do cuidado com a saúde mental durante todo o tratamento — desde a descoberta.

Câncer de mama: Quebrando o tabu

Antes de mais nada, vamos relembrar o que é câncer de mama? Segundo informações do INCA, a doença surge da multiplicação desordenada de células da mama, o que resulta em células anormais que também se reproduzem e formam tumores.

A gente sabe que falar em doença, sobretudo câncer, pode assustar, mas é preciso quebrar esse tabu. Embora sua incidência seja alta, o volume de estudos é enorme, por isso a gama de tratamento também é maior. “O exame de prevenção muitas vezes detecta o câncer de mama em uma fase em que ele ainda nem formou o módulo, com isso as chances de cura são muito elevadas”, afirma Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e membro titular de mastologia do Hospital Sírio Libanês.

O problema é que muitas mulheres deixam de fazer esses exames. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE a pedido da Pfizer mostrou que 72% das mulheres entrevistadas vão ao ginecologista ou ao mastologista pelo menos uma vez ao ano. Contudo, uma em cada quatro respondeu que não conversa com o médico sobre prevenção, nem recebe orientações sobre a importância do checkup anual e do autoexame. Além disso, com a pandemia do coronavírus, 62% deixaram de fazer exames de rotina para detecção de câncer de mama.

Autoexame

Você já olhou os seus seios hoje? Quanto melhor você conhece e observa o seu corpo, mas fácil fica perceber qualquer alteração.

    . Perceba as formas do seus seios;

    . Note o tamanho do seu seio (e isso pode mudar de acordo com a fase do ciclo menstrual);

    . Observe os seus mamilos (formato e textura);

    . Apalpe o seu seio até a região da axila, sentindo bem o seu corpo.

Então, preste atenção aos sinais de alerta apontados por Alexandre:

    . Nódulos endurecidos na mama, principalmente se forem fixos;

    . Deformidades na pele;

    . Inversão ou retração do mamilo;

    . Saída de secreção similar ao sangue;

    . Saída de líquido com aspecto cristalino.

Notou alguma coisa de diferente? Vá ao médico!

Diagnóstico precoce do câncer de mama

Embora o autoexame seja uma medida preventiva, a mamografia e o ultrassom das mamas são ainda mais indicados para o diagnóstico precoce da doença, pois podem mostrar que existe algo a dar atenção antes mesmo do tumor ser palpável. Por isso, lembre-se de marcar uma consulta para realizar os seus exames de rotina.

No Brasil, segundo o mastologista, os exames em pacientes de baixo risco começam aos 40 anos, sendo realizados uma vez por ano até os 70 ou 75 anos. Já, em pacientes com histórico familiar, sobretudo com casos em parentes de primeiro grau, o acompanhamento começa, via de regra, 10 anos antes do caso mais jovem de câncer na família. Ou seja, se a pessoa mais jovem a ter câncer foi diagnosticada aos 40 anos, o acompanhamento se inicia aos 30. Nesses casos, pode ser associada a ressonância magnética, para uma análise mais aprofundada.

“Quanto antes descobrirmos, melhor. Quando se trata de câncer de mama, falamos em 90% de cura em casos diagnosticados em fases iniciais”, ressalta Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein e diretor científico do Oncoguia.

Tratamento e acompanhamento psicológico

“De forma geral, temos os tratamentos locais (cirurgia e radioterapia), que não afetam o resto do corpo, e os tratamentos sistêmicos (como quimioterapia e imunoterapia), que se referem ao uso de medicamentos administrados por via oral ou venosa a fim de atingir as células cancerígenas em qualquer parte do corpo”, explica Idam de Oliveira Junior, médico mastologista do Hospital do Amor, em Barretos. O que vai determinar quando será usado um ou outro são diversos fatores (como avanço da doença, por exemplo) e seu médico é quem vai saber indicar o melhor para você.

Mas é importante notar que o tratamento do câncer deve feito de maneira multidisciplinar, já que o diagnóstico da doença pode ter inúmeros impactos para a paciente, seus familiares e toda a sua rotina. Segundo estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute, dos Estados Unidos, há evidências de aumento de ansiedade, depressão, suicídio, disfunções neurocognitivas e sexuais em mulheres com câncer de mama até mesmo após a cura.  Por isso, o acompanhamento psicológico é tão importante quanto os demais, antes, durante e depois do tratamento.

“O psicólogo oncologista (psicólogo clínico com especialização na área de oncologia) vai poder acolher esse paciente e sua família, orientando, informando e usando todo o seu saber para que os momentos dessa travessia (entre diagnóstico, tratamento e estabilização da doença) transcorra de forma sustentável”, explica a psicóloga  com experiência na área de psicologia hospitalar e psicologia da saúde Sonia Maria Campos Pittigliani Ferreira, da clínica de psicoterapia online Telavita.

Saúde emocional no tratamento do câncer de mama

Desde o momento da descoberta da doença, o acompanhamento psicológico é importante para trabalhar o impacto emocional da condição. “O câncer pode ocasionar uma ruptura com o próprio corpo, baixa autoestima, medo de rejeição, comprometimento dos relacionamentos interpessoais e sociais, questionamento sobre a vida após a doença, além do medo da morte”, explica Kamila Panissi, psicóloga do Hospital do Amor. “Dessa forma, o psicólogo irá auxiliar a paciente a reestruturar-se e encontrar estratégias funcionais para enfrentar o estigma da doença e todo o seu tratamento.”

Segundo Marília Zendron, psico-oncologista da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco),  esse profissional buscará entender ainda o contexto em que a doença foi diagnosticada. “Algumas mulheres já possuem um histórico familiar — ou tiveram contato com alguém que já recebeu o diagnóstico de câncer — e isso pode trazer medos e angústias de repetir algo já vivido”, comenta a especialista.

Assim como o tratamento médico, ter tranquilidade para lidar com esse período é essencial, por isso faz parte desse processo verificar e entender os recursos de cada paciente para lidar com essa situação. “O paciente pode ter como recurso a troca de experiências com outras pessoas que já passaram por um tratamento, o suporte da família e de amigos, o apoio de uma crença ou religião, a leitura, ou, até mesmo, a busca de maior conhecimento sobre a doença. Em outros casos, no entanto, o especialista precisa apresentar novas alternativas para que ela possa lidar com os momentos difíceis dessa fase”, analisa Marília.

Ainda falando em suporte familiar, uma rede de apoio pode fazer toda diferença nesse processo. Uma pesquisa publicada no Journal of the Psychological, Social and Behavioral Dimensions of Cancer, mostrou que mulheres que contaram com o apoio do parceiro, filhos ou outros membros da família sofreram menos com ansiedade e depressão durante o tratamento do câncer de mama. “Não se trata de ‘ficar em cima’ o tempo todo, mas de estar à disposição, ajudar nas pequenas coisas, evitar que o câncer seja o tema constante das conversas e manter o resto da vida (entretenimento, intimidade, vida familiar, discussão de outros assuntos) ativa e presente”, explica o oncologista Rafael Kaliks.

A vida pós-câncer

Mesmo após o tratamento do câncer, muitas mulheres seguem com o medo do retorno da doença. Por isso, ainda é necessário manter o diálogo aberto e consciente sobre o assunto. “O término do tratamento e o período de controle da doença podem trazer sentimentos ambíguos à paciente, pois ao mesmo tempo em que ela fica feliz por não ter que fazer a quimioterapia e sentir os efeitos colaterais do tratamento, existe o receio da doença voltar e a preocupação da retomada da vida após o período em que esteve se cuidando”, comenta a psicóloga oncologista Marília Zendron.

Segundo a especialista, a paciente deve ter em mente que, realmente, os cuidados com a saúde devem aumentar, afinal ela estará mais atenta ao seu corpo. No entanto, é importante ressaltar que nem tudo será um sintoma de câncer. “A mulher continuará tendo dores de cabeça, dores de barriga, gripe e assim por diante”, acrescenta. “Por isso, quanto mais a ela enfrentar os sentimentos que surgirem d puder falar sobre eles, mais ela saberá lidar com essas questões e poderá ver estratégias para enfrentá-los de outra maneira”, finaliza Marília.

Acesse o link do Portal da Revista Boa Forma: https://boaforma.abril.com.br/especiais/saude-mental-no-tratamento-do-cancer-de-mama/

 

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Cada vez mais casos de câncer de tireoide são diagnosticados desnecessariamente, alerta OMS

A rápida aceleração do número de casos de sobrediagnóstico do câncer de tireoide no mundo já afeta a mais de 1 milhão de indivíduos em dezenas de países, aponta um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Esse crescente aumento observado nas últimas décadas afeta mais diretamente mulheres de meia-idade e às expõem a males desnecessários, como a extração completa da glândula e a tratamentos permanentes.

Nos Estados Unidos, o câncer de tireoide está aumentando em incidência mais rapidamente do que qualquer outro câncer, com um número estimado de 65 mil indivíduos diagnosticados em 2016, de acordo com o National Cancer Institute. Até o final de 2020, o câncer de tireoide – que tende a afetar jovens e pessoas de meia idade – deverá se tornar o terceiro câncer mais comum entre as mulheres.

Câncer de tireoide

Publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, o estudo envolveu 26 países e foi dirigido por cientistas do Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Circ/Iarc), com sede em Lyon, França, em colaboração com o Instituto Nacional do Câncer de Aviano, na Itália.

Mais de 1 milhão de indivíduos podem ter sido sobrediagnosticados com esse tipo de câncer entre 2008 e 2012 nesses 26 países.

A proporção estimada de casos de câncer de tireoide entre mulheres atribuível a um sobrediagnóstico entre 2008 e 2012 foi de 93% na Coreia do Sul, 91% em Belarus, 87% na China, 84% em Itália e Croácia e 83% em Eslováquia e França.

Entre 2008 e 2012, os sobrediagósticos entre as mulheres afetaram 390 mil na China, 140 mil na Coreia do Sul, 120 mil nos Estados Unidos, 31 mil na Itália e 25 mil na França.

Segundo o estudo, a incidência do câncer de tireoide seguiu aumentando entre 1998-2002 a 2008-2012 em todos os países estudados.

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo apontam fortemente que a grande maioria dos diagnósticos de câncer de tireoide no mundo se deve a um sobrediagnóstico.

O médico Salvatore Vaccarella, do Circ/Iarc, que conduziu o trabalho, destacou a necessidade urgente de acompanhar de perto a evolução mundial do sobrediagóstico, visto o seu alcance, e “o impacto das diretrizes recentes, que, agora, recomendam explicitamente que não se detecte este tipo de câncer em pessoas assintomáticas”.

Em estudo anterior, os pesquisadores do Circ/Iarc estimaram em mais de meio milhão o número de pessoas que teriam recebido um sobrediagnóstico de câncer de tireoide entre os anos de 1988 e 2007 em 12 países ricos.

O impacto do sobrediagnóstico

Este sobrediagnóstico resultante tem sido invariavelmente acompanhado por tratamentos excessivos e arriscados. De acordo com a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF), os riscos associados à triagem do câncer de tireoide em adultos assintomáticos, provavelmente, superam os seus benefícios potenciais.

Além disso, ainda cresce o apoio a estratégias mais conservadoras e sob medida para os riscos de aparecimento individuais desta doença incluindo observação de indivíduos de maior risco por incidência de câncer de tireoide em familiares, exposição anormal pregressa aos raios X, entre outros fatores conhecidos.

Segundo o médico Artur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor científico da Clinonco, nas últimas três décadas foram observados aumentos constantes e mundiais na incidência de câncer de tireoide. Contudo, a mortalidade, segue em baixa.

“Tal como aconteceu com o câncer de próstata, a quase totalidade do crescimento de novos diagnósticos se deve a tumores pequenos e de baixo risco de morte, e que antigamente não eram identificáveis pelos métodos de diagnóstico. De fato, essas taxas de incidência crescentes parecem quase inteiramente devidas ao aumento do diagnóstico de câncer de tireoide diferenciado e, em particular, do tipo papilar. As taxas de incidência dos demais tipos câncer de tireoide permaneceram relativamente estáveis ​​nos últimos 30 anos, o que poderiam, eventualmente, ser responsáveis por prognósticos mais graves. Contudo, o uso crescente de técnicas de imagem, procedimentos de biópsia como, por exemplo, a aspiração por agulha fina (PAAF) e a observação médica mais cuidadosa, juntamente com o melhor acesso aos cuidados de saúde, facilitou a detecção dos tumores pequenos e menos graves”, explicou o especialista em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.

Riscos

O câncer da tireoide é uma doença muito comum, porém apresenta baixa letalidade, particularmente nos subtipos de câncer bem diferenciados, que são as formas mais comuns. Contudo, o sobrediagnóstico que vem acontecendo pode levar a tratamentos, muitas vezes, desnecessários e também perigosos.

“As cirurgias que são indicadas no tratamento desta doença podem, com certa frequência, acarretar alterações permanentes no timbre da voz, câimbras, variações no peso, arritmias, entre outros. O fato de não termos conseguido modificar a mortalidade do câncer da tireoide, apesar de do maior número de diagnósticos de câncer, sugere que o mesmo ocorreu por encontrar formas não letais de câncer nestes exames de rotina, além de incentivarmos procedimentos médicos desnecessários. Esta discrepância sugere que devemos evitar realizar exames de rotina em pacientes assintomáticos”, alertou o oncologista Artur Malzyner.

Acesse o link do Portal PEBMED: https://pebmed.com.br/cada-vez-mais-casos-de-cancer-de-tireoide-sao-diagnosticados-desnecessariamente-alerta-oms/

 

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Câncer de esôfago: excesso de peso e álcool favorecem o problema

O câncer de esôfago é um tipo de doença que acontece quando as células cancerígenas se desenvolvem no esôfago, uma estrutura semelhante a um tubo que vai da garganta ao estômago.

 

Os cânceres que começam no esôfago são muito mais comuns nos homens do que nas mulheres. Muitos desses cânceres estão ligados ao uso de tabaco ou álcool ou ao excesso de peso corporal. Saiba mais.

 

O que é câncer de esôfago?

 

É um câncer que começa nas células que formam todo o canal do esôfago (desde a baca e garganta até o estômago), a função dele é carregar a comida (não processa) por seu canal musculoso até o estômago.

 

Na transição do esôfago para o estomago existe uma válvula de separação (esfincter), para que a comida não volte do estômago. E com o câncer na região, afeta a válvula e permite o refluxo retrógrado da comida.

 

Com o aumentar do refluxo, o esôfago começa a receber conteúdo de natureza diferente da que está acostumado (está adaptado para levar comida apenas com o processamento da saliva) e isso causa queimação, em longo prazo pode causar o câncer.

 

Fatores de risco

 

A obesidade é um dos principais fatores que causam câncer de esôfago, já que provoca refluxo. Essa mudança da dinâmica usual do esôfago, pode provocar pressão grande e violenta na válvula que controla o conteúdo gástrico do esôfago para o estômago.

 

Além disso, o uso excessivo de bebidas alcoólicas e tabaco, são fatores importantes que podem causar o câncer, além da Doença de refluxo gastroesofágico, que está frequentemente associada a obesidade.

 

Quais são os sintomas?

 

Quando o câncer de esôfago está em estágio inicial, não apresenta sinais. Com sua progressão, os principais sintomas são:

 

. Refluxo gastroesofágico

 

. Queimação e azia

 

. Dificuldade e dor para engolir, conforme cresce o câncer e obstrui a passagem do alimento

 

. Náuseas e vômitos

 

. Perda de apetite

 

. Detecção precoce ajuda como?

 

. Detecção precoce aumenta probabilidade de cura para a doença. Quando o problema está só no esofago, a chance de cura é bem maior que quando espalha para os gânglios e outros órgãos.

 

Segundo Artur Malzyner, quando está só no esôfago, a chance de cura é de 50%, ao passar para outros órgãos, ela fica praticamente zero, podendo ser mortal, já que o tratamento não pode sustentar a doença em longo prazo.

 

Para diagnosticar, é realizada uma endoscopia digestiva (esofagoscopia), nela é possível observar a presença câncer ou áreas de irritação. Com a biópsia, é confirmado se há ou não câncer, já que é analisada a amostra de tecido do esôfago para perceber se têm células cancerígenas.

 

É comum descobrir o câncer de esôfago durante o exame de endoscopia, sem que haja a suspeita de câncer (como no caso de Mamma Bruschetta).

 

Isso acontece porque é uma doença associada a obesidade, refluxo e outros problemas que demandam o exame endoscópico.

 

Tratamento para câncer de esôfago

 

O câncer de esôfago é grave e se espalha rapidamente por outros órgãos (metástase). Então, quanto mais tempo se leva para detectá-lo, menor é a sua curabilidade.

 

Quando o câncer está só na mucosa, sem invadir as camadas mais profundas do esôfago, pode ser feita a mucosectomia endoscópica e, com a raspagem da mucosa, a pessoa pode ficar livre do câncer.

 

Em tumor descoberto muito precocemente, que o paciente apresenta câncer apenas na mucosa, é possível a remissão da doença com apenas com mucosectomia endoscópica, em que é feita uma raspagem da mucosa.

 

Assim a pessoa fica livre do câncer. Porém esses são casos raros, a maioria deles são mais agressivos e isso não é possível, sendo necessário o tratamento intervencionista, que é a cirurgia.

 

Cirurgia para câncer de esôfago

 

Ela funciona com a retirada do segmento doente e aproximação daquilo que sobrou do esôfago para baixo, unindo com o estômago ou puxando o estômago para cima, mantendo a conexão do tubo digestivo.

 

O tumor mais próximo do estômago permite maior aproximação. Então, se resseca o segmento do tumor no esôfago envolvido pelo câncer e aproxima as partes para manter a integridade do tubo digestivo sem alterar a fisiologia da pessoa.

 

Quando o tumor é mais para cima, o tratamento mais frequente é a radioterapia, que tem chance menor de cura, mas serve para não ser preciso uma cirurgia muito radical e invasiva.

 

Além disso, deve-se fazer tomografia e ressonância magnética para saber se os gânglios regionais estão afetados.

 

Se eles não estão doentes (sem metástase), o tratamento é retirar a parte do esôfago doente e retirar os gânglios em volta do tumor. Usa-se em geral a quimioterapia pós-operatória para reduzir a possibilidade de recaída.

 

Fontes: Oncologista Artur Malzyner, consultor científico da CLINONCO (Clínica de Oncologia Médica) e médico oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein – CRM 20456

 

Acesse o link do Portal Ativo: https://www.ativosaude.com/saude/cancer-de-esofago/

 

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Dores de cabeça, pescoço e rosto podem ser culpa do bruxismo de vigília, que atinge 80% dos brasileiros

 

Dor nas costas, de cabeça, de estômago… Você conhece bem os efeitos do estresse no seu corpo, mas existe um sintoma que frequentemente passa despercebido: o bruxismo de vigília. Nunca ouviu falar? E se colocarmos nestas palavras: apertar ou ranger os dentes, tensionar o maxilar sem perceber enquanto trabalha, estuda ou vê as notícias? Se identificou? Você não está sozinho, cerca de 80% brasileiros sofrem com o bruxismo de vigília.

 

 

Bruxismo noturno X bruxismo de vigília

 

O bruxismo do sono já foi considerado o grande vilão dos distúrbios de ATM (articulação temporomandibular) porque durante a noite o rangimento ou apertamento dos dentes é de alta intensidade, mas baixa frequência. Já o bruxismo de vigília (ou diurno) costuma ser de baixa intensidade, porém alta frequência. Ou seja, você sobrecarrega essa articulação com menos força, porém, faz isso por mais tempo.

 

“Diferente de ranger os dentes durante a noite, o bruxismo de vigília é caracterizado pelo hábito de apertar ou encostar sutilmente os dentes ou até tensionar a mandibular de forma inconsciente durante a vigília, acordado!”, explica o Dr. Alain Haggiag, cirurgião dentista, diretor clínico da LIVA. “Uma das características mais importantes é que esse comportamento é quase sempre inconsciente; o paciente não percebe que está apertando os dentes ou contraindo a musculatura da face e da cabeça. Normalmente a pessoa permanece por períodos longos fazendo isso, principalmente em momentos de tensão, estresse ou até mesmo quando está concentrada lendo um livro, estudando, usando o computador ou assistindo TV”, completa o médico.

 

Sintomas e consequências

 

O bruxismo é uma atividade realizada pelos músculos da mastigação sem nenhuma função prática para o corpo. E existem dois tipos o cêntrico e o excêntrico. “Existem pacientes que apertam os dentes e pacientes que apertam e rangem os dentes. Nas duas situações caracterizamos como bruxismo, isto é, movimentos involuntários da musculatura”, explica o Dr. Alessandro Silva, mestre e doutor em cirurgia buco-maxilo-facial pela USP e Unicamp e diretor da clínica Maxilart.

 

E pior, além de ser inútil, ele pode trazer diversas consequências “como lesões orofaciais (pele, ossos, dentes e músculos da face e da cavidade oral), desgastes dentários, lesão periodontal (área da gengiva e base dos dentes), distúrbios da articulação temporomandibular (ATM) e dor muscular. O quadro clínico ainda pode envolver alterações na musculatura mastigatória, fadiga, mialgia (dor muscular), miosite (inflamação nos músculos que causa fraqueza), assimetria na atividade muscular e comprometimento das funções”, explica Dra Juliana Brasil, estomatologista da Clínica de Oncologia Médica Clinonco.

 

Para saber se você corre esses riscos, fique atento aos sintomas: estalido no maxilar ao abrir a boca, dores de cabeça que se tornam frequentes, dores musculares e nos maxilares, cansaço ou desconforto durante a mastigação e dores na boca que irradiam para cabeça . “O bruxismo é uma problema crônico, mas que pode ser controlado. O principal é descobrir a causa e iniciar o quanto antes algum tratamento”, completa Juliana.

 

Causas

 

O bruxismo em vigília pode estar relacionado a algumas cefaléias – tipos específicos de dor de cabeça. “Ele se associa com cefaleia do tipo tensional e cefaléia diária. E é uma comorbidade frequentemente encontrada na enxaqueca”, explica a Dra Aline Turbino, neurologista mestre em neurociências pela Unifesp-SP. “O toque leve e constante dos dentes é um hábito presente em 52% dos pacientes com DTM e Cefaleia e o bruxismo de vigília é 4 vezes mais frequente que o bruxismo do sono em pacientes portadores de cefaleia. Ele também pode aparecer como efeito colateral de algumas medicações, como as utilizadas no tratamento da ansiedade; em usuário de drogas como a cocaína, por exemplo; e em pacientes que sofrem de alterações neurológicas (paralisia cerebral, Parkinson)”, pontua o Dr. Alain Haggiag. No entanto, ansiedade e estresse também podem desencadear o bruxismo de vigília – e esses dois sentimentos estão em alta nesses meses de pandemia, não é mesmo?

 

Tratamentos

 

Muitas pessoas podem demorar anos para ter um diagnóstico preciso de bruxismo de vigília. Por isso é muito importante relatar ao seu dentista se sofre de dor na região das têmporas e da face e também sobre hábitos que parecem não ter relação, como roer unhas, mascar chicletes e morder canetas e é claro, se mantém os dentes encostados durante o dia. O cirurgião dentista da LIVA explica que a distância ideal entre os incisivos maxilares e mandibulares, na posição vertical, deve variar de 1 a 4 milímetros. “É uma posição em que os músculos elevadores e depressores da mandíbula estão em repouso. Nesta posição as dores musculares, cefaleia e tensão tendem a diminuir.”

 

É importante saber que não existe um único tratamento para a cura do bruxismo. O indispensável é entender a causa esse bruxismo. “Se for um bruxismo causado por desarmonia dos dentes, às vezes a estabilização da mordida pode deixar o paciente numa situação de equilíbrio. Se ele tem um bruxismo causado por problema respiratório (apneia obstrutiva, por exemplo), o tratamento da apneia – por procedimento cirúrgico ou outros – pode fazer com que desapareça. Mas existem casos de ordem central e psicossomática, que às vezes permanecem mesmo depois de eliminado o problema, e nesses casos o tratamento é paliativo, para minimizar os efeitos colaterais desse problema”, explica o Dr. Alessandro Silva.

 

Todo tratamento de bruxismo começa pela observação detalhada, controle de ansiedade, estresse e tentativas naturais de melhorar a qualidade de vida. A estomatologista Juliana Brasil, da Clinonco indica que meditação, yoga, massagens faciais e sono reparador podem ajudar a melhorar e controlar esse gatilho. “Se essas tentativas não surtirem efeito entram em cena os tratamentos mais específicos como o uso de placas miorrelaxantes (espécie de aparelho plástico usado nos dentes), aplicação de toxina botulínica, acupuntura e laser acupuntura, além do chamado biofeedback, que ajuda o paciente a controlar os hábitos diurnos”, ensina Juliana.

 

Este último, muito simples, consiste em colar um post-it no computador, na geladeira, no carro ou em aplicativos e alarmes de celular com a mensagem em: Não apertar os dentes! Na clínica LIVA, do Dr. Alain Haggiagdica há ainda um tratamento novo, que consiste na colocação (não invasiva) de um dispositivo que fica dentro da boca, monitorando as contrações, ajudando o paciente a reverter o hábito através de conscientização do gesto e reeducação.

 

“Após longos e frutíferos anos de pesquisas, iniciadas na Universidade de Paris em 2004 e complementadas na Faculdade de Odontologia da USP e no Hospital das Clínicas da Faculdade de medicina da USP, desenvolvi um tratamento reversível, não invasivo, que não requer o uso de nenhuma substância química e que, por consequência, não apresenta praticamente nenhuma contra indicação. Em aproximadamente 45 dias a maioria dos pacientes deixam de ter o gatilho”, acrescenta o Dr. Haggiag.

 

O Dr. Alessandro Silva dá a orientação final: “quando falamos em bruxismo precisamos ter um tratamento interdisciplinar que envolve a participação de alguns profissionais: cirurgião dentista, clínico geral, cirurgião buco maxilo, às vezes um ortodontista, otorrinolaringologista, psicólogo para entender as reações psicossomáticas, e dependendo do diagnóstico um psiquiatra também. O mais importante é que o paciente seja acompanhado de perto por um profissional que tenha ampla experiência sobre o assunto.”

Acesse o link do Portal Yahoo!: https://br.vida-estilo.yahoo.com/bruxismo-de-vigilia-brasileiros-091951174.html

 

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Entenda o melanoma: câncer de pele agressivo que provocou a morte de Roberto Leal

RIO – O melanoma, causa da morte do cantor português Roberto Leal , é um tipo de câncer de pele menos comum, mas muito agressivo e que, na maioria dos casos, leva à metástase e depois à morte.

Existem dois grandes grupos de câncer de pele, muito diferentes entre si: o primeiro é o carcinoma de pele, que representa cerca de 90% dos casos. Ele aparece em decorrência do sol e tem crescimento local, lento, muito raramente emite metástase e tem muitas opções de resolução. O segundo grupo é o do melanoma, que representa cerca de 7 mil casos por ano, mas dos quais 2 mil, ou 30%, vão levar à morte.

— O motivo da estranheza é: como é que um câncer de pele, uma bobagenzinha que a gente vê, pode matar uma pessoa? É uma doença que teoricamente poderia ser caracterizada muito precocemente. Mas o melanoma é uma lesão de pele cujo maior problema é o aprofundamento. Continua sendo uma pintinha, mas vai penetrando feito uma escavadeira de metrô. Invade vasos linfáticos e vai se veiculando para outros órgãos, mesmo antes de ser uma pinta muito feia. Infelizmente às vezes quando é detectado, já é tarde — afirma o oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor científico da Clínica de Oncologia Médica, em São Paulo, Artur Malzyner.

A irradiação ultravioleta do sol é a principal causa do melanoma. Há indícios de que seja mais frequente nas áreas do globo onde a insolação é maior e no grupo de risco, pessoas de pele clara e origem europeia.

Um médico treinado, seja dermatologista, oncologista ou clínico-geral, pode identificar se uma pinta é uma lesão suspeita ou não. Por isso, segundo Malzyner, é importante que as pessoas façam revisões periódicas e, se possível, passem pela dermatoscopia, exame que não só detecta a malignidade das pintas, como compara sua evolução ao longo dos anos.

Se o melanoma foi diagnosticado e há metástase detectada ou alto risco de desenvolvê-la, a melhor opção é a imunoterapia.

— Esse tratamento revolucionou o melanoma. Era sistematicamente letal para todos que tinham metástase, mas hoje já se consegue regressão em número expressivo, de 30 a 45% dos casos. Infelizmente não é acessível para todos e menos da metade dos pacientes que vão ter acesso vão ficar bem. Os outros 55 a 70% vão ter evolução do câncer. É uma doença muito agressiva.

Pintas com nuances e tonalidades diversas dentro dela, que crescem de repente, sangram ou surgem de repente são alvo especial de atenção.

 

Acesse o link do Portal O Globo: https://oglobo.globo.com/sociedade/entenda-melanoma-cancer-de-pele-agressivo-que-provocou-morte-de-roberto-leal-23949996

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Gratidão de Claudia Pastor, ex-pivô da seleção, vai além das palavras

Em 2016, a ex-jogadora de basquete Claudia Pastor iniciou uma campanha nas redes sociais para conseguir recursos para o tratamento de seu filho, Maurílio. O problema eram crises diárias em que quase perdia a consciência e não sabia onde estava. Ela decidiu leiloar a medalha de prata que havia conquistado nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, ao lado de Magic Paula e Hortência.

Claudia arrecadou R$ 35 mil, contou com a ajuda de amigos – esportistas e anônimos – e conseguiu os cerca de R$ 100 mil de que precisava para a cirurgia na França. Aos 16 anos, o menino está praticamente curado. Claudia se tornou aluna de Direito e quer desenvolver um projeto de assistência jurídica para famílias que precisam de tratamento médico no exterior.

Essa é a trajetória recente dessa ex-pivô de 47 anos, sorridente e que disfarça a altura de 1,90 m sempre com sapatos rasteiros. Mas alguns detalhes da história merecem mais atenção. O primeiro é a doença de Maurílio.

Durante anos, o garoto passou por médicos, psicólogos, neurologistas e psiquiatras. Nenhum dele soube dizer a origem das crises. A resposta veio da Unicamp. O nome correto da doença é Hamartona Hipotalâmico. É um tumor benigno no hipotálamo, uma das mais importantes estruturas do sistema nervoso central e responsável pelo controle das emoções e comportamento. Desde pequeno, o menino sentia um mal-estar, rigidez muscular e confusão no raciocínio. Isso acontecia umas três vezes por dia. “Não sentia nenhuma dor, mas perdia minha consciência e perguntava: ‘mãe, onde estou?’”, diz o adolescente.

Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco), explica que a doença é rara e pode ser tratada clinicamente. “A cirurgia é delicada, pois envolve uma área de difícil acesso no cérebro”, explica o especialista. “Depois da cirurgia, eu me sinto uma pessoa normal. Antes, não andava sozinho e tinha medo de acontecer alguma coisa”, diz Maurílio.

A MEDALHA QUE SE FOI

Cláudia Pastor não tinha recursos financeiros para a cirurgia, que deveria ser realizada na França. Em 2016, o país era um dos poucos que oferecia a cirurgia robótica, ideal para corrigir o tumor em um local delicado como o hipotálamo. Para custear a viagem, ela fez um leilão da medalha de prata que havia conquistado na Olimpíada de 1996. “A medalha foi arrematada por R$ 35 mil. Mas o valor agregado por ela foi muito maior que esse, pois as pessoas se envolveram e se sensibilizaram”, conta.

Claudia conseguiu R$ 100 mil necessários para a cirurgia. “Não sinto falta da medalha. Eu fiz o que tinha de fazer. Não me arrependo. Faria novamente”, conta a ex-atleta.

RETRIBUIÇÃO

Após a cura do filho, Claudia voltou a estudar. Hoje, ela está no terceiro ano de Direito do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), no câmpus Americana. Um de seus projetos pretende retribuir, de certa forma, o apoio que teve para a cirurgia de Maurílio. Com a ajuda da universidade, ela vai desenvolver um projeto para que tratamentos médicos no exterior, como esse que ela vivenciou com o filho, possam ser garantidos e custeados pelo Estado. Hoje, as ações que pedem reembolso ou ajuda do poder público não conseguem êxito.

“Essa é uma área nova no Brasil. Devemos começar o projeto no ano que vem”, planeja o professor Flávio Rossi, coordenador da pós-graduação MBA em Gestão em Americana. “Tive a oportunidade de ter uma medalha olímpica e poder realizar a cirurgia do meu filho. Muitas famílias não têm essa oportunidade”, diz Claudia.

 

Acesse o link do Portal do jornal Estadão: https://esportes.estadao.com.br/noticias/basquete,gratidao-de-claudia-pastor-ex-pivo-da-selecao-vai-alem-das-palavras,70002797365

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Roda de Conversa: Palestra gratuita sobre “Bons sonhos”

RODA DE CONVERSA
Palestra gratuita sobre “Bons sonhos”.
Palestrante: Dra. Flávia Oliveira (pediatra)
Data: 12.04.19
Horário: 8h às 9h30
Local: Menia – Centro de Vacinação (Av. Nove de Julho, 4634 – São Paulo – SP
Inscrições: 11 3060-3020
Vagas limitadas!
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www.menia.com.br

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Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e câncer: qual a relação?

Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são em um tema frequente entre jovens e adultos. A discussão gira em torno da prevenção e tratamento. Entretanto, pouco é divulgado sobre a relação de algumas destas doenças com o desenvolvimento de muitos tipos de câncer.

As principais DST que podem estar relacionadas com o câncer são as infecções causadas pelos vírus T-linfotrópico humano (HTLV), Papiloma vírus humano (HPV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

A contínua educação sobre higiene intima das crianças e jovens, e a vacinação das populações poderá vir a reduzir dramaticamente a incidência dos cânceres associados a DST.

HTLV-1

As infecções pelo HTLV-1 estão relacionadas com o desenvolvimento da leucemia e do linfoma de células T do adulto.

Além destas, pode causar a mielopatia associada ao HTLV-1, doença neurológica semelhante a outras doenças da medula nervosa, como a esclerose múltipla, e que apresenta elevado grau de sintomas incapacitantes. Este vírus ataca os linfócitos T, um tipo de célula responsável pela defesa do organismo.

As doenças causadas pelo HTLV-1 não tem tratamento especifico, exceto ao que se refere aos tratamentos oncológicos tradicionais da leucemia e dos linfomas, em que a quimioterapia e às vezes o transplante de medula óssea podem ser empregados com sucesso. Infelizmente, porém, mais de 80% dos pacientes com a forma aguda da leucemia morrem nos primeiros cinco anos após o diagnóstico.

HPV

Já o vírus HPV apresenta mais de 150 tipos diferentes que podem infectar a pele e as mucosas, sendo que pelo menos 13 tipos são considerados potenciais causadores de câncer.

Estimativas recentes sugerem que cerca de 5% de todos os cânceres são atribuídos ao HPV. Esta família de vírus induz infecções persistentes que frequentemente se associam a lesões precursoras de tumores.

Dentre os HPV de alto risco oncogênicos, os tipos 16 e 18 estão relacionados à maioria dos casos de câncer de colo do útero e até 90% dos demais tumores associados ao HPV, tais como os cânceres de orofaringe (18-90% dos casos), vulva (18-75% dos casos) e pênis (60% dos casos).

São impressionantes os resultados da vacinação em idade precoce contra o HPV. Em países em que a vacina já é aplicada há anos, foi observada redução entre 70-80% no número de infecções. Na Austrália, onde a vacina está disponibilizada desde 2007, houve redução de 80% das infecções; 90% no surgimento de verrugas genitais e 70% no número de lesões precursoras do câncer de colo de útero. Atualmente, o país relata a incidência de sete casos deste tipo de tumor a cada 100 mil mulheres, enquanto no Brasil estima-se 17 casos a cada 100 mil mulheres.

A vacina é quadrivalente, protegendo contra os quatro tipos mais comuns do vírus e está disponível em duas doses, que devem ser tomadas com intervalo de seis meses. É aplicada gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos, para meninos de 11 a 14 anos, para pessoas de 9 a 26 anos com HIV/AIDS e para pacientes oncológicos ou transplantados.

HIV

Sobre o vírus HIV, com certeza é o mais conhecido e é responsável pela Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, cuja evolução reconhecem-se alguns tipos de câncer associados, como sarcoma de Kaposi (4,4%), linfoma não Hodgkin (4,5%), além de outros.

A descoberta de um tratamento efetivo para o HIV produziu controle médico da doença, evitando o aparecimento destes tumores considerados específicos do HIV.

 

Autor: Dr. Artur Malzyner, oncologista e consultor científico da Clinonco

Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

 

Acesse o link do Portal Ativo.com: https://www.ativosaude.com/especialistas/dst-e-cancer/

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