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Câncer de mama de volta ao alvo

Em 1994, o estilista Ralph Lauren e outros membros do alto escalão da moda dos Estados Unidos lançaram a campanha Fashion Targets Breast Cancer. Inspirado na amiga, a jornalista Nina Hyde, que falecera em 1990 depois de um longo período de tratamento contra o câncer de mama, Lauren convenceu os pares a usar seu talento em prol da conscientização sobre o tema. O Brasil foi o segundo país a embarcar na iniciativa, por meio do Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer (IBCC).

Em 1995, ela chegou por aqui com o nome O Câncer de Mama no Alvo da Moda. As imagens de atrizes, supermodelos e celebridades vestindo uma camiseta branca, com um alvo azul e branco no centro, ficaram marcadas na memória. E a estratégia deu certo! Logo no primeiro ano, foram vendidas mais de 400 mil peças de roupa, e o valor arrecadado desde então custeia obras no hospital do IBCC e parte dos tratamentos das pacientes.

Dá até para dizer que a campanha foi uma das responsáveis por nos apresentar pra valer o câncer de mama. A partir daí, o conhecimento sobre a doença evoluiu e agora temos o Outubro Rosa, um mês dedicado ao problema. Mas, em meio à Covid-19, o câncer deu uma sumida do noticiário.

“A pandemia foi um balde de água fria nos avanços que tínhamos feito em relação a conscientização da mulher, melhores práticas de atendimento, diagnóstico e terapias”, lamenta a mastologista Maira Caleffi, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).

A entidade, que congrega 74 ONGs envolvidas na causa, alerta para o retrocesso. “Estamos navegando no escuro, sem números precisos para dizer como está a atenção ao câncer no Brasil, e sabemos que boa parte das mulheres ainda não voltou a fazer seus exames de rotina”, analisa Maira.

O principal temor, que já começa a se confirmar nos consultórios, é de um aumento nos tumores detectados em estágio avançado. “De fato, faltam dados, mas nossa impressão é que as pacientes estão chegando com nódulos maiores”, conta a mastologista Fabiana Makdissi, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Sua impressão é corroborada por todos os especialistas ouvidos nesta reportagem. “Estamos falando de cerca de 4 mil casos não diagnosticados, se considerarmos as mamografias que deixaram de ser feitas”, aponta o mastologista Marcelo Bello, diretor da unidade do Instituto Nacional de Câncer (Inca) voltada à doença. E vale dizer que, no Brasil, cerca de 70% dos diagnósticos já eram feitos em estágio adiantado antes da pandemia, de acordo com dados da Femama.

É uma estatística triste, pois hoje o câncer de mama é curável na maioria das vezes, desde que encontrado cedo. Depois disso, o foco do tratamento passa a ser controlar a progressão e garantir mais anos de vida (bem vividos) à mulher — e, nessas circunstâncias, há novidades impressionantes no tratamento, só que nem todas acessíveis às brasileiras.

Enquanto há uma falha no diagnóstico e na oferta de terapias de ponta no país, já se sabe que a prevalência da doença vem subindo. É algo que pode até ter uma conexão com a pandemia e as bagunças causadas por ela nas rotinas de saúde. Em meio a um cenário preocupante, cairia bem uma campanha como a dos anos 1990, com caras e vozes famosas, para botar as mamas nos holofotes.

O mais frequente do planeta

Em 2021, o câncer de mama ultrapassou o de pulmão e se tornou o tipo da doença mais frequente no planeta — os tumores de pele que são muito mais comuns e benignos não entram nessa conta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 foram registrados mais de 2 milhões de casos, ou 11,7% do total.

No Brasil, a estimativa do Inca para 2021 é de 66 mil novos diagnósticos e mais de 18 mil mortes. Alguns dos motivos que financiam o aparecimento dos caroços são inexoráveis. “Os principais fatores de risco não podem ser alterados, como ser mulher e envelhecer”, diz a oncologista Daniele Assad, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

Outros aspectos inerentes à vida moderna, como o fato de engravidar e amamentar menos, também contribuem para o aumento do perigo. Nesse caso, o problema é o bombardeio ininterrupto dos hormônios estrogênio e progesterona sobre a glândula mamária, sem as flutuações que ocorreriam durante a gestação e o aleitamento.

“A mama é um órgão endócrino, que sofre influência dos hormônios sexuais femininos. Quanto mais estímulo, maior a taxa de replicação das células do tecido, e maior o risco de erros nesse processo, que levam ao aparecimento dos tumores”, detalha o mastologista Vilmar Marques, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Por outro lado, mudanças de hábito e comportamento atenuam a propensão. “Quase 30% dos cânceres seriam minimizados ou não surgiriam se tivéssemos um estilo de vida saudável. Para as mulheres, que são mais acometidas em geral, isso seria ainda mais importante”, comenta Fabiana.

Há alguns casos, menos de 10% do todo, em que o motivo principal da doença são mutações genéticas específicas, como as dos genes BRCA 1 e 2. Nessas situações, a probabilidade de desenvolver um tumor pode ultrapassar os 60%. Fora isso, outros trechos do DNA podem estar envolvidos e propiciar quadros não tão agressivos. “Mas temos muitos estudos mostrando que, mesmo quando você nasce com certa predisposição, o risco pode cair consideravelmente ao cuidar bem do corpo”, diz a médica do A.C.Camargo.

O principal ponto aqui é controlar o peso e manter-se ativa. “O acúmulo de gordura contribui para um estado de inflamação sistêmica, que eleva o risco de câncer. Além disso, as células do tecido adiposo acabam funcionando como uma fábrica de hormônios, mesmo no pós-menopausa”, explica Maira.

A zona de perigo é representada pelo índice de massa corpórea (IMC) acima de 30. A alimentação inadequada, parceira íntima do sobrepeso e da obesidade, não pode deixar de ser mencionada. “O consumo frequente de bebidas açucaradas, que disparam rapidamente a glicemia, tem influência no surgimento do problema”, alerta Fabiana.

Falando em bebidas, o álcool é outro vilão das mamas. “Calculamos que cerca de 4 a 5% dos casos sejam atribuídos a esses excessos, ou seja, algo em torno de 3 mil mulheres adoecendo ao ano no Brasil”, estima Bello.

Por fim, o estresse atua como um patrocinador indireto, uma vez que está ligado a alterações no sistema imunológico que podem diminuir nossa capacidade de flagrar e estancar células defeituosas, além de levar à adoção de hábitos pouco saudáveis, como os goles extras e o sedentarismo.

“Essa conjunção de fatores, em uma sociedade como a nossa, leva a uma ligeira queda na curva de idade do diagnóstico”, nota o diretor do Inca. E a pandemia atuou como um catalisador desse cenário, que já era mais favorável ao câncer. “Certamente haverá impacto, mas é difícil de quantificar isso agora”, completa Bello.

A importância do diagnóstico precoce

A recomendação oficial do Ministério da Saúde é realizar o rastreamento da doença entre os 50 e os 69 anos de idade, com mamografia a cada dois anos. Só que, devido ao contexto que vivemos, uma série de especialistas e entidades recomenda baixar essa régua. SBM, Femama e outras associações nacionais e internacionais defendem que o exame seja feito anualmente a partir dos 40 anos.

“Pesquisas mostram que há redução de mortalidade por câncer de mama quando o rastreio começa mais cedo”, sintetiza Marques. Para quem tem maior risco genético — e um teste, recomendado a mulheres com histórico pessoal ou familiar de câncer, pode apurar isso —, o ideal seria começar antes, por volta dos 25 anos.

Para as jovens em geral, não parece haver benefícios na investigação genética preventiva ou nas mamografias. Nelas, imprescindível mesmo é o autoconhecimento. É assim que está sendo chamado o autoexame das mamas, termo que caiu em desuso e gera polêmica.

“Não queremos encontrar um nódulo quando ele já está palpável ou desestimular a realização dos exames médicos, mas é importante conhecer as mamas e estar atenta a qualquer alteração nelas”, afirma a mastologista Fernanda Barbosa, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Foi assim, aliás, que ela mesma descobriu em julho um câncer no seio, aos 39 anos, 12 meses antes de começar o rastreio. E flagrar essas alterações no início faz toda a diferença.

Mesmo com todo o cuidado na prevenção e na manutenção de um estilo de vida saudável, nem sempre dá para evitar a doença. Daí a necessidade do tal rastreamento. Quando um nódulo maligno é detectado ainda pequeno, as chances de cura são altas: atingem e até superam os 95%.

Nesse tamanho, a possibilidade de o tumor ainda estar localizado, sem infiltrações na axila ou dispersões por outros tecidos (as metástases), é maior. É o chamado câncer in situ, que pode ou não tornar-se invasivo.

“Ele está concentrado em uma área da mama, protegido por uma membrana. Para ele, o tratamento é mais simples, na maioria das vezes basta realizar uma cirurgia e complementar com hormonioterapia [terapia que protege a glândula mamária da ação dos hormônios]”, explica a patologista Marina De Brot Andrade, diretora da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Já no câncer invasivo, as células malignas estão mais disseminadas pelos arredores. “Elas se infiltram além dos limites da glândula, representando um potencial para evoluir com metástase”, complementa Marina. É a partir daí que as terapias ficam mais complexas, combinando diversas técnicas, que variam conforme o tipo de tumor. Hoje ele é classificado em subgrupos, de acordo com suas características estruturais.

Essa análise é feita a partir da coleta da biópsia e do chamado perfil imuno-histoquímico. “São mais de 30 tipos diferentes, divididos em três grandes grupos”, resume Marina. Cada um tem suas particularidades, conhecidas em detalhes, pois outro pilar que vem sendo fincado no diagnóstico é o estudo da genética logo cedo, não apenas para aqueles tumores mais complicados.

“Temos alterações genéticas cujos efeitos podem ser minimizados com o uso de tratamentos e intervenções precoces”, diz o oncologista Pedro Exman, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Além dos genes BRCA 1 e 2, cerca de outros 20 são conhecidos por sua ligação com o câncer de mama.

Para quem carrega mutações no grupo BRCA, por exemplo, existe um remédio chamado olaparibe, usado em casos avançados, mas que recentemente demonstrou aumentar as taxas de cura quando prescrito nas fases iniciais da doença.

Fora o mapeamento das características genéticas individuais, que pode ainda calcular o risco de retorno da doença e determinar o tamanho da cirurgia a ser feita, o sequenciamento genômico do próprio tumor traz insights úteis. Um desses testes, o Oncotype Dx, se mostrou eficaz em prever se a mulher se beneficiará ou não da quimioterapia.

O tratamento do câncer de mama evoluiu muito

Antigamente, se definia a estratégia de ataque pelo tamanho da lesão. Se pequena, a paciente ia direto para a cirurgia. Se grande, era preciso antes realizar quimioterapia. Essa regra ainda é utilizada, com exceções.

“Para os tumores HER2 positivo e triplo negativo, que são considerados mais agressivos, temos indicado a químio antes mesmo da intervenção cirúrgica, porque ela, além de influenciar na magnitude do procedimento, nos mostra como será o tratamento adjuvante, aquele feito depois da operação”, explica a oncologista clínica Solange Moraes Sanches, do A.C.Camargo Cancer Center.

As cirurgias, aliás, estão menos invasivas e mais modernas. “As mamas são reconstruídas imediatamente, e temos feito muitas operações que preservam a pele e a aréola”, relata o cirurgião oncológico Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

E a técnica do linfonodo sentinela, que analisa um caminho por onde o câncer se espalha, evita uma intervenção que deixa como sequela dor e inchaço nos braços. Se a resposta à cirurgia é completa, ou seja, não há resquícios de células malignas, o risco de recidiva é menor. Senão, pode ser preciso intensificar o ataque — e há abordagens específicas e avanços para cada tipo de tumor.

Para evitar o retorno da doença, além da químio, quase todas as mulheres passam por radioterapia, sessões de radiação localizada. “É uma abordagem complementar à cirurgia, que diminui a possibilidade de recidiva”, explica o médico Gabriel Gil, coordenador do serviço de radioterapia do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte.

Em casos de tumores luminais, os mais comuns, um esquema de hormonioterapia é aplicado por alguns anos. Os dois tipos menos frequentes, mas mais agressivos, HER2 positivo e triplo negativo, ganharam medicações sistêmicas específicas recentemente. Mas pode ser que, mesmo com todas as terapias de ponta disponíveis, o tumor não se dê por vencido.

A jornalista e psicóloga Valéria Baracat, de 60 anos, sabe bem disso. Desde seu primeiro diagnóstico, em 2004, o câncer já voltou três vezes, a última em 2020, tendo inclusive mudado de subtipo. “Na última vez, descobri que ele passou a ser HER2 positivo”, conta a paulistana, que criou um instituto para apoiar mulheres com o problema, o Arte de Viver Bem.

O caso de Valéria, que convive com a doença há 17 anos, depois de cirurgias, terapias mil e muitas sessões de químio, reforça quão desafiador é controlar o câncer. Mas também mostra como o diagnóstico está longe de ser uma sentença.

Novas drogas

Casos persistentes e agressivos como o de Valéria foram os mais beneficiados com os avanços recentes no mundo dos fármacos. “Hoje vemos esses tipos de câncer como uma doença crônica, que pode ser controlada por vários anos”, afirma André Abrahão, diretor médico da Novartis.

A farmacêutica é uma das que lançaram no mercado há alguns anos os inibidores de ciclina (ou inibidores de CDK) para portadoras de câncer com receptor hormonal positivo, o mais comum, em estágio avançado.

Até então, não havia muitas alternativas para ele. Agora são três remédios disponíveis no Brasil: ribociclibe, palbociclibe e abemaciclibe. Todos são terapias-alvo, que miram proteínas específicas.

“Eles inibem moléculas envolvidas na rapidez com que a célula tumoral se multipla”, explica Abrahão. “A classe dobrou a resposta e o tempo de sobrevida diante da doença quando ela já é incurável”, conta o oncologista Artur Malzyner, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Os estudos têm mostrado que eles podem ser usados na primeira linha de ataque ao câncer de mama com receptor hormonal localmente avançado ou com metástase.

Uma pesquisa divulgada pela Novartis no último Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo, na sigla em inglês) aponta que o ribociclibe, um dos membros da família, foi capaz de aumentar a sobrevida em 12 meses, quando comparado à abordagem-padrão mais um placebo (comprimidos sem princípio ativo). Com essa estratégia, a sobrevivência média passou a 63 meses, mais de cinco anos.

É pelas situações mais graves que as pesquisas costumam começar, mas é provável que essas medicações passem a entrar cada vez mais cedo no tratamento. Resultados preliminares de um experimento internacional realizado com mais de 6 500 mulheres indicam que o abemaciclibe, quando usado depois da cirurgia em casos iniciais com alto risco de progressão, pode diminuir em até 30% a probabilidade de recorrência.

Mas vale dizer que, nesse grupo, a maioria das mulheres manteve o câncer longe com ou sem o medicamento, reforçando a importância do diagnóstico precoce. Está aí um aspecto que sempre será valioso, a despeito da melhor terapia do mercado.

Sem órfãs de tratamento

Com a pandemia, ficamos mais familiarizados com o termo anticorpo monoclonal. A categoria, que já vinha sendo empregada com sucesso para doenças inflamatórias como a artrite reumatoide, revolucionou algumas especialidades médicas. Trata-se de uma droga construída sob medida para se ligar a uma molécula ou receptor celular, num esquema chave-fechadura.

A estratégia deu origem aos medicamentos anti-HER2, que conferem mais tempo de vida às portadoras do câncer HER2 positivo metastático. “Antes do trastuzumabe, anticorpo monoclonal usado nesse contexto, a expectativa de sobrevida era de 12 meses. Agora metade das mulheres está viva 56 meses depois do diagnóstico”, destaca Solange.

O trastuzumabe deu tão certo que passou a ser combinado com outro anticorpo monoclonal, o pertuzumabe, como tratamento pré-cirúrgico. E até evoluiu para uma nova classe, a dos anticorpos conjugados a droga.

Trata-se de uma família inovadora, que combina um anticorpo artificial capaz de se ligar à célula cancerosa a um remédio que entra para atacá-la. “É como um cavalo de troia”, compara o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.

Já há um desses no mercado, o TDM-1, e chegou recentemente o trastuzumabe-deruxtecan, produzido pela AstraZeneca e pela Daiichi Sankyo, aprovado pela Anvisa em outubro. Em um estudo que ganhou destaque no congresso da Esmo, os dois medicamentos foram comparados, com resultados favoráveis ao trastuzumabe-deruxtecan.

Na pesquisa, pouco mais de 500 mulheres com câncer HER2 positivo avançado foram tratadas com uma das duas moléculas. O novo fármaco demonstrou reduzir em 72% o risco de progressão da doença ou morte. O tempo de vida sem a doença foi, em média, 25 meses, ante sete meses com o TDM-1.

“É raríssimo um medicamento demonstrar esse grau de benefício em relação a outro composto similar”, ressalta Buzaid. A expectativa é que o trastuzumabe-deruxtecan, que também está sendo testado em fases iniciais da doença, seja aprovado nos próximos meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para encerrar o capítulo das moléculas terapêuticas, os anticorpos conjugados a droga estão dando perspectivas mesmo frente a situações dramáticas. Outro que está para chegar ao Brasil é o sacituzumabe-govitecan, que atua contra o tumor triplo negativo. Em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, ele demonstrou dar alguns meses de vida inclusive a mulheres que já tinham metástases no cérebro, com poucos efeitos colaterais.

As limitações dessa e das outras abordagens mencionadas são de outra esfera, a financeira. O custo delas pode atingir dezenas de milhares de reais, e poucas estão incluídas na rede pública. Ganhar tempo enquanto a ciência se apressa em encontrar mais soluções é hoje, infelizmente, um privilégio para poucas.

A desigualdade custa vidas

Tratar o câncer é um desafio que exige ajustes finos, monitoramento constante e um plano multidisciplinar, que alia mastologista, oncologista clínico, cirurgião, patologista e radiologista, todo mundo trabalhando junto e trocando informação para definir o melhor caminho a cada paciente.

É assim que atuam centros de referência como Inca e A.C.Camargo, entre outros pelo país. Só que, mesmo com o avanço da medicina, há um gargalo que afasta boa parte das brasileiras dos tratamentos de última geração. A maioria das mulheres é diagnosticada e acompanhada na rede pública, onde o cenário é bem diferente da atenção privada.

“Existe uma lei que garante que o tratamento seja iniciado em até 60 dias depois do diagnóstico, mas basta olhar os serviços para ver que ela não é cumprida”, aponta Daniele, da Sboc. Demora para marcar a consulta com o médico, receber os laudos dos exames, agendar a radioterapia e outras queixas são frequentes entre as pacientes que iniciam essa jornada, em que o tempo faz toda a diferença entre viver e morrer.

E a pandemia só vem piorar a situação. Um levantamento do Instituto Avon revela que o sistema público realizou 473 mil procedimentos de diagnóstico de câncer de mama a menos em 2020, quando comparado com 2019. As mamografias, que apresentavam tendência de alta nos últimos anos, caíram mais de 40%.

Se os diagnósticos represados tiverem como resultado mais mulheres com doença avançada no sistema público, outras desigualdades ficarão ainda mais escancaradas. Os testes genéticos que avaliam a predisposição ao câncer ainda não estão disponíveis amplamente na rede pública, muito menos os que miram o tumor para calcular as chances de ele voltar ou se responderá ou não à quimioterapia.

Por fim, novos remédios, como os inibidores de ciclina, também não são ofertados no SUS. Em setembro, a incorporação dessa classe foi inclusive negada pela comissão que avalia a entrada de fármacos no sistema público. A pauta foi submetida novamente a uma consulta pública, já encerrada. Os resultados ainda não foram divulgados.

Discutir custo é duro, mas necessário. “Temos que pensar em estratégias para que essas tecnologias sejam introduzidas na rede pública de maneira sustentável. Para os anticorpos monoclonais, por exemplo, é possível produzir biossimilares a um preço mais baixo”, diz a médica Carolina Martins Vieira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mais do que tudo, precisamos acertar o básico, que é encontrar os milhares de mulheres andando por aí com nódulos malignos sem saberem disso. Eis um alvo que nunca devia sair de moda.

O efeito da desigualdade

O coração da mulher com câncer

Está aí um assunto pouco falado e que merece atenção. “Os efeitos da radioterapia na mama esquerda podem atingir o coração e gerar insuficiência cardíaca, mas essa lesão só aparecerá em cinco ou dez anos, e isso acaba negligenciado”, expõe o médico Gabriel Gil. Além disso, novas drogas sistêmicas e a quimioterapia podem ser tóxicas ao músculo cardíaco.

“É como se ele ficasse mais fraco com o tratamento oncológico”, conta o cardiologista Roberto Kalil Filho, presidente do Instituto do Coração (InCor). “É por isso que a paciente precisa de acompanhamento também do cardiologista antes, durante e depois da terapia”, completa.

Recentemente, o InCor abriu um centro de pesquisas de cardio-oncologia, o primeiro no Sistema Único de Saúde (SUS), com protocolos que podem ser seguidos por outros locais.

Quem é o câncer de mama?

Conheça os três principais subgrupos:

+ Luminal

O que é: Também conhecido como receptor hormonal positivo, é o mais conhecido e prevalente.

Incidência: Responde por cerca de 70% dos diagnósticos.

Tratamentos: Além das terapias clássicas, já chegaram ao Brasil os inibidores de ciclina, direcionados especialmente para essa variedade.

+ HER2 positivo

O que é: Um tumor que expressa níveis mais elevados do que o normal de uma proteína, a HER2, ligada ao crescimento celular.

Incidência: Cerca de 15% dos casos.

Tratamentos: Esse tipo se espalha mais rapidamente, mas é sensível a drogas anti-HER2, como o trastuzumabe. Mais medicamentos inovadores estão para chegar em breve.

+ Triplo negativo

O que é: Não possui receptores para os estímulos hormonais de estrogênio ou progesterona nem expressa a proteína HER2. Daí o nome.

Incidência: Responde por cerca de 15% dos diagnósticos. É mais comum em mulheres jovens.

Tratamentos: Além de cirurgia e químio, a imunoterapia é uma opção para esse tipo da doença.

…E os estágios da doença 

Eles auxiliam a identificar riscos e melhores terapias:

  • Câncer de mama estágio 0: É o chamado carcinoma in situ, que não tem capacidade de se espalhar.
  • Câncer de mama estágio 1: O tumor é pequeno e ainda não conseguiu se disseminar pra valer na vizinhança.
  • Câncer de mama estágio 2: O nódulo já é maior e pode ter atingido os linfonodos (glândulas do sistema linfático).
  • Câncer de mama estágio 3: Células tumorais estão presentes em vários linfonodos e tecidos próximos à mama.
  • Câncer de mama estágio 4: O câncer já se dispersou para outros órgãos, inclusive alguns distantes.

O que ameaça as mamas

Sobrepeso: O acúmulo de gordura tem atuação dupla: tanto estimula inflamações pelo corpo quanto aumenta o nível de hormônios que interagem com as glândulas mamárias.

Reposição hormonal pós-menopausa: Ela deve ser feita com critério e na janela de tempo certa. Há diversos estudos evidenciando que essa terapia pode potencializar alterações nas células da mama.

Álcool em excesso: Estima-se que em torno de 4 a 5% de todos os novos casos de câncer de mama sejam atribuíveis ao consumo de álcool. Isso dá algo como 3 mil diagnósticos ao ano no Brasil.

Meio ambiente: Pesquisas recentes apontam que a concentração de poluentes no ar, em especial os emitidos por veículos motorizados, pode elevar o risco de a doença dar as caras.

Estresse: Não há estudos que comprovem a relação direta, mas os mecanismos fisiológicos e comportamentais desencadeados pela tensão diária podem atuar de alguma forma.

Violência doméstica: Em seu mestrado, a médica pernambucana Cristiana Tavares notou uma alta prevalência de diagnósticos de câncer de mama após episódios de violência. Relação a confirmar.

Respostas da genética

Os segredos do DNA das células sadias e do próprio tumor já ajudam a direcionar melhor o tratamento:

  • Genes BRCA: As mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 podem elevar em mais de 50% a probabilidade de ter câncer de mama ou de ovário.
  • Outros genes: Há dezenas deles envolvidos. Cerca de 10% dos tumores são considerados hereditários ou de origem genética.
  • Teste germinativo: É um exame que mapeia o DNA da pessoa em busca de mutações perigosas. Deve ser pedido e analisado sempre pelo médico.
  • DNA do tumor: Existe uma porção de mutações genéticas que ocorrem somente nas células malignas, e algumas delas respondem a remédios.

Câncer avançado pode não ter cura, mas…

Se alguém receber um diagnóstico de câncer de mama considerado avançado, aqui vão alguns recados para não perder a força frente às estatísticas. Primeiro, os números são médias populacionais, e a resposta de cada mulher à doença é muito individual.

Em segundo lugar, o tratamento para essas situações evoluiu demais, a ponto de hoje o câncer de mama ser considerado uma doença crônica. Com os avanços, é possível ter anos de vida com qualidade, que podem inclusive permitir que a mulher aguarde a chegada de novas drogas, quiçá curativas.

A ciência está caminhando rápido, e uma condição prevalente como essa é alvo de interesse das farmacêuticas, que não param de desenvolver remédios.

Novidades no tratamento

  • Imunoterapia: A abordagem que ensina o sistema imune a enxergar o tumor e depois atacá-lo demonstrou resultados positivos contra o câncer tipo triplo negativo.
  • Inibidores de Parp: São remédios como o olaparibe: eles inibem uma enzima específica e são usados em mulheres com mutações genéticas e metástases ou alto risco de recidiva.
  • Radioterapia: A maioria das mulheres passa por sessões de radiação depois da cirurgia. As máquinas mais modernas poupam os tecidos vizinhos e o coração.
  • Quimioterapia: Ao mapear os genes do tumor com receptor hormonal positivo, é possível dizer se ele responderá ou não à químio, evitando submeter mulheres a seus efeitos colaterais.
  • Cavalo de troia: Os anticorpos conjugados a droga, que se conectam a receptores do tumor e colocam remédios dentro dele, dão esperança a casos avançados.
  • Cirurgia: Cada vez mais, a mastectomia, que retira completamente a mama, inclusive a aréola, pode ser substituída por técnicas menos invasivas.

Esperança para o triplo negativo

Quando um câncer de mama não responde a hormônios nem apresenta níveis elevados de proteína HER2, é considerado triplo negativo. É o pior tipo da doença, com maiores índices de recidiva e uma expectativa de sobrevivência menor. Mas a ciência tem mudado, pouco a pouco, essa história.

A chave parece estar em ensinar o próprio sistema imune a combater o tumor, por meio da imunoterapia, categoria de drogas que despe o intruso de seus disfarces.

Em 2019, a primeira imunoterapia para o triplo negativo foi aprovada, o atezolizumabe. O fármaco inibe o PDL-1, molécula expressa por alguns tumores, e pode ser usado junto com a quimioterapia. Nos últimos meses, outra medicação da classe, o pembrolizumabe, mostrou bons resultados, inclusive com perspectivas de cura em estágios iniciais.

Na cola do câncer

Como rastrear a doença:

Mamografia: No SUS, ela é feita entre 50 e 69 anos de idade, a cada dois anos. Mas especialistas recomendam repetir anualmente a partir dos 40 anos.

Autoexame: Ele não substitui o exame de imagem ou a consulta com o médico, mas tem seu valor. A ideia é que o toque promova o autoconhecimento.

Rotina na pandemia: Clínicas e consultórios estão preparados para receber as mulheres com segurança mesmo durante a Covid-19. Não deixe de procurá-los.

Após a vacina da Covid: O inchaço nos gânglios, uma reação adversa incomum e inofensiva, pode levar à confusão nos exames. O ideal é aguardar de quatro a seis semanas da picada.

Acesse o link do Portal da Revista Veja Saúde: https://saude.abril.com.br/medicina/cancer-de-mama-de-volta-ao-alvo/

 

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Outubro Rosa: reconstrução mamária devolve a autoestima da mulher

O que acontece após o diagnóstico do câncer de mama? A campanha Outubro Rosa promove debates de conscientização sobre a prevenção, detecção e também tratamento da doença. Uma vez que o tumor foi identificado, grande parte das mulheres passa por uma cirurgia chamada mastectomia para a retirada parcial ou total da mama. Mas e depois?

“A reconstrução da região tem um papel importante no resgate da autoestima, pois ajuda a minimizar os impactos físicos e emocionais causados pela mastectomia. Trata-se de uma cirurgia plástica reparadora com resultados naturais”, explica a cirurgiã plástica Leticia Odo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

A também cirurgiã plástica Thamy Motoki explica que existem duas possibilidades: “A prótese de silicone é indicada para pacientes que retiraram toda a glândula. Já nas cirurgias mais extensas, é possível reconstruir a mama a partir de retalhos locais ou até mesmo com tecidos de outras regiões do corpo, como dorso e abdome”.

Impactos emocionais 

O câncer de mama exerce um grande impacto no emocional das mulheres — tanto pelo medo da doença, quanto pelas modificações físicas —, por essa razão é indicado o acompanhamento psicológico durante o tratamento. Esse apoio se faz necessário também após a retirada do tumor, momento no qual a paciente verá um novo corpo refletido no espelho.

“O trabalho de um psicólogo, quando uma mulher opta por fazer a reconstrução mamária, é de entender primeiro como ela lidava com o corpo antes do diagnóstico. A partir daí, podemos compreender melhor sua relação com este novo corpo, diferente e com uma cicatriz, que carrega essa história”, destaca a psico-oncologista Marilia Zendron.

A especialista salienta que a decisão é muito subjetiva. Segundo ela, há mulheres que enfrentam a reconstrução com mais tranquilidade, pois sonhavam com um peito maior. Outras decidem deixar a cirurgia para outro momento ou sequer cogitam fazê-la, pois se sentem bem com o corpo. “Cada mulher saberá dizer o que a faz feliz e a deixa satisfeita com a própria imagem”, pontua.

Pós-operatório

Letícia relembra que os cuidados pós-operatórios são os mesmos de uma mamoplastia feita para fins estéticos e devem ser orientados pelo médico responsável, afinal, cada caso é único. “Nos primeiros dias, serão necessários a utilização de curativos sobre as incisões e repouso relativo, evitando ao máximo esforço ou movimento repetitivo com os braços. Para sustentar a mama e minimizar o inchaço, uma bandagem elástica ou sutiã apropriado deverão ser usados”, indica.

ONG Orientavida

A ONG Orientavida vem promovendo a campanha Pense Rosa, que ajuda mulheres que estão na fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde) a realizarem mamografias. A cada 12 pulseiras vendidas no site da ONG, a venda é revertida em um combo de diagnóstico de câncer de mama. Até agosto deste ano, 11 mil mamografias foram realizadas. A meta da ONG Orientavida é atingir 15 mil até dezembro de 2021. Participe!

Fontes: Letícia Odo, cirurgiã plástica, especialista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e médica dos corpos clínicos do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Sírio Libanês; Thamy Motoki, cirurgiã plástica, membro titular da SBCP e médica no Hospital São Luiz, e Marilia Zendron, psicóloga especialista em psico-oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center e membro do corpo clínico da Clinonco.

Acesse o link do Portal Alto Astral: https://www.altoastral.com.br/saude/outubro-rosa-reconstrucao-mamaria-devolve-autoestima-da-mulher/

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9 Hábitos saudáveis que precisa adotar

Mais do que nunca, estamos entendendo a importância de adotar hábitos positivos para a nossa saúde.

Com a pandemia, fomos restringidos de algumas atividades cotidianas e tivemos que nos adaptar a uma nova rotina.

Mas, você incluiu hábitos saudáveis no seu dia a dia?

Caso a resposta seja não, é bom conferir algumas sugestões que podem te ajudar a se manter saudável durante o isolamento social:

-Tenha uma alimentação saudável;
-Regularize o seu sono e durma o necessário;
-Alongue-se durante o dia;
-Faça pausas regulares e programadas durante suas atividades em casa;
-Mantenha contato com pessoas positivas;
-Exercite-se em casa;
-Medite e analise os seus propósitos de vida;
-Dê atenção à sua saúde mental;
-Beba água.

Esses hábitos parecem simples, mas podem fazer uma grande diferença na sua saúde física e emocional!

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Doenças congênitas, genéticas e hereditárias: sabe a diferença entre elas?

No meio da palavra “congênita” há um “gen” que pode nos remeter à palavra “genética”, que para muitos é sinônimo de algo “hereditário”. Em comum, estão relacionadas à natureza e concepção humana, por isso geram tanta confusão. Mas, embora pareçam ser a mesma coisa, doenças classificadas com esses termos não são iguais, as diferenças entre elas são grandes.

Claro que não cabe a ninguém que não tenha estudado medicina diagnosticar cada uma, isso é tarefa de um médico, mas vale saber o que individualmente representam para ter informação para conversar, ganhar tempo para tirar dúvidas em consultório, se preparar para resultados de exames, planejar uma eventual gravidez, tomar medidas preventivas e mudar hábitos de vida.

Congênita, ou desde o nascimento

Uma doença congênita é aquela que está presente na ocasião do nascimento, podendo ser decorrente de uma alteração nos genes e repassada de pais para filhos ou também causada por fatores externos ambientais, como infecções, consumo de drogas, medicações ou alguma interferência no útero, por exemplo.

Pablo de Nicola, geneticista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, cita exemplos: “Os distúrbios congênitos (desde o nascimento) mais comuns são pé torto congênito, luxação congênita do quadril, criptorquidia (quando o testículo não desce), cardiopatia congênita (defeitos cardíacos), mielomeningocele (defeito em que a medula espinhal do bebê não se desenvolve adequadamente) e hidrocefalia (caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido dentro do crânio, levando a inchaço e aumento de pressão cerebral)”.

Mas há outros, como fenda labial e palatina, toxoplasmose congênita, síndrome alcoólica fetal, tetralogia de Fallot (condição rara causada por uma combinação de quatro defeitos cardíacos presentes no nascimento) e síndrome de Down.

Só que nem toda doença repassada de pais para filhos e/ou causada por alterações nos genes é congênita, e podem se manifestar tardiamente como Coreia de Huntington (em que as células nervosas do cérebro se rompem ao longo do tempo) e Alzheimer.

Genética tem a ver com DNA

Já uma doença ou desordem genética é causada por uma ou mais anomalias no material genético (DNA) por diversas causas (má alimentação, radiação solar, tabagismo, entre outras) e pode, ou não, ser transmitida adiante, dos ancestrais para os descendentes.

Em se tratando de câncer, todo tipo é genético, mas não significa que possa ser herdado. Renata Velame, oncologista e oncogeneticista do Hospital Português da Bahia, em Salvador, explica:

“O câncer é uma doença genética, pois envolve mutações em determinadas partes do DNA, levando as células a um processo descontrolado de multiplicação, além da capacidade de invadir outros órgãos e tecidos do corpo. Na maioria dos casos, é esporádico, ou seja, essas mutações são adquiridas ao longo da vida devido a fatores ambientais. Mas alguns casos de câncer, cerca de 5% a 10%, se desenvolvem devido a mutações genéticas patogênicas herdadas, em sua maioria, de um dos pais, o que chamamos de síndromes de câncer hereditário”.

Nesses casos, geralmente se observa surgimento de tumores mais precocemente, maior risco de aparecimento de novos tumores ao longo da vida e comumente história familiar de câncer.

Os principais tipos de neoplasias associadas a essas síndromes são os cânceres de mama, de ovário, de próstata e colorretal. Mas não significa 100% que uma pessoa com mutação patogênica terá câncer, há risco, mas vários outros fatores estão envolvidos na sua formação.

Hereditárias são transmitidas

Introduzidas brevemente na explicação sobre doenças genéticas, as doenças hereditárias são aquelas que podem ser herdadas de um ou ambos os pais e passadas para os descendentes. Assim, nem todas as doenças genéticas são hereditárias, porém todas as doenças hereditárias são genéticas e podem se manifestar desde o nascimento, ou não, somente ao longo dos anos.

“Como condições hereditárias que, mais uma vez, aumentam a chance de desenvolver câncer, estão as síndromes de Li-Fraumeni (caracterizada por múltiplos casos de tumores primários de início precoce), de Peutz-Jegher (múltiplos pólipos hamartomatosos aparecem no estômago, intestino delgado e colo) e de Cowden (surgem múltiplas lesões em pele, mamas e cérebro)”, informa Mariana Marcondes M. S. Pereira, médica pela Santa Casa de Misericórdia de Santos (SP) e oncologista da clínica Clinonco e do Hospital Municipal Dr. Mario Gatti, em Campinas (SP).

Para além de condições que predispõem câncer, também entram na lista, que não caberia inteira aqui, anemia falciforme (condição que provoca alteração anatômica nos glóbulos vermelhos), fibrose cística (afeta pulmões e sistema digestivo), hipercolesterolemia familiar (doença cardiovascular agressiva e prematura), osteogênese imperfeita (prejudica a formação correta dos ossos), hemofilia (compromete a formação de coágulos sanguíneos) e daltonismo (dificuldade em diferenciar certas cores).

Acesse o link do Portal UOL/VivaBem: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/08/23/doencas-congenitas-geneticas-e-hereditarias-voce-conhece-a-diferenca.htm

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Uso de máscaras não provoca câncer de pulmão ou outros problemas

Desde que o uso das máscaras passou a ser recomendado para conter a Covid-19, muita desinformação sobre o tema apareceu. Mais recentemente, uma imagem divulgada nas redes sociais acusa o acessório de aumentar o risco de câncer de pulmão, por privar as células do órgão de oxigênio. Essa mentira cita inclusive um cientista que foi laureado com o Prêmio Nobel. Confira:

Mas fique tranquilo: isso é balela das grandes. Para os médicos que estudam tanto o câncer quanto o pulmão, a alegação não tem pé nem cabeça. Primeiro porque tumores não dependem de baixa oxigenação ou acidez para surgirem. Segundo porque a máscara não provoca nenhum desses efeitos no organismo.

No início do século 20, o cientista alemão Otto Warburg de fato viu que células malignas viviam em ambientes ácidos e com baixo suprimento de oxigênio. Logo, ele teorizou que as duas situações favoreceriam o aparecimento da doença. “Só que, desde então, nosso conhecimento sobre os tumores avançou muito. Hoje sabemos que o mecanismo real da doença não é esse”, explica Isabella Drumond Figueiredo, oncologista da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco).

Nos anos 1970, depois da morte de Warburg, ficou claro que o câncer nasce de mutações no DNA das células que levam à sua proliferação desenfreada. “Essas alterações genéticas acontecem por muitos fatores combinados, mas o nível de oxigênio não está entre eles”, completa Isabella.

Para o câncer de pulmão, que é o alvo desse boato, os gatilhos já são bem conhecidos. “As principais causas dessas mutações são a poluição atmosférica, o tabagismo e a inalação de material particulado oriundo da queima de matéria orgânica, como lixo ou queimadas”, explica José Tadeu Colares Monteiro, pneumologista coordenador da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – SBPT. A herança genética também é relevante.

A acidificação e a hipóxia de algumas regiões do tumor são consequências da doença, e não sua causa. Ou seja, mesmo se houvesse uma falta de oxigenação decorrente da máscara, ela não deflagraria câncer. Só que essa notícia falsa não para por aí.

Máscaras não causam asfixia ou falta de oxigenação no sangue

A hipóxia é o nome técnico para uma queda preocupante do oxigênio em circulação. É provocada por quadros de insuficiência respiratória, afogamentos, inalação de fumaça ou doenças cardiovasculares e pulmonares crônicas.

Para que uma máscara provocasse algo do tipo, seria preciso usar um acessório hermeticamente fechado, de um material que impedisse de fato a passagem de ar, o que não é o caso do tecido.

“Os gases que participam do processo respiratório são muito menores do que as partículas de fluidos que carregam os vírus”, comenta Colares. Ou seja, boa parte dos agentes infecciosos é barrada, porém o oxigênio atravessa tranquilamente o espaço entre as fibras do tecido da máscara.

Colares destaca dois conceitos diferentes: ventilação e respiração. “A ventilação, que é a entrada e saída de ar, realmente é impactada com a máscara, mas isso não afeta a respiração, que são as trocas gasosas que ocorrem a nível celular”, diferencia.

Para afetar esse sistema, seria preciso um bloqueio exacerbado e prolongado, que interrompesse de verdade a entrada de oxigênio nos pulmões. Mesmo a máscara N95, a mais ligada ao bloqueio ventilatório, não é capaz disso. “Não há registro de danos causados por ela”, complementa.

 

Acesse o link da Revista Veja Saúde: https://saude.abril.com.br/blog/e-verdade-ou-fake-news/uso-de-mascaras-nao-provoca-cancer-de-pulmao-ou-outros-problemas/

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Eles estão na linha de frente. E têm medo

Na linha de frente no combate ao novo coronavírus, médicos e enfermeiros confessam medo, insegurança e apreensão com o avanço da doença. Eles não temem apenas o próprio contágio, mas também a transmissão para a família – o que faz mudar até a rotina dentro de casa. Além disso, os profissionais da saúde se queixam de falta de materiais, como luvas, máscaras e álcool em gel, em algumas unidades hospitalares.

Os índices de contaminação entre os profissionais de saúde é alto. A Federação das Ordens dos Médicos Cirurgiões e Dentistas da Itália, país com maior número de casos na Europa, criou um site em homenagem aos “mortos em combate”. Já são 17 os médicos mortos pela covid-19 no país europeu. No Brasil, não foram registrados óbitos de profissionais de saúde – há um caso em investigação em São Paulo.

O cirurgião de coluna Luiz Cláudio Rodrigues, do Hospital Santa Marcelina, também usa a metáfora da guerra. “Estamos em uma guerra e fomos convocados. Não temos opção de dizer ‘não’. A informação que a população recebe é a mesma que temos”, conta.

O Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira orientaram os profissionais que atuam com questões não urgentes, como cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais, a fecharem consultórios. Foi o que aconteceu com Marcus Yu Bin Pai, especialista em dor e acupuntura. “Existe desinformação e incerteza. Existe grande temor de contaminação entre os médicos que atuam nos prontos-socorros e hospitais.”

Quando é possível, os próprios médicos adotam para si uma espécie de quarentena. Aos 71 anos, o oncologista Artur Malzyner, consultor científico da Clínica de Oncologia Médica (Clinonco) e médico do Hospital Albert Einstein, afirma passar 90% do tempo em casa. “Temo a contaminação, sim.”

A preocupação também se estende a enfermeiros. “Nosso ambiente de trabalho está tenso, pois estamos tendo conflitos. Os médicos estão assustados e cobram mais de nós”, diz uma enfermeira que atua em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na zona leste de São Paulo. “O que mudou na nossa rotina foi trabalhar com medo.”

Rogério Medeiros, coordenador nacional da Rede Saúde Filantrópica, entidade que reúne as Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, afirma que a falta de materiais é parcial. “Ninguém trabalhava com estoque para esse tipo de demanda. Já existem programações de compra. A primeira semana é de desespero. O uso foi indiscriminado.”

Ao menos 43 denúncias de falta de proteção adequada para profissionais de saúde durante a pandemia do coronavírus foram registradas desde terça-feira, no Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). A entidade cogita procurar o Ministério Público e até entrar com ações na Justiça.

Einstein

Alguns hospitais estão adotando regras rígidas com a prevenção dos funcionários. No Albert Einstein, pioneiro na detecção de casos e com pacientes hospitalizados com coronavírus, os cuidados com profissionais foram intensificados. É preciso usar a máscara no momento em que o funcionário entra no hospital. Ela deve ser substituída a cada duas horas; a lavagem das mãos é constante. Casos com sintomas respiratórios evidentes são isolados imediatamente para avaliação. Em caso positivo para coronavírus ou influenza, quarentena de 14 dias. Não há dados sobre funcionários afastados.

Além do receio de contaminação, os profissionais de saúde também se preocupam em não levar o vírus para casa. Quando volta para casa, Luiz Cláudio Lacerda Rodrigues tira os sapatos e passa direto para a lavanderia. O médico de 42 anos coloca para lavar toda a roupa que usou durante o dia. Tudo separado das outras peças. Em seguida, vai tomar banho. Só depois, ele abraça e beija a mulher Glayce e os filhos, Luiz Felipe, de 18 anos, e Julia, de 9 anos. Antes não era assim. O abraço na família era obrigatório logo na chegada.

Já uma enfermeira do Hospital Nove de Julho tomou uma atitude radical: decidiu usar as economias para alugar um apartamento e ficar longe dos pais por dois meses. Ela está indo para o Jabaquara enquanto o pai, de 62 anos, e a mãe, 56, vão continuar na zona norte.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

https://www.istoedinheiro.com.br/eles-estao-na-linha-de-frente-e-tem-medo/

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Bolinha na boca foi primeiro sinal do câncer de Heloisa Périssé: quando desconfiar

Em luta contra um câncer nas glândulas salivares, Heloisa Périssé contou qual foi o primeiro sinal que a doença manifestou em seu corpo.

Em conversa com o Dr. Dráuzio Varella para o “Fantástico”, a atriz revelou que a presença de uma bolinha na boca a fez começar sua jornada contra a atual doença.

Câncer de Heloísa Périssé: bolinha na boca foi 1º sinal

Em agosto deste ano, Heloisa veio a público noticiar a descoberta de um tumor nas glândulas salivares.

Desde então, a atriz tem falado abertamente sobre a doença, com posts nas redes sociais e mesmo entrevistas sobre o assunto.

Ao falar sobre o tumor ao Dr. Dráuzio, Heloisa contou que o início de sua luta contra a doença começou com a detecção de uma bolinha na boca.

Em visita ao dentista para um clareamento de dentes, a atriz aproveitou para comentar que estava com a dita bolinha.

Uma médica que trabalhava com o dentista aproveitou a ida da atriz ao consultório e removeu a bolinha e encaminhou o material para biópsia – um procedimento padrão, segundo informou a profissional à artista.

“Ela disse que tinha só 1% de chance de ser alguma coisa”, disse Heloisa sobre o que lhe foi explicado a respeito da possibilidade da bolinha indicar um quadro grave.

O resultado da biópsia da bolinha da boca, porém, encaixou-se precisamente na exceção. “’Lembra daquele 1%? Caiu pra você. Vamos fazer uma raspagem para garantir que não vai ter mais células malignas’, a médica disse para mim.”

Posteriormente, Heloisa descobriu outra bolinha no pescoço, material relacionado também com a doença.

Para o tratamento do câncer, Heloisa foi submetida a cirurgia de remoção do nódulo maligno e sessões de radioterapia e quimioterapia, as duas ao mesmo tempo.

Tumor nas glândulas salivares

As glândulas salivares são estruturas responsáveis pela produção e secreção de saliva no corpo.

A saliva é uma secreção importante do corpo por conter enzimas que dão início ao processo de digestão dos alimentos, além de conter anticorpos necessários para a proteção do corpo.

Formadas por dois tipos, as maiores e menores, ambas as glândulas salivares podem desenvolver tumores benignos ou malignos.

Segundo informações do Hospital A.C.Camargo, o câncer nas glândulas salivares correspondem a 5% a 7% dos cânceres de cabeça e pescoço, com estimativa no Brasil de 1 a 2 casos para cada 100.000 habitantes.

Dentre os tumores malignos, os carcinomas epidermoides são os que mais atingem as glândulas salivares. De acordo com o hospital, eles tendem a se desenvolver de forma lenta e costumam reagir muito bem ao tratamento.

Bolinha na boca: é comum em câncer glandular?

Notar a presença de “bolinhas” na boca não é algo incomum para casos de câncer de glândulas salivares.

De acordo com Artur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, os tumores da cabeça e do pescoço, particularmente o câncer de glândulas salivares, com frequência se manifestam através do aparecimento de nódulos ou carocinhos seja na boca, na língua, no assoalho da boca, no céu da boca, nas têmporas entre o queixo e o pomo de Adão e nas laterais ou no pescoço ou atrás das orelhas.

“Estes caroços, em geral, são o próprio conjunto de células cancerosas que inicialmente crescem no local onde se inicia [o câncer] antes de invadir os gânglios linfáticos das proximidades ou mesmo outros órgãos”, diz Malzyner.

Quando desconfiar da gravidade das “bolinhas”

Geralmente, essas bolinhas costumam ter crescimento lento e gradual, além de não manifestarem dor ou mesmo provocarem sangramento.

Por não chamarem tanta atenção, vale observar qualquer aumento de volume em órgãos ou região do pescoço – especialmente nódulos que aparecem nas primeiras semanas de maneira indolor e sigam crescendo em duas ou mais semanas de maneira progressiva.

“Sangramento é também um sinal suspeito para câncer, ainda que muito mais raro”, alerta Malzyner.

Porém, isso só acontece em casos de metástase, que é o quadro de câncer se espalha para outras partes do corpo para além da inicial.

Outros sintomas do câncer das glândulas salivares

Além da presença de nódulos, outros sintomas ajudam a identificar o câncer nas glândulas salivares. São eles:

. Dor constante na boca, bochecha, mandíbula, ouvido ou pescoço

. Assimetria entre os lados direito e esquerdo da face ou pescoço

. Perda de sensibilidade em parte do rosto

. Fraqueza dos músculos de um lado da face

. Dificuldade para engolir

Tratamento

A cirurgia é o tratamento mais comumente usado nas fases iniciais do câncer, quando a doença ainda se encontra limitada à região onde se iniciou, segundo Malzyner. É possível, ainda, o uso da radioterapia e quimioterapia.

“O câncer de glândulas salivares é uma doença curável no seu início mas de difícil controle quando a doença já se disseminou”, pontua Malzyner.

 

Acesse o link do Portal Vix.com: https://www.vix.com/pt/saude/580452/bolinha-na-boca-foi-primeiro-sinal-do-cancer-de-heloisa-perisse-quando-desconfiar?amp

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Outubro Rosa – Prevenção é ação!

Quando o assunto é o câncer, a prevenção e o diagnóstico precoce são os nossos maiores aliados. Ao falarmos no câncer de mama é importante lembrarmos a necessidade de consultas médicas e realização de exames preventivos de rotina.
Além disso, não podemos esquecer a importância do autoexame das mamas que é fácil de ser realizado, porém não é um método diagnóstico e não substitui os exames nem o acompanhamento regular com o médico.
Ele deve ser realizado uma vez por mês de preferência na semana seguinte ao término da menstruação.
A mulher deve ficar em frente ao espelho com uma mão atrás da nuca, usando a outra para apalpar a mama suavemente com os dedos a fim de identificar a presença de nódulo além de observar se há alguma alteração visível, como por exemplo, alteração na pele ou no formato da mama.
O diagnóstico precoce, ou seja, quando o câncer é diagnosticado no início é fundamental para o sucesso do tratamento e sua cura!

Converse com seu médico e realize seus exames!

Dra. Alessandra Pontalti
CRM 139.464

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Entenda o melanoma: câncer de pele agressivo que provocou a morte de Roberto Leal

RIO – O melanoma, causa da morte do cantor português Roberto Leal , é um tipo de câncer de pele menos comum, mas muito agressivo e que, na maioria dos casos, leva à metástase e depois à morte.

Existem dois grandes grupos de câncer de pele, muito diferentes entre si: o primeiro é o carcinoma de pele, que representa cerca de 90% dos casos. Ele aparece em decorrência do sol e tem crescimento local, lento, muito raramente emite metástase e tem muitas opções de resolução. O segundo grupo é o do melanoma, que representa cerca de 7 mil casos por ano, mas dos quais 2 mil, ou 30%, vão levar à morte.

— O motivo da estranheza é: como é que um câncer de pele, uma bobagenzinha que a gente vê, pode matar uma pessoa? É uma doença que teoricamente poderia ser caracterizada muito precocemente. Mas o melanoma é uma lesão de pele cujo maior problema é o aprofundamento. Continua sendo uma pintinha, mas vai penetrando feito uma escavadeira de metrô. Invade vasos linfáticos e vai se veiculando para outros órgãos, mesmo antes de ser uma pinta muito feia. Infelizmente às vezes quando é detectado, já é tarde — afirma o oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor científico da Clínica de Oncologia Médica, em São Paulo, Artur Malzyner.

A irradiação ultravioleta do sol é a principal causa do melanoma. Há indícios de que seja mais frequente nas áreas do globo onde a insolação é maior e no grupo de risco, pessoas de pele clara e origem europeia.

Um médico treinado, seja dermatologista, oncologista ou clínico-geral, pode identificar se uma pinta é uma lesão suspeita ou não. Por isso, segundo Malzyner, é importante que as pessoas façam revisões periódicas e, se possível, passem pela dermatoscopia, exame que não só detecta a malignidade das pintas, como compara sua evolução ao longo dos anos.

Se o melanoma foi diagnosticado e há metástase detectada ou alto risco de desenvolvê-la, a melhor opção é a imunoterapia.

— Esse tratamento revolucionou o melanoma. Era sistematicamente letal para todos que tinham metástase, mas hoje já se consegue regressão em número expressivo, de 30 a 45% dos casos. Infelizmente não é acessível para todos e menos da metade dos pacientes que vão ter acesso vão ficar bem. Os outros 55 a 70% vão ter evolução do câncer. É uma doença muito agressiva.

Pintas com nuances e tonalidades diversas dentro dela, que crescem de repente, sangram ou surgem de repente são alvo especial de atenção.

 

Acesse o link do Portal O Globo: https://oglobo.globo.com/sociedade/entenda-melanoma-cancer-de-pele-agressivo-que-provocou-morte-de-roberto-leal-23949996

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Macarrão instantâneo é prático, mas pede cuidado: como comprar “menos pior”

A proposta é bem tentadora: bastam poucos minutos para ter à disposição um prato de massa. Mas o que muita gente não sabe é que dentro da embalagem se esconde um alimento que é bem prejudicial ao organismo. Para ficar pronta rapidamente, a massa é pré-frita em gordura vegetal. Além disso, o saquinho de tempero vem recheado de sal e realçadores de sabor.

O valor calórico médio desse tipo de alimento é 380 calorias. Como a ideia é substituir uma refeição, pode não parecer muito, mas, se pensarmos em hábitos alimentares saudáveis, esse tipo de macarrão não é indicado. Na versão convencional ele é apenas uma mistura de farinha branca e gordura vegetal, o que faz com que seja calórico e com baixas quantidades de proteínas, vitaminas, minerais e fibras. Isso sem falar que contém muita gordura saturada, aquela que é prejudicial ao coração.

Se compararmos apenas o macarrão instantâneo (sem tempero) com o macarrão com ovos e farinha refinada, o primeiro possui mais calorias, gorduras e sódio.

Como o macarrão tradicional demora entre 8 e 10 minutos para ficar pronto, será que vale a pena escolher esse tipo para ganhar entre 3 e 7 minutinhos na cozinha?

Se você achar que vale mesmo assim, veja as dicas para usar o macarrão instantâneo da melhor forma possível:

O tempero é uma bomba de sódio e aditivos

Aquele saquinho que vem dentro da embalagem é uma mistura de sal, açúcar e outros compostos para realçar o sabor. Em uma única unidade encontramos mais de 50% das recomendações diárias de sódio. Em excesso essa substância favorece a elevação da pressão arterial, leva à retenção de líquidos, aumenta o cansaço físico e mental, estimula negativamente o sistema imunológico e pode até aumentar o risco de algumas doenças autoimunes.

A versão integral é um pouco melhor

Como ela é feita com uma porção de farinha integral, a massa se torna um pouco mais saudável, mas a quantidade de gorduras e de sódio e substâncias artificiais no tempero se mantêm igual.

O mesmo vale para os lights

Eles apresentam uma quantidade de calorias menor, que é decorrente da redução de gordura na sua composição. Mas a falta de proteínas, vitaminas e minerais e o excesso de sódio continuam presentes.

Existem opções assadas

Em algumas versões no mercado, o macarrão é pré-assado e não frito, o que ajuda a melhorar seu valor nutricional. Normalmente essas versões também trazem temperos naturais.

Use o macarrão assado, light ou integral e tempere como quiser

O ideal é escolher as opções mais saudáveis, temperá-la com ingredientes naturais, como ervas, e incrementá-la com fontes de proteína, iscas de carne, peixe ou frango, camarões grelhados e mussarela de búfala, por exemplo. Veja como escolher a melhor opção para levar para casa.

Na embalagem estão os dados que devem ser considerados

Leia as informações com cuidado e procure expressões como: menos sódio, assado, integral, menos gordura, sem aditivos artificiais, entre outras que indiquem que o produto é mais saudável.

Não coloque no carrinho antes de checar a lista de ingredientes

Evite produtos que tenham algum tipo de gordura entre os três primeiros itens da lista ou que a farinha de trigo seja o primeiro ingrediente, o ideal é que a integral esteja antes, pois isso indica que está presente em maior quantidade. E mais um detalhe: prefira aqueles que não apresentam gordura vegetal hidrogenada.

A tabela nutricional também é importantíssima

Prefira os que tiverem menos sódio e gorduras e mais fibras.

Informação nutricional

Macarrão instantâneo convencional com tempero

. Porção 1 unidade (80 g)

. Valor energético: 369 kcal

. Carboidratos: 50 g

. Proteínas: 8,4 g

. Gorduras totais: 15 g

. Gorduras saturadas: 6,9 g

. Fibras: 2,1 g

. Sódio: 1607 mg

Macarrão instantâneo light com tempero

. Porção 1 unidade (80 g)

. Valor energético: 248 kcal

. Carboidratos: 50 g

. Proteínas: 9 g

. Gorduras totais: 1,3 g

. Gorduras saturadas: 0,4 g

. Fibras: 2,9 g

. Sódio: 1222 mg

Macarrão instantâneo integral com tempero

. Porção 1 unidade (80 g)

. Valor energético: 250 kcal

. Carboidratos: 50 g

. Proteínas: 9 g

. Gorduras totais: 1,5 g

. Gorduras saturadas: 0,4 g

. Fibras: 7,6 g

. Sódio: 1000 mg

Macarrão instantâneo convencional sem tempero

. Porção de 84 g

. Valor energético: 270 kcal

. Carboidratos: 56 g

. Proteínas: 8,4 g

. Gorduras totais: 1,5 g

. Gorduras saturadas: 0,6 g

. Fibras: 2,1 g

. Sódio: 706 mg

Macarrão convencional seco

. Porção de 80 g

. Valor energético: 288 kcal

. Carboidratos: 61,36 g

. Proteínas: 8,32 g

. Gorduras totais: 1,57 g

. Gorduras saturadas: 0,43 g

. Fibras: 1,84 g

. Sódio: 11,84 mg

Macarrão convencional preparado

. Porção de 80 g

. Valor energético: 101 kcal

. Carboidratos: 21,52 g

. Proteínas: 2,9 g

. Gorduras totais: 0,5 g

. Gorduras saturadas: 0,15 g

. Fibras: 0,6 g

. Sódio: 2 mg

 

Fontes: Renata Bressan Pepe, nutricionista da Clínica Halpern, em São Paulo, e do Departamento de Nutrição da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica); Daniel Barreto de Melo, nutricionista da Clinonco, em São Paulo

 

Acesse o link do Portal Viva Bem – UOL: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/13/macarrao-instantaneo-e-perigoso-veja-como-escolher-o-menos-prejudicial.htm

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